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Empresa mexicana de cimentos Cemex se coloca a favor do muro fronteiriço

A fabricante de cimentos mexicana Cemex disponibilizaria uma cotização de materiais para a construção do muro fronteiriço proposto pelo governo dos Estados Unidos caso lhe peçam, declarou Rogério Zambrano diretor da empresa mexicana.

quinta-feira 2 de março| Edição do dia

Prover material para que Donald Trump levante o muro, evidentemente não é um assunto polêmico para a multinacional Cemex: seus critérios estão baseados nos lucros como prioridade principal. Caso se concretize a hipotética cotização estariam, nas palavras do próprio diretor da empresa, com "toda a disposição" e "com gosto faríamos" sem considerar à quem.

Atualmente a Cemex conta com U$ 2,84 bilhões de dólares em vendas anuais, sendo suas maiores transações com o mercado da construção civil nos Estados Unidos, onde a mão de obra é quase toda de imigrantes.

Apesar de ter sofrido queda na Bolsa de Valores mexicana com a chegada de Trump ao poder, a Cemex tem se mostrado otimista com suas ações, com o avanço das medidas em torno da construção do muro tem visto esta como uma oportunidade de voltar ao crescimento no mercado especulativo. Além disto, a fabricante de cimentos não deixou de lado o plano de diminuir os investimentos nas plantas localizadas no México, mantendo o foco de mudar suas operações para os Estados Unidos.

Sem dúvida as declarações de Rogelio Zambrano, presidente do Conselho de Admnistração da Cemex, tem uma intenção especulativa que posicione favoravelmente suas finanças. No entanto, não deixa de ser um flerte com o governo dos Estados Unidos, dentro de um mercado que busca se consolidar.

A Cemex está situada ano após ano nas pesquisas entre as dez empresas com maiores lucros dos EUA, com vendas similares as geradas pela Chrysler, General Motors e a Comissão Federal de Eletricidade, estando abaixo de empresas como a Pemex, América Móvil, Walmart e Femsa.

A patronal em prol dos planos capitalistas

Não deve nos surpreender a lógica da fabricante de cimentos. Seus lucros se baseiam em uma exploração de aproximadamente 45 mil trabalhadores e no ano passado realizou demissões em massa. Em um ano e meio a empresa demitiu cerca de 1200 trabalhadores de forma "planificada" para amenizar o escândalo e "se livrar" do orçamento de 100 milhões em salários e direitos trabalhistas. Decisão que implica na imposição de maior produtividade para os que mantém o emprego na companhia. Esta tem sido uma prática constante na empresa.

Existem outras empresas que estariam ansiosas em participar no grande mercado que poderia implicar a construção do muro de Trump, como informou Enrique Escalate do Grupo de Cemento de Chihuahua (GCC) anteriormente.

Enquanto os patrões mostram suas garras a favor do muro, a especulação sobre os custos de tal obra continuam, analistas iniciaram as contas com a cifra de 8 bilhões de dólares, até o valor de 21,8 bilhões estimados pelo Departamento de Segurança Nacional estadunidense. Toda esta especulação também faz parte da política de terror e descriminação contra a comunidade migrante que se desloca para os EUA.




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