Política

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Enquanto Bolsonaro anuncia dura Reforma da Previdência as centrais seguem seu silêncio traidor

Governo Bolsonaro anuncia Reforma da previdência ainda mais assassina que a de Temer e as grandes centrais sindicais seguem caladas. É preciso superar o limite das burocracias para construir um calendário de lutas para impedir a reforma em fevereiro.

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

terça-feira 8 de janeiro| Edição do dia

Nesta terça-feira, 08/01, a equipe do atual governo de Jair Bolsonaro anunciou sua nova proposta de Reforma da Previdência, que é ainda mais dura que a proposta encaminhada pelo governo golpista de Michel Temer. Enquanto isso, as grandes centrais sindicais seguem num silêncio traidor frente a esse governo que apenas em uma semana anunciou ataques para os trabalhadores trabalharem até morrer com a Reforma, além de apontar para a retirada de direitos das mulheres, dos indígenas e da juventude.

As grandes centrais como a CUT, Força Sindical e CTB, que já haviam feito uma carta de “diálogo social” com o atual governo reacionário de Bolsonaro, anunciando seu respeito pelo atual presidente, seguem em silêncio. Longe de qualquer debate ou organização nos locais de trabalho, sequer nos sites das grandes centrais encontramos qualquer chamado à organização contra os ataques.

No site da pelega e patronal Força Sindical não há qualquer declaração, além do “diálogo social” com o atual governo. Nos sites das centrais que se declaram em oposição à Bolsonaro, como a CUT e a CTB, as informações não são muito diferentes. Em alguns deles, o banner de chamado a lutar pela previdência data de novembro e convoca para um dia de luta no ano passado (!).

A CUT não publicou nada sobre a Reforma da Previdência em suas redes sociais. No artigo com declaração do presidente da CUT, Vagner Freitas, entre os desafios citados por ele não se encontra a luta contra a Reforma. Aliás, a última vez que Freitas se refere à Reforma da Previdência em seus artigos é nada mais nada menos que no mês de novembro de 2018.

Já no site da CTB existe uma nota sobre a Reforma em que eles reconhecem que as alterações na previdência anunciadas hoje são uma linha mais dura que a proposta de Temer. Mas assim como a CUT seguem sem fazer um chamado sequer à organização dos trabalhadores.

As centrais sindicais menores, como Intersindical, ou estão em silêncio ou denunciam a Reforma, como a CSP-Conlutas, com um chamado à unificação das lutas contra os ataques, porém sem colocar qualquer crítica ao papel traidor das grandes centrais já nesse início do governo de Bolsonaro, uma vez que enquanto elas permanecem na passividade amarram a ação da classe trabalhadora contra esse enorme ataque.

As páginas dos ex candidatos à presidência como Fernando Haddad (PT) e Manuela Dávila (PCdoB) seguem o mesmo tom das centrais, sem dar hierarquia à luta contra tamanho ataque aos trabalhadores. Já Ciro Gomes (PDT), mostrando que nunca teve nada de esquerda como tentou aparecer demagogicamente ao longo das eleições, disse em entrevista recente ao portal El País que apenas após 100 dias do governo de Bolsonaro fará cobranças ao atual presidente.

Por trás de tamanho silêncio, esconde-se a verdadeira traição das centrais golpistas, que para não perder seus privilégios de burocracia, preparam uma forma de negociar uma reforma que passe goela abaixo contra os trabalhadores, que em pesquisa já manifestaram ser contra qualquer tipo de reforma. Essa traição está manifesta na decisão que as centrais tiveram em sua reunião no início de novembro de deliberadamente não lutar contra a reforma, mas propor algo que fosse “uma previdência pública, universal e que acaba com os privilégios”, abrindo a possibilidade de que as centrais proponham sua própria reforma e não que organizem os trabalhadores para lutar contra qualquer ataque nesse terreno.

O PT e do PCdoB se adaptam às centrais golpistas, de forma a paralisar ações de base dos trabalhadores junto ao movimento de mulheres e à juventude. Visam com isso fazer uma oposição meramente parlamentar ao governo Bolsonaro, se preparando com uma frente pífia de 70 parlamentares para surfar num suposto desgaste de Bolsonaro frente a sua base, e virando as costas para a classe trabalhadora, que se aliada ao movimento de mulheres e à juventude que também é alvo do atual governo nas periferias, escolas e universidades, seria imparável.

Viemos debatendo em muitos artigos do Esquerda Diário como essa estratégia ao redor de uma suposta “frente democrática” é parte de uma política de conciliação de classes para tentar conformar uma frente que permita desgastar o governo Bolsonaro para as eleições de 2022, aceitando previamente derrotas que apenas a força da classe trabalhadora junto às mulheres, LGBT e a juventude podem barrar.

É indispensável que as grandes centrais saiam da trégua a Bolsonaro e articulem com urgência um plano de lutas contra a Reforma da Previdência buscando os movimentos de mulheres, LGBT, negro e indígena como aliados prioritários em nossa luta contra a Reforma da Previdência e contra a retiradas de direitos de Bolsonaro. Os parlamentares do PSOL devem colocar suas forças ao redor desse chamado saindo de sua conivência com a trégua das grandes centrais sindicais.




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