Cultura

ENTREVISTA

Entrevista com a Kiwi Companhia de Teatro

Fábio Nunes

Vale do Paraíba

quarta-feira 1º de março| Edição do dia

Fábio Nunes: Kiwi Companhia de Teatro

Kiwi Companhia de Teatro: A Kiwi Companhia de Teatro surgiu em 1996 e desde então o grupo procura elaborar um pensamento crítico sobre o teatro, contribuir para a compreensão de temas contemporâneos e atuar artística e politicamente na vida social do país. Através de trabalhos cênicos, debates, formações, mostras de filmes, publicação do Caderno de Estudos Contrapelo e, até, festas, buscamos reforçar nosso diálogo com parceiro(a)s, movimentos sociais e populares e público em geral.

Fábio Nunes: Material Bond

Kiwi Companhia de Teatro: Material Bond é mais uma tentativa que estamos fazendo para apreender a realidade social, com a expectativa de interferir, nos limites que infelizmente são os nossos, no debate público sobre os gravíssimos problemas que a atualidade nos apresenta. Entre eles, as múltiplas violências cometidas pelo Estado, a brutal desigualdade social, a idiotização promovida pelos principais meios de comunicação de massa, a presença sufocante da ideologia da competição, do sucesso e do mérito, entre tantos outros. Nosso trabalho aborda, estética e politicamente, estes temas, apontando um horizonte de superação, sem a presunção das respostas prontas.

Ainda no primeiro semestre estrearemos um novo trabalho cênico: Fome.doc. Esperamos poder conversar com vocês mais para frente sobre esta montagem.

Fabio Nunes: Trump, Temer e Doria. A direita avança...

Kiwi Companhia de Teatro: As coisas não estão nada fáceis. Além da tríade Trump, Temer e Doria, não podemos deixar de mencionar Alckmin e seu projeto conservador, autoritário e tecnocrático de lidar com as complexas questões sociais. Com o golpe de 2016 (parlamentar, midiático, legislativo etc.) a porteira ficou ainda mais escancarada para o retrocesso. E retrocesso não apenas dos direitos trabalhistas, da legislação ambiental, no campo comportamental, mas retrocesso civilizacional! É esta, aliás, uma das ideias-mestre que Material Bond pretende colocar em discussão. O tema é vasto, mas seria leviano não avaliar as causas que nos conduziram a esta situação, e parte importante da responsabilidade recai sobre aqueles e aquelas que se renderam ao projeto de conciliação, porque da direita espera-se exatamente o que sempre fizeram.

Nossa aposta está na organização popular e na articulação de lutas que saibam lidar com a complexidade deste momento sem abrir mão de um projeto socialista e revolucionário.

Fabio Nunes: A Cultura sofre um ataque brutal. Perseguição a arte de Rua e o congelamento das verbas.

Kiwi Companhia de Teatro: Estamos tentando juntar os cacos da grande desmobilização dos últimos anos e responder à altura. Os trabalhadores e trabalhadoras da arte e da cultura não apenas têm sua palavra a dizer, como têm a responsabilidade de organizar uma resposta crítica e criativa às violências típicas do capitalismo.

Não é à tôa que as verbas destinadas à cultura nos últimos anos sempre estiveram muito aquém do necessário. A arte é capaz de desautomatizar as pessoas, de alimentar o pensamento crítico e a imaginação política.

Esperamos que a luta que recomeça agora em São Paulo, com a Frente que exige o descongelamento de quase metade do orçamento da Secretaria Municipal de Cultura, seja um primeiro passo no sentido de uma nova fase de politização da categoria.




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