Educação

EMPRESÁRIA DA EDUCAÇÃO TEM IRMÃO NO GOVERNO BOLSONARO

Empresária da educação, irmã de Paulo Guedes defende universidades fora da alçada do MEC

sábado 3 de novembro| Edição do dia

Elizabeth Guedes é irmã de Paulo Guedes, o conhecido “posto Ipiranga”, ministro da economia ultra-liberal de Bolsonaro, que quer privatizar até o último recurso do Estado e acabar com todo e qualquer direito social dos trabalhadores e do povo pobre no país. Além desse conveniente parentesco, Elizabeth Guedes é vice-presidente da Associação Nacional de Universidades Privadas (Anup), que representa os interesses de grandes monopólios educacionais, como Anhanguera, Estácio, Kroton, Uninove e Pitágoras. Hoje, apoia a transferência das universidades, que Bolsonaro pretende tirar da responsabilidade do MEC e passar para a pasta de Ciência e Tecnologia.

Como defensora do lucro bilionário dos empresários da educação, Elizabeth já defendeu absurdos como Ensino à Distância (EaD) para cursos de saúde, algo feito sob medida para aumentar os lucros, demitindo professores e reduzindo os custos de infra-estrutura às custas de uma formação precária. Segundo Elizabeth, “O setor particular de ensino superior é o que tem mais avançado em qualidade.” Se qualidade é lucro, a empresária está com a razão, pois programas de transferência de recursos públicos para os magnatas da educação privada – como com o ProUni, que tira renda de impostos que poderiam ser investidos na educação pública para gastar três vezes mais por aluno nas instituições privadas que, via de regra, não apresentam sequer estruturas de pesquisa e extensão – fizeram a fortuna dos empresários durante os governos petistas. Não à toa, o maior monopólio educacional do mundo, o Kroton-Anhanguera, é brasileiro.

Perguntada se fará parte do governo, Beth Guedes afirmou que “não é a intenção” e que pretende “continuar militando” (sic) pelo ensino superior privado. Mas, como noticiado pelo site Relatório Reservado, a parceria estreita com o irmão mostra que ela só atua em outra frente.

Ela empregou a filha de Raul Jungmann, ministro da Segurança Pública de Temer, como Gerente de Responsabilidade Social da Anup. Enquanto administra a Anup, seu irmão investiu em fundos de educação da Abril e, agora, Bozano. Há muito lucro a obter aí, e a influência de seu irmão já vem surtindo efeito: agora, Elizabeth conseguiu aprovar com o BNDES e MEC uma receita de R$ 2 bilhões para financiar bolsas a juros mais baixos, provavelmente destinado a alunos de alta renda. Mais dinheiro público para enriquecer esses empresários da educação.

A passagem das universidades públicas para a área de Ciência e Tecnologia, defendida por Bolsonaro e aprovada por Elizabeth Guedes, pode trazer benefícios por diversas vias. Uma das mais evidentes é conseguir liberar mais investimentos na educação básica, que há tempos o setor privado vem ensaiando em abocanhar por meio de captação de recursos do Fundeb. A proposta de ensino básico à distância, outra que foi defendida por Bolsonaro em sua campanha, também pode ser uma mina de ouro para os empresários da educação, que hoje sonham em expandir os negócios para além do nicho do ensino superior. Como não podia deixar de ser, cada movimentação do governo Bolsonaro está amparada por um grande interesse dos milionários capitalistas que o sustentam. Elizabeth Guedes e seu irmão são “parceiros” privilegiados.




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