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RIO DE JANEIRO

Em projeto de cercadinho, Crivella e Rappi se unem para reabrir praias e lucrar com pandemia

Em sua saga de bizarrices e absurdos, a Prefeitura de Crivella irá fazer cercadinhos nas praias do Rio de Janeiro que poderão ser reservados por aplicativos. Eles serão operados pela Rappi, especialista em precarizar trabalho, e pela Mude, que já explora estações de equipamentos de esporte pela cidade.

sexta-feira 14 de agosto| Edição do dia

Segundo fontes ouvidas pelo jornal O Globo, a ideia da Prefeitura de fazer cercadinhos nas praias da cidade será posta em prática pela iniciativa privada. Os cercadinhos serão operados pela Rappi, aplicativo de entregas e que precariza enormemente o trabalho de seus milhares de entregadores pelo país, e a Mude, empresa que dá aulas de yoga ao ar livre e tem equipamentos de esporte pela cidade, onde explora publicidade.

Em um primeiro momento, serão 1500 cercadinhos em Copacabana, como um teste. Cada um terá 6 metros quadrados e poderá acomodar até 5 pessoas. Ou seja, a própria “regra de ouro” da Prefeitura de que cada pessoa deve ficar a 2 metros de distância uma da outra foi para o espaço. 70% dos cercadinhos serão utilizados por ordem de chegada e os outros 30% serão reservados por meio de um aplicativo, onde a Rappi e a Mude poderão fazer anúncios. Além disso, as faixas demarcando cada cercadinho terão as cores das empresas, que também irão incentivar as pessoas na praia a fazer pedidos na Rappi.

Sob a desculpa de tornar as praias um lugar mais “seguro” durante a pandemia, mesmo que o combate a própria Prefeitura faça nada ou pouco para verdadeiramente combater a pandemia, como mostramos aqui, Crivella irá utilizar a Guarda Municipal para reprimir quem quebrar as regras dos cercadinhos, enquanto transforma a Praia de Copacabana em um enorme banner de publicidade da Rappi e da Mude. Não há nenhum interesse em garantir segurança por parte da Prefeitura, mas apenas em ampliar os lucros destas empresas.

Devemos lutar por um verdadeiro combate à pandemia, com testes massivos, com comissões de trabalhadores que possam garantir a segurança e a higiene em todos os locais que estão funcionando e não com estas medidas falsas, que privatizam espaços públicos para favorecer empresas e não resolvem nenhuma questão.




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