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Enquanto Governo atrasa auxílio dos informais, Bolsonaro e Igrejas pedem "dia de jejum"

sexta-feira 3 de abril| Edição do dia

Jair Bolsonaro deu entrevista nessa quinta (2) à Radio Jovem Pan. A entrevista despertou a ira de diversas pessoas, pois enquanto o governo deixa milhões na fome, atrasando o auxílio para os informais, de R$ 600 , anunciou que esta com conversa com Igrejas Evangélicas para pedir à população um “Jejum religioso” contra o coronavírus.

Circula nas redes sociais uma hastag contra o atraso nos pagamentos do auxílio (#PagaLogoBolsonaro). A revolta daqueles que não receberam o auxílio e agora veem o prasidente pedir um dia de jejum e oração contra a pandemia é totalmente justificada.

Afinal, já estamos de frente com um “auxílio de fome” que o Governo oferece para os informais, enquanto enchem de trilhões de reais injetados nas bolsas e para bancos e empresas, enquanto largam os trabalhadores e trabalhadoras do país à propria sorte. R$ 600 reais é de fato uma renda mínima para a população, enquanto os bancos e empresas recebem uma renda màxima.

Mas não bastasse isso, a entrevista de Bolsonaro, de fato, só não é cômica, por que é a expressão mais cabal de quanto este governo não está disposto a mover um palmo para salvar a vida das pessoas. Expressa seu cinísmo e seu despreso pelos trabalhadores e pela pooulação pobre, pedindo que façam um “jejum” enquanto tem suas economias drásticamente afetadas, e não sabem se terão como colocar comida na mesa nos próximos tempos, ou se poderão deixar de por suas vidas em risco em seus trabalhos.

Para Bolsonaro, é não só confortavel, como benéfico se manter ao lado das Igrejas evangélicas, fortalecendo sua relação com parte importante da sua base de apoio e sustentação, jogando a luta contra o coronavírus para a responsabilidade dos fiés “orarem contra o virus”, e clamarem pela salvação divina, enquanto as políticas dos governos salvam as empresas e assistem ao eminente colapso do sistema de saúde.

Se pudessem, Bolsonaro e Guedes jamais teriam feito algo para aprovar uma renda mínima, mesmo que fossem os iniciais R$ 200 reais que o governo propôs. Afinal o presidente está desesperado para ver a economia funcionando.

“Entre morrer de vírus, que é uma pequena minoria que vai morrer, e uma parcela maior que poderá morrer de fome, de depressão, de suicídio, de problemas psiquiátricos, entre outros, é uma diferença muito grande, e eu como chefe de Estado tenho que decidir”. Dessa sentença de Bolsonaro, destrinchada poderia se concluir: Ele prefere que morram do vírus os trabalhadores, do que pagar qualquer tipo de auxílio. Prefere que estejam “fazendo a economia girar”, enquanto depositam todas as suas esperanças em Deus.

A chantagem de Bolsonaro, não precisaria ser a realidade. A “renda mínima” destinada aos trabalhadores infomais, e a todos aqueles que não trabalhem durante essa crise, e tenham o direito de poder ficar em suas casas, deveria ser pensada de acordo com as necessidades básicas de uma família. Devemos exigir que eles garantam a imediata gratuidade de luz, água, recarga de telefones, gás, aluguel, além de um salário de R$2000 para todos que ficarem sem renda, que é um valor próximo à média salarial brasileira, ainda que seja metade do que o DIEESE defende como mínimo para uma família viver.




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