Gênero e sexualidade

Agressão LGBT

Estudante Transexual sofre agressão e tem a perna quebrada na Virada Cultural em Presidente Prudente

No dia 21 de maio, Italo Vulcânica, estudante de geografia da Unesp de Presidente Prudente sofreu agressão física e teve sua perna esquerda quebrada por dois homens transfóbicos durante a virada cultural. Em conversa com o Esquerda Diário Italo nos conta sobre o acontecido

terça-feira 31 de maio de 2016| Edição do dia

No dia 21 de maio, Italo Vulcânica, estudante de geografia da Unesp de Presidente Prudente sofreu agressão física e teve sua perna esquerda quebrada por dois homens transfóbicos durante a virada cultural. Em conversa com o Esquerda Diário Italo nos conta sobre o acontecido:

“Eu estava na virada cultura aqui em Presidente Prudente na noite de sábado. Estava de boa na roda com uns amigos quando um moço passou ao nosso lado e falou que eu estava olhando para ele. Disse que se continuasse olhando daria 2 tiros na minha cara. Um amigo dele viu a cena acontecendo e já chegou me dando uma bicuda na perna que me levou ao chão e vieram pra cima pra me bater. A sorte foi que um moço que eu havia trocado ideia minutos antes viu eles me agredindo e tomou a frente da briga. Consegui sair da briga e sai correndo pra procurar um lugar pra me alojar porque tinham outros boys correndo atrás de mim com um pedaço de pau na mão. O pessoal que me alojou disse que ligaria pra policia para ir no local comigo ver se encontrávamos os caras. A polícia não apareceu e quem veio foi o resgate que me levou pra Santa Casa e constatou que minha perna havia quebrado e que por pouco não tive que operar.”

Italo ainda complementa dizendo que mesmo que a polícia aparecesse dificilmente faria algo em sua defesa, já que a policia militar em Presidente Prudente já se mostrou claramente LGBTfóbica, sendo responsável por agressões contra LGBTs. “A gente sabe que existem perseguições da própria polícia com as travestis e transexuais que se prostituem.” Para Italo é necessário que se crie políticas a favor da população LGBTs, já que na região não existe nenhum tipo de política em relação a isso com a justificativa de que não tem demanda, o que na prática se prova o contrário, já que LGBTs, mulheres, negros e negras são cotidianamente vítimas de violência, seja ela física, moral ou psicológica, legitimada através de uma sociedade onde as opressões são estruturais. É necessário combater as opressões e lutar por uma sociedade onde a sexualidade de cada pessoa não seja um problema, mas cada um e cada uma possam construir sua sexualidade sem medo de sofrer qualquer tipo de agressão por ser o que é.

É inadmissível que esse tipo de agressão continue acontecendo. Nós, do grupo de mulheres Pão e Rosas demonstramos nosso repúdio a essa atitude de agressão transfóbica e toda nossa solidariedade à Italo. Ela encerra afirmando que está bem, apesar de não poder ficar em pé e nem colocar o pé no chão, pois ainda sente muita dor. Nos colocamos à disposição de iniciar uma campanha financeira para ajuda-la nas despesas com medicamentos e consultas médicas. Italo respondeu que não será necessário, que o mais importante nesse momento é uma campanha de conscientização para que mais pessoas comecem a perceber a necessidade de combater as opressões.




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