Mundo Operário

INDÚSTRIA

Empresários estão mais confiantes porque seus ataques estão passando! É preciso coordenar as lutas e defender um programa operário contra a crise!

Segundo a CNI (Confederação Nacional das Indústrias), nos últimos meses houve uma melhora significativa no Índice de Confiança do Empresário Industrial, a melhora relativa da produção não aumenta o índice de recuperação do emprego.

Evandro Nogueira

São José dos Campos

quinta-feira 23 de junho de 2016| Edição do dia

Segundo a Confederação Nacional das Indústrias, nos últimos meses houve uma melhora significativa no Índice de Confiança do Empresário Industrial, o maior em dois anos. A produção subiu 3 pontos comparado ao ano passado, enquanto o número de empregados só 0,5 ponto. Ou seja, melhora relativa da produção muito maior que a recuperação do emprego. Isso é o que está por trás da melhora de humor dos empresários industriais, pois estão conseguindo impor um ritmo mais intenso de trabalho, explorando mais e pagando salários mais baixos, enquanto as demissões continuam: só a indústria paulista fechou 7,5 mil postos de trabalho em maio.

Isso pode ser comprovado também pelas pautas de operários da cadeia automotiva em diferentes regiões, como na GM, em São José dos Campos (SP), na Stola, em Belo Horizonte (MG) e na Pirelli, em Santo André (SP). Na Stola, fornecedora da FIAT, os trabalhadores estão com indicativo de greve contra o não pagamento de PLR, mas também denunciando que estão fazendo extras todos os sábados. Na GM a disposição de luta é contra demissões, mas também por excesso de horas extra, exigidas todos os dias. Na Pirelli a greve iniciada dia 20 é contra a tentativa da patronal de impor um reajuste salarial 2% abaixo da inflação, além da ameaça de demissões.

Quando o aumento da exploração sobre cada operário não é suficiente para saciar a sede de lucros, os patrões adotam uma medida mais drástica: transferem todos os prejuízos aos trabalhadores, dando calote em direitos e nos salários. Isso é o que vem ocorrendo na Mecano Fabril, em Osasco (SP) e também na Karmann Ghia, em São Bernardo do Campo (SP). No caso da Mecano essa já é a quarta greve no ano, todas contra o atraso de salários e direitos. Na Karmann Ghia os trabalhadores decidiram ocupar a fábrica há mais de um mês como forma de luta, pois estavam há três meses sem salários e atualmente sobrevivem com doações de operários da região.

Essas greves precisam avançar para se coordenar, criando espaços com representantes de cada fábrica em luta e defender um programa operário contra a crise, ou seja, um conjunto de medidas que parta de defender o emprego e os salários, colocando em xeque a taxa de lucro dos grandes empresários, os verdadeiros responsáveis por essa situação.

Frente ao recorde de 11,5 milhões de desempregados deve ser exigida a proibição das demissões. Fábricas que alegam falência e tentam impor o calote devem ter suas contas abertas e apuradas pelos trabalhadores, ser estatizadas e colocadas em funcionamento com os operários controlando a produção. Contra a inflação e o desemprego, os salários devem ter reajustes mensais iguais à inflação, para a manutenção do seu poder de compra e deve-se levantar escala móvel de salários e de horas de trabalho, reduzindo a jornada de trabalho sem redução salarial, ocupando todos os que estão aptos ao trabalho, empregando todos desempregados.

Empresas que exigem horas extra devem abrir contratação imediata e quando a produção estiver em baixa a redução de jornada não pode significar redução de salários, que seja reduzido o lucro – a GM, por exemplo, anunciou seu lucro líquido mais que dobrou em comparação com 2015! Os salários a cada mês valem menos, corroídos pela inflação. Uma elevação do salário mínimo é urgente, seguindo os estudos do DIEESE, que aponta média de R$ 3,7 mil para uma família sobreviver com direito a lazer e cultura.

A educação e saúde públicas são cada vez mais deterioradas, com os governos retirando verbas, como fez o golpista Temer. É preciso aumentar o repasse para os serviços básicos, além de investimentos em transporte e moradia. Para arcar com esses gastos é preciso não mais pagar a dívida pública, que consome metade do orçamento público e na verdade já foi paga há anos, persistindo devido ao mecanismo de cobrança de juros sobre juros! Junto dessa resposta operária à crise econômica é preciso uma resposta à crise política, impondo por meio das lutas uma Assembleia Constituinte que acabe com todos os privilégios dessa corja de políticos e juízes mercenários, implementando as medidas elencadas e outras demandas da população que esse regime político podre nunca esteve disposto a encarar de verdade.




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