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DÍVIDA PÚBLICA

Enquanto faz propaganda sobre empoderamento feminino, Itaú explora brasileiras todos os dias

O banco que produz um enorme comercial para dizer que está do nosso lado é o mesmo que foi o principal defensor do golpe, da PEC dos gastos, da reforma trabalhista e de todos os ataques de Temer, que impactam profundamente na vida das mulheres negras e trabalhadoras.

Carolina Cacau

Foi candidata a vereadora do MRT em 2016, é estudante da UERJ e professora da rede estadual.

sexta-feira 3 de agosto| Edição do dia

Imagem: Reprodução/ Itaú

O banco Itaú lançou há pouco tempo uma propaganda para incentivar uma plataforma chamada “Itaú Mulher Empreendedora”, esse anúncio de tv é o clip musical chamado "Vai garota". Nele há mulheres brancas e mulheres negras, majoritariamente, junto com a cantora Iza cantando e dançando uma música que trata de maneira geral de dois temas bastante comentados, na internet, nos locais de trabalho, universidades, escolas e propagandas de todos os tipo, o tema do empoderamento e da representatividade.

Veja o Vídeo Aqui:

O banco Itaú se utilizou desse debate tão importante e sensível, principalmente para as mulheres negras que não se veem representadas nos diversos espaços, inclusive o político, para afirmar que uma suposta emancipação da mulher seria pela via empreendedora incentivada pelo próprio banco, uma linha de crédito.

O banco que produz um enorme comercial para dizer que está ao lado do nosso lado é o mesmo que foi um dos defensores do golpe, da PEC do teto dos gastos, da reforma trabalhista e dos ataques de Temer, que impactam profundamente na vida das mulheres negras e trabalhadoras.

O mesmo banco que detém parte da nossa dívida pública, uma dívida que entrega de bandeja a produção da riqueza nacional às famílias multimilionárias como é o caso do Itaú que enriquece as custas do suor e sangue de mulheres brasileiras. O banco Itaú que impulsionou o golpe institucional que vem destruindo e precarizando dia a dia a vida da mulher trabalhadora com ampliação da terceirização a qual destina às mulheres negras os piores salários e os piores postos de trabalho; com a reforma trabalhista que retirou direitos conquistados historicamente como o tempo do direito a maternidade.

Numa sociedade racista como a brasileira que se forjou num primeiro momento a partir das teorias raciais que construiu a imagem do negro desde uma falsa inferioridade, infantilidade e animalidade, e num segundo momento elegeu a democracia racial como um mito onde não havia mais racismo no Brasil, ter orgulho da nossa identidade, nossos traços, cabelos, blacks e tranças é sem sombra de dúvidas um aspecto anti-sistêmico.

Há nesse elemento de luta anti-racista um ponto chave que pode nos impulsionar a uma luta cada vez maior, uma luta que coloque em xeque a ideologia do racismo e todos aqueles que se utilizam dela de maneira oportunista e perversa, como o banco Itaú. Negros e negras devem erguer sua identidade negra contra o capitalismo, contra uma burguesia branca e racista, sem deixar, que esse impulso anti-sistêmico e anti-racista termine em si mesmo, que ele seja parte de uma luta maior por uma alternativa a esse sistema de miséria. Partindo daí para levantar uma forte campanha pelo não pagamento da dívida pública como parte de dar uma batalha para que todos os negros tenham o direito a dignidade humana que lhes é negado diariamente. São os banqueiros, os grandes empresários e seus políticos de estimação que tem tudo a seu favor, sendo a dívida pública o maior mecanismo desse domínio, enquanto à população negra é destinado uma vida de miséria e é massacrada todos os dias nas favelas e nas periferias de todo o Brasil.




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