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Estado espanhol: o PSOE se mantém, o PP afunda e se consolida o Podemos

As eleições em Andaluzia, região com mais eleitores do Estado espanhol, deu a vitória ao Partido Socialista (PSOE) sendo o conservador Partido Popular o segundo, e a novidade do surgimento de Podemos e Cidadãos.

segunda-feira 23 de março de 2015| Edição do dia

As eleições em Andaluzia, região com mais eleitores do Estado espanhol, deu a vitória ao Partido Socialista (PSOE) que conseguiu ficar em primeiro lugar com 47 assentos. Em seguida, ficou o conservador Partido Popular que caiu muito. A novidade é a derrocada da Esquerda Unitária e o surgimento de Podemos e Cidadãos, que entram para o Parlamento da Andaluzia.

Os socialistas (PSOE) ganharam as eleições de domingo na região de Andaluzia (sul), caracterizada principalmente pela abertura do espectro político a dois jovens partidos, Podemos e Cidadãos.

Com um parlamento regional de 109 deputados, o que coloca a maioria absoluta em 55, os socialistas conseguiram 47 cadeiras, enquanto o Partido Popular (PP, de centro-direita, no poder no Estado Espanhol) obteve 33. Isso implica uma perda de mais de meio milhão de votos para o PP, distante dos 50 deputados que conseguiu em 2012.

Apresentado pela primeira vez em Andaluzia após seu surgimento na política espanhola há um ano, o Podemos, liderado por Pablo Iglesias, conseguiu 15 deputados. Embora seja um pouco menos do que as pesquisas indicavam, é um resultado que consolida a agrupação. Fizeram sua melhor eleição na capital Cádis, onde a candidata do Podemos (e Anticapitalistas) Teresa Rodriguez atingiu 29% dos votos. Cidadãos (o novo partido de direita liberal "anticorrupção"), outra força ascendente, conseguiu 9 cadeiras.

O desastre foi protagonizado pela Esquerda Unida (IU), caindo de 12 para 5 deputados. A IU fez parte do governo da Andaluzia até algumas semanas atrás, quando o governo socialista de Susana Díaz quebrou o pacto que manteve durante anos e convocou eleições antecipadas.

Com uma maioria simples, os socialistas terão que buscar apoio para governar. Mas as alianças não serão fáceis, porque as eleições deste domingo, embora regionais, adquirem um significado especial a nível nacional. Eles também poderão optar por um governo de minoria com a abstenção de um dos partidos minoritários.

De bipartidismo para quadripartidismo?

As eleições em Andaluzia abriram um ano de várias consultas às urnas. Em maio, haverão eleições em 13 regiões e 8 mil municípios em todo o Estado espanhol. No final de 2015, ocorrerão as eleições do legislativo para renovar o parlamento nacional e formar um governo, elegendo o novo presidente.

Hoje, o PP domina o executivo central e a maioria dos poderes locais, com o PSOE na oposição, mas todas as pesquisas prevêem um forte ascenso do Podemos e Cidadãos, a tal ponto que os quatro partidos seriam separados por poucos pontos percentuais.

Esta dispersão dos votos já está abrindo um cenário diferente com a perspectiva de passar de um regime fortemente bipartidarista nos últimos 30 anos para um com, pelo menos, quatro grandes forças e um Parlamento muito mais fragmentado. Também é especulado que sejam necessários pactos para formar um governo, o que mudaria ainda mais o panorama político espanhol.

Além disso, as eleições em Andaluzia são de particular interesse não só porque o peso específico na arena política desta importante comunidade tende a mostrar tendências do Estado, mas pelo próprio desempenho da atual presidenta regional e candidata socialista, Susana Díaz. A líder regional é vista por muitos setores como uma ameaça para o inexperiente líder nacional do PSOE, Pedro Sanchez, que lidera o partido há menos de um ano.

Podemos e Cidadãos

O que confirma as eleições deste domingo é a tendência para a consolidação de Podemos e Cidadãos, duas formações apostando em algum tipo de "regeneração democrática". Ambas as formações têm influenciado fortemente no retrocesso das expectativas de votos dos dois maiores partidos PP e PSOE.

O surgimento do Cidadãos, como uma agrupação liberal que questiona a corrupção do PP e PSOE, aparece sobretudo capitalizando o descontentamento com o PP na direita, mas também colocando um limite ao crescimento do Podemos entre um setor desencantado de antigos eleitores do PP.

Tanto o Podemos como o Cidadãos têm se dedicado a questionar a forma de fazer política dos dois principais partidos tradicionais, por isso, se agora terminarem pactuando com o PP ou com o PSOE para formar um governo, terão que justificar quaisquer acordos com eles.

Andaluzia e o espelho da Espanha

A crise econômica capitalista golpeou particularmente a desprezada Andaluzia. O desemprego atinge 35% da população e cresce a pavorosos 62% entre os jovens. Pelo menos 2,5 milhões de pessoas estão em risco de exclusão social, depois de perder seus empregos ou suas casas, ou ambos. A concentração da riqueza nas mãos de capitalistas é tão escandalosa que 50% das terras cultiváveis estão nas mãos de 2%, grandes proprietários e latifundiários.

O governo da Andaluzia, até poucas semanas um governo de coligação entre o PSOE e IU, vem aplicando há anos todo e qualquer plano de ajuste contra a população.

A convocação de eleições antecipadas, devido à crise terminal do governo de coalizão entre o PSOE e IU após uma série de desentendimentos entre os antigos "parceiros", parece ter operado como um limite para a crise dos socialistas da Andaluzia, repudiados por grande parte da população e envolvidos em vários casos de corrupção em todo o Estado. Susana Díaz conseguiu passar com sucesso no teste das eleições antecipadas, mas isso não significa que o PSOE vai continuar caindo, incapaz de se recuperar de suas crises em todo o Estado.

O panorama em Andaluzia, mostrando uma maior fragmentação e a consolidação do Podemos e o surgimento recente do Cidadãos, parecem mostrar a estrada sinuosa que pode transitar a crise do bipartidarismo espanhol.




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