Educação

EDUCAÇÃO PRIVADA

Enquanto 265 mil tem que abandonar cursos, monopólios educacionais demitem e lucram milhões

Centenas de milhares de estudantes de instituições privadas estão abandonando seus cursos por conta da crise, enquanto os grandes monopólios demitem milhares de professores e precarizam o ensino.

segunda-feira 6 de julho| Edição do dia

Mais de 265 mil estudantes graduandos de instituições de ensino privadas abandonaram o curso ou trancaram a matrícula entre abril e maio deste ano, segundo os dados do Semesp. A causa maior se deve à falta de condições materiais para arcar com os custos dos cursos, que não tiveram redução de mensalidade mesmo quando a pandemia provocou a perda de milhares de empregos pelos quais os estudantes tiravam a renda para pagar seus cursos.

Os números sublinham que ocorreu um aumento de 32% na evasão, quando comparada ao mesmo período do ano passado, em que foram registradas em torno de 201 mil desistências. O aumento abrupto com certeza se deve à conjuntura atual do impacto que a crise econômica provocou, produzindo uma massa imensa de desempregados, dentre eles os estudantes que dependiam de seus salários para poder pagar as mensalidades de seus cursos. Pelo menos é isso que mostra a pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) indicando que em junho 82% dos estudantes afirmaram ser a perda de renda o principal motivo para interromper seus estudos.

No entanto, o número de sonhos frustrados e o de inúmeros estudantes que desistiram da graduação podiam ser muito diferentes destes 265 mil, caso a rede de ensino universitário público fosse ampliada e houvesse vagas para todos os estudantes pobres. A título de comparação, temos que universidades privadas detêm 75,4% (6,3 milhões) do total de matrículas de graduação, segundo revelado pelos dados do Censo da Educação Superior de 2018.

E isso não somente indica o quão poderosos são os monopólios da educação privada, tomando como exemplos os maiores do mercado tais como Kroton, Estácio, Unip, mas indica, sobretudo, que a juventude pobre se encontra excluída do ensino superior público pela barreira social representada pelo vestibular, e o que lhe resta na maioria das vezes é pagar por um curso privado. Porém, com a crise econômica nem sequer esta segunda opção faz parte de seus planos.

Enquanto isso, os grandes monopólios seguem encontrando vias de aprofundar seus lucros e, ao mesmo tempo, descarregar os custos das crises sobre os trabalhadores. Seus custos com infraestrutura despencaram com a transformação de todo ensino presencial em ensino à distância, realizando os sonhos desses empresários que não dão a mínima para a qualidade do ensino. A Laureate, por exemplo, trocou professores por robôs para corrigir atividades, e em seguida demitiu massivamente. Já o Grupo Ânima, cujo empresário Daniel Castanho escreveu o manifesto "Não Demita", decidiu demitir professores na época de provas na São Judas, em São Paulo, e também na UNA, em Minas. A Uninove demitiu 300 professores por comunicado virtual, e depois apresentar uma palestra motivacional do padre Fábio de Melo no horário das aulas.

São algumas demonstrações de que para esses empresários do ensino o que vale são os lucros, enquanto demitem milhares de professores e centenas de milhares de estudantes se veem obrigados a largar seus estudos.

É urgente que se levante um plano de aumento das vagas de ensino público, gratuito e de qualidade no Brasil, para que o vestibular seja abolido enquanto um brutal filtro social que impede a oportunidades de centenas de milhares de jovens, anualmente, de cursarem uma graduação. E esse programa sem dúvidas tem como primeira medida a estatização sem indenização de todo o ensino privado. Enquanto destinam as 6,3 milhões de vagas de monopólios de um EaD precário em tempos de pandemia para poder demitir professores e manter seus lucros exorbitantes com as mensalidades inalteradas, seguem lucrando milhões. Que todo esse sistema seja convertido em vagas de qualidade e destinado à população pobre, a todos jovens trabalhadores que não deixem seus sonhos se esfacelarem ao ar pelo puro luxo de controle do acesso ao ensino nas mãos de empresas capitalistas.




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