Política

GOVERNO TEMER

Entrevista do golpista Temer será usada por defesa de Dilma contra o impeachment

Em entrevista exibida no dia 15 de abril à Band, o golpista Temer afirmou que o ex-presidente da câmara dos deputados e colega de partido, Eduardo Cunha (PMDB)avaliava arquivar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rouseff, mas mudou de ideia quando o PT decidiu votar contra ele no conselho de ética, que resultou na perda do mandato do deputado e, posteriormente, sua prisão.

segunda-feira 17 de abril| Edição do dia

Ao ser perguntado sobre sua relação com o ex-deputado Eduardo Cunha e o impeachment Temer afirmou:

“Em uma ocasião ele foi me procurar. Ele me disse “vou arquivar todos os pedidos de impeachment da presidente, porque me prometeram os três votos do PT no conselho de ética! (...) no dia seguinte, eu vejo logo no noticiário que o presidente do PT e os três membros do partido se insurgiram contra aquela fala e votariam contra. Mais tarde ele me ligou e disse “tudo aquilo que eu disse não vale, vou chamar a imprensa e dar início ao processo de impedimento. (...) Que coisa curiosa. Se o PT tivesse votado nele naquele comitê de ética, seria muito provável que a senhora presidente continuasse.”

O advogado da ex-presidente Dilma Rouseff, José Eduardo Cardozo, entende que a fala do golpista representa uma confissão e uma prova que Cunha abriu o processo por vingança e deve anexar a entrevista nos autos do mandado de segurança que contesta a legalidade do impeachment.

Temer falou também da presença do seu nome nas listas da Odebrecht e afirmou que a Odebrecht colaborou oficialmente nas campanhas do PMDB, assim como outras empresas. Temer só não mencionou que “quem paga a banda escolhe a música” e que as colaborações da Odebrecht e de empresários nas campanhas políticas não são sem interesse. Temer chegou a mencionar que a doação da Odebrecht foi de R$ 11 milhões para seu partido. Obviamente, negou qualquer relação dessas doações com o pagamento de propinas.

Perguntado sobre sua linha de corte em relação a ministros acusados de corrupção – atualmente são 8 ministros citados nas listas da Odebrecht – Temer afirmou que se o ministro se sentir desconfortável e queira sair seria decisão dele, mas que só afastará o ministro acusado se ele for considerado réu pelo supremo, ou como afirmou em entrevista a outro canal (Jovem Pan) se houver “provas robustas”. Ou seja, os ministros que já eram acusados de corrupção ao entrarem no governo e agora ainda são citados nas listas de recebimento de propina continuarão exercendo seus poderes a fim de colaborar com o governo golpista nos ataques aos trabalhadores. Temer, no entanto, negou que irá sancionar qualquer lei de anistia ao Caixa 2.

Sobre a reforma trabalhista, Temer reafirmou seu intuito de que o “acordado prevaleça sobre o legislado”. Isso significa na prática que os direitos conquistados pelos trabalhadores que são garantidos pela CLT deixam de valer sobre os acordos que patrões negociam direto com centrais sindicais e sindicatos pelegos. Deixou bem claro que a assinatura da lei da terceirização – que amplia irrestritamente os trabalhos terceirizados e precariza ainda mais os contratos temporários de trabalho – continha brechas que serão ajustadas na reforma trabalhista. Ou seja, a reforma tão sonhada por Temer é para liquidar de vez tanto a chance do trabalhador se aposentar quanto qualquer direito conquistado a partir da luta.

A entrevista deixa claro que o impeachment tratou-se de um golpe institucional selado para acelerar os ataques aos trabalhadores. A resposta deve ser varrer essa casta de políticos corruptos do poder. Por isso os trabalhadores devem se organizar a partir dos seus locais de trabalho e de estudo para impor pela luta uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana onde possamos eleger deputados que debatam a fundo os problemas do país, que acabem com os privilégios dos políticos e dos juízes, para que todo político ganhe o mesmo que uma professora, todos os cargos sejam revogáveis e todos os políticos e juízes sejam eleitos. Que todas as empresas envolvidas em corrupção sejam expropriadas e estatizadas sob controle dos trabalhadores. Por uma lei contra as demissões, impostos às grandes fortunas e o fim do pagamento da dívida pública, para que sejam os capitalistas que paguem pela crise. Lutemos por um governo de trabalhadores para atender nossas demandas!




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