DENÚNCIA

Em repúdio às demissões e aumento de mensalidade na PUC-Campinas

Logo após o encerramento das aulas, a PUC-Campinas aumentou as mensalidades e demitiu 5 professores no CCHSA (Humanas), a universidade aplica internamente os ditâmes do “Escola sem Partido” com o intuito de garantir maiores lucros à instituição.

terça-feira 25 de dezembro de 2018| Edição do dia

Dentre os demitidos estão o juiz José Henrique Rodrigues Torres, que em agosto de 2018 foi um dos oradores no STF na Audiência Pública que discutia a descriminalização do aborto, nas suas palavras: “A criminalização do aborto é ineficaz, indônea, simbólica e irracional”. Outro demitido foi o professor Thiago Oliveira, uma de suas últimas atividades foi uma aula pública em que os estudantes negros debateram, teoricamente e na prática, o racismo estrutural, uma das críticas mais apontadas pelos alunos era de que a PUC não dava assistência aos alunos bolsistas, a maioria dos estudantes negros, prezando pela elitização e mercantilização da universidade.

Exatamente ao mesmo tempo as mensalidades foram reajustadas em 6%, o dobro da inflação esperada para esse ano. Como se não bastasse o corte ideológico promovido pela universidade, a PUC adianta o “Escola sem Partido” mostrando que a promoção de um pensamento “sem partido” está em função de aumentar a elitização e os lucros na educação, para isso, pautas de gênero ou raciais devem ser suprimidas porque necessariamente se chocam com a perspectiva daqueles que lucram com a educação. É com o véu do “conservadorismo” que setores ligados às Igrejas e aos monopólios da educação tentam desde o golpe reformar a educação, tanto em sua estrutura quanto no currículo. Desde o golpe e agora com o futuro governo Bolsonaro essa perspectiva vem se aprofundando e tem encenado “show de horrores” em votações grotescas como o “Escola sem Partido” em Campinas.

Recentemente, tivemos o adiamento da votação do projeto de lei do “Escola sem Partido” na Câmara Federal, como o Esquerda Diário noticiou aqui. Colocamos que “Se, por um lado, agora o alerta se comprova, do ponto de vista de uma importante derrota na Câmara, também se comprova a imperiosa necessidade em avançar na preparação de um grande combate, que impeça qualquer retorno desse projeto reacionário e também consiga impor uma derrota aos planos de Bolsonaro e dos golpistas de conjunto contra a educação e a classe trabalhadora. Para isso, a força dos professores organizados em cada escola e da juventude em unidade será fator fundamental. “

As demissões na PUC-Campinas demonstram que é necessário combater esse projeto, por isso acreditamos que é fundamental a união entre professores e estudantes. A APROPUC e as entidades estudantis tem que chamar reuniões conjuntas em que todos professores e estudantes possam opinar e organizar um plano de luta contra esses ataques na universidade, não podemos deixar que o próximo ano letivo se inicie sem escandalizar as demissões, o aumento de mensalidade e o projeto por trás. Desde a Faísca nos solidarizamos com os demitidos e estaremos juntos aos estudantes e professores para combater esse projeto nefasto.




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