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NICO NO CLARÍN

Entrevista de Nicolás Del Caño ao jornal Argentino Clarín

Reproduzimos aqui, a entrevista do Nicolas Del Caño, um dos pré-candidatos da FIT a província de Buenos Aires, ao jornal Clarín.

quinta-feira 10 de agosto| Edição do dia

Nicolás del Caño: "Os que querem castigar Macri devem votar na FIT e não na Cristina"

Aos 37 anos, o dirigente se apresenta como candidato a deputado pela Província.

Aos 37 anos, e depois de haver conquistado mais de um milhão de votos como candidato a presidente em 2015, Nicolás del Caño, do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) se meteu em terra de gigantes - a província de Buenos Aires - onde é pré-candidato a deputado da Frente de Esquerda e quer voltar a ser um fenômeno eleitoral como foi em Mendoza em 2013, onde chegou a bancada como deputado nacional com 14% dos votos.

“Muitos setores castigados pelo ajuste de Macri pensam que descarregam seu descontentamento votando a Cristina Fernández”, diz sobre a candidatura da ex presidente. “Não porque coincidem plenamente e sim, porque veem que poderiam golpear o governo dessa forma, por isso cresce. Porém é falsa essa polarização, existe 40% da população que não se sente identificada com nenhuma dessas expressões. Queremos que esses setores que querem castigar Macri e derrotar sua política de ajuste, votem na FIT e não na Cristina. Unidade Cidadã, Cristina Fernández, suas províncias, e as de PJ tem governadores que praticam os mesmos ajustes, como em Santa Cruz. Os mesmos tenentes de PJ tem milhares de trabalhadores precarizados com salários baixíssimos”.

- Nasceu em Córdoba, foi candidato em Mendoza. Fez muito barulho na interna da FIT com o Partido Obrero pelo seu pouso em Buenos Aires. Foi pesada essa disputa?

- Quando fui eleito deputado passei a viver em Buenos Aires. Tivemos com Myriam Bregman a responsabilidade de ser a dupla presidencial em todo país. Se propos a minha candidatura para fortalecer a FIT no principal distrito. Chegou-se ao consenso entre todas as forças, com Néstor Pitrola para Senador e na Capital, Bregman para legisladora e Marcelo Ramal (do PO) para deputado. Desde 2011 apresentamos esta coalizão socialista e anticapitalista em 22 distritos. É a única proposta que tem os trabalhadores frente ao ajuste de Macri e as forças de oposição que lhes votam todas as leis no Congresso.

Del Caño vive em Avellaneda porém nada de Racing ou Independente: segue sendo fiel a seu Belgrano de Córdoba. Começou a militar aos 14 anos de idade no colégio Belgrano.. Seus pais eram militantes do MAS (Movimento ao Socialismo, uma força trotskista de peso na Argentina dos anos 80), uma de quais as cisões foi do PTS, em 1988.

Mudou-se para Mendoza aos 26, para armar o partido; trabalhou como vendedor de roupa, e por dois anos em um call-center para Movistar. Lembra disso como uma tarefa que “te queima a cabeça”.

- Que importância tem para um partido que se define marxista, a presença parlamentar?

- Ter chegado a câmara dos deputados com 4 deputados nacionais hoje, legisladores em muitas províncias, nos tem dado uma visibilidade muito importante. Nos permite fortalecer os setores onde as lutas estão no tapete, e a uma força com dezenas de companheiros que estão em sindicatos, escolas e bairros. Alcançar estruturar uma força militante. Nosso lugar no congresso é defender as reclamações daqueles fora dali. É um lugar hostil para as nossas ideias. Porém para alcançar nosso objetivo, que é um governo dos trabalhadores, depende da mobilização do povo. Estamos nas ruas onde acreditamos que verdadeiramente vai se derrotar esse projeto político. Somos a única oposição consequente contra o governo Macri.

- Ao PTS, talvez seja visto mais atentamente a regras mais modernas da política, com figuras como você ou Bregman.

- O fundamental é poder chegar a juventude. Fundir as ideias da esquerda socialista anticapitalista, com as novas gerações,, jovens que não devem nada ao macrismo, nem ao kirchnerismo. Isso também se tem que expressar nas candidaturas.

- Como caracterizam o que se passa na Venezuela? Parece que a esquerda lhe custa a criticar o que passa por ali.

- Vemos como um governo cada vez mais autoritário, baseando-se cada vez mais nas forças armadas, nada de bom pode vir para o povo trabalhador. Tampouco das forças opositoras da direita. Tem que surgir outra alternativa e cada vez tem mais setores descontentes que a buscam.

- Tem algum lugar onde olha no mundo, que se identifique com seu projeto político?

- Hoje por hoje, não há m país. Sem as contradições do capitalismo mostram maior oposição e busca alternativas. Milhões de jovens buscam um novo tipo de sociedade.

- Qual será seu primeiro projeto caso seja eleito?

- Para começar, a proibição das demissões. E reduzir a jornada de trabalho para 6 horas, 5 dias na semana. Buscamos atingir a ganâncias dos grandes empresários. Não é o projeto de Cristina Kirchner. Para nós, o capitalismo não dá mais. Está baseado em maximizar as ganâncias de alguns em custa da exploração e sofrimento de milhares de pessoas.

- Existe autocrítica da esquerda de porque não puderam alcançar maior representação?

- Temos o desafio de pegar um salto. Na província temos dois deputados um de cada eleição, nesta eleição queremos duplicar. Em outros distritos também. E que isso expresse em uma nova força social e política. Temos que aprofundar a unidade da esquerda.

- O que opina da proposta em vista em alguns círculos europeus, de uma renda universal?

- Não nos parece uma via que está buscando para sustentar um setor enorme de trabalhadores cada vez mais precarizados, com ingressos cada vez mais cedo. Uma dualização da sociedade, forma de flexibilizar ao resto dos trabalhadores. É para precarizar a classe trabalhadora. A renda universal não é uma ideia “progressista” para nós. Por isso, propomos a redução da jornada trabalhista e a repartição do trabalho.

- Não acreditam que pagaram um custo político por ter votado contra a expulsão de De Vido da Câmara de Deputados?

- O explicamos e a gente o entendeu. Fomos opositores ao governo kirchnerista, perseguidos com o projeto X (de espionagem ilegal K), Mariano Ferreyra foi assassinado por José Pedraza, que era aliado desse governo. Queremos que avance a Justiça, por isso votamos a favor do arrombamento à casa de De Vido. E se a Justiça pedisse o ultraje votaríamos a favor. Porém estivemos contra esta figura de inabilidade moral, um circo eleitoral. Mas nós fomos contra esta figura de incapacidade moral, um circo eleitoral. Define um precedente sinistro que pode ser usado contra um deputado de qualquer força política, por uma maioria circunstancial. A proteção de De Vido tem a ver com uma aliança. O primo de Macri foi um dos três principais beneficiários das obras públicas.A Justiça protege De Vido. Então, nós queremos juízes eleitos pelo voto popular e julgamento com júri.




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