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SÃO PAULO

Enquanto distribui ração aos pobres, Dória oferecerá isenção fiscal às empresas fornecedoras

Dória anunciou seu novo programa de alimentação para a cidade, “Alimento para Todos”, que, apesar do nome, causou espanto por oferecer para as populações em situação de miséria, ao invés de alimento, um composto feito a partir de restos de comida prestes a vencer e não comercializados pelas empresas e redes de supermercado, que em troca, receberão diversos incentivos econômicos.

sexta-feira 13 de outubro| Edição do dia

Esta nova iniciativa anunciada pelo prefeito é simbólica pois expõe os dois extremos da política pública levada a cabo pela atual administração. De um lado, Dória busca oferecer às populações mais carentes restos de comida, ou um produto que na verdade nem pode ser chamado de comida, mas sim como um composto ou "ração". Por outro lado, para as empresas que participarem do programa e fornecerem os alimentos, elas receberão em troca diversos incentivos econômicos, desde concessão de financiamentos em condições favorecidas; à isenções do Imposto Sobre Serviços (ISS) e do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

O programa segue a cartilha política que Dória tem aplicado, enquanto oferece diversos benefícios e incentivos ao seus amigos empresários, por outro lado, desmonta e entrega uma série de serviços públicos. Enquanto se vangloria de realizar parcerias sem necessidade de contrapartida com a iniciativa privada, desde o começo do seu mandato, Dória tem buscado, na verdade, arrancar do setor público todas as formas possíveis de oferecer vantagens a iniciativa privada, seja por meio de parceria duvidosas, licitações fradulentas, ou mesmo serviços sem licitações.

O absurdo é o prefeito ter encontrado uma forma de beneficiar o empresariado até mesmo no combate contra a fome. Dória conseguiu desvirtuar todo o conceito do que se entende por Segurança Alimentar e Nutricional, que é a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.

Como vemos em outras ações efetuadas pelo prefeito na área da alimentação, nada disto é levado em conta por ele, seja no caso do racionamento da merenda imposto nas escolas, prejudicando o acesso a quantidade suficiente de alimento, ao que ele buscou justificar pela obesidade, mesmo tendo diminuído a quantidade de alimentos orgânicos distribuídos nas escolas. Para o prefeito gestor nada disto é levado em consideração, sua única preocupação é beneficiar seus amigos empresários, mesmo que seja a custo da saúde alimentar da população.

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