Mundo Operário

1 DE MAIO

Em meio à repressão no Paraná um primeiro de maio contra Dilma e os ajustes

Hoje ocorrerão em várias cidades atos do dia dos trabalhadores. Estas manifestações terão configurações diferentes. Com a CUT cedendo à esquerda em alguns locais, na maioria o inverso. Em SP, serão dois atos separados. Os desafios aos trabalhadores, no entanto, são os mesmos em todo o país.

sexta-feira 1º de maio de 2015| Edição do dia

Este 1º de Maio acontece depois da selvagem repressão do governo Beto Richa no Paraná contra os professores e outras categorias em greve, que escandalizou o país.

Como se não bastasse os fortes ataques aos direitos trabalhistas, e as ameaças de um salto na precarização do trabalho e nas demissões, o governador paranaense parece querer iniciar uma escalada de brutalidade contra as próximas lutas da classe trabalhadora.

Mas a violência desse governo tucano é só uma expressão mais truculenta das medidas que o também tucano Geraldo Alckmin tem adotado em São Paulo. Total intransigência frente às reivindicações dos professores, e repressão para tentar vencer a greve pelo desgaste.

Na verdade, o conteúdo fundamental dessa política vem ditado pelo governo federal do PT, com seus vários ataques aos direitos trabalhistas e seu assombroso corte, de mais de 7 bilhões, no orçamento da Educação.

A CUT faz jogo de cena, mas segue mais preocupada em defender o governo Dilma do que em lutar

Se por um lado a CUT vem tentando reverter o desgaste do PT aproveitando a questão do repúdio operário e popular ao PL 4330, ao mesmo tempo essa Central governista (assim como a CTB, ligada ao PCdoB) não leva até o final nem sequer a luta contra essa lei reacionária.

No entanto, a CUT, maior central sindical do país, com seus milhares de sindicatos, não foi capaz sequer de fazer uma paralisação nacional contundente no dia 15/4, apesar da disposição que havia nas bases para parar.

Agora no 1º de Maio, a CUT convoca seu tradicional ato no Vale do Anhangabaú com o mote “Em defesa dos direitos, da democracia, da Petrobrás e da reforma política”. Para bom entendedor, bandeiras escolhidas sob medida para seguir na política que a Central vem adotando há tempos: e combinar demandas justas da classe trabalhadora, com seu interesse maior que é a blindagem do governo Dilma. Essa postura ficou totalmente clara depois que os representantes da CUT ameaçaram setores da esquerda, ligados à CSP-Conlutas e à Intersindical, de que “não tolerariam críticas ao governo Dilma no ato”.

Enquanto Dilma se vê obrigada a cancelar seu pronunciamento na TV neste 1º de maio (rompendo uma “tradição” iniciada por Lula em 2003), por não ter simplesmente nada de positivo para dizer aos trabalhadores brasileiros – a CUT, CTB e os movimentos sociais que consegue arrastar (incluindo o MTST de Guilherme Boulos) impedem que o dia internacional dos trabalhadores sirva para armar as lutas contra os ataques do governo.

Em São Paulo, Esquerda antigovernista se reúne na Praça da Sé

A CSP-Conlutas, que está entre os convocantes do ato da Praça da Sé, chama os “trabalhadores de todo país à luta contra a terceirização e em defesa de direitos, rumo à greve geral”.

De fato, a situação atual abre um novo espaço para a esquerda antigovernista, através da combinação entre uma política de “frente única” contra os ataques aos trabalhadores, e de denúncia dos compromissos com os governos e setores patronais que fazem com que essas Centrais, a começar da CUT, não organizem uma luta séria.

Além dos professores, parte dos setores mais organizados da classe trabalhadora vem mostrando uma enorme disposição de luta diante dos ataques patronais, como vimos nas greves da Mercedes Benz e da Volks em São Bernardo do Campo, base da CUT, assim como a da GM de São José, dirigida pela CSP-Conlutas.

Mas para que esse potencial se desenvolva até uma verdadeira paralisação ou greve nacional para barrar os ataques, a esquerda organizada na CSP-Conlutas, na Intersindical e demais organizações que se colocam como oposição à esquerda do governo, tem que começar por reunir todas as forças de vanguarda, organizando seriamente assembleias e plenárias regionais nas bases dos sindicatos e oposições sindicais dirigidos e influenciados pela esquerda antigovernista, ligando as lutas próprias de cada categoria à luta nacional contra os ataques do governo. Isto começa por coordenar a solidariedade as greves de professores em curso em todo o país!

O movimento Nossa Classe e o MRT irão ao ato na Praça da Sé, levando as bandeiras de apoio às greves dos professores; contra o PL 4330 e a terceirização, contra todos ajustes de Dilma e dos governos estaduais; pelo salário mínimo calculado pelo DIEESE (R$ 3.186,92) para todas as categorias; e pela luta para que todo político ou funcionário público de alto escalão ganhe o mesmo que um professor.

O movimento entende que é necessário unificar as greves de professores e todas as lutas em curso. A força das lutas dos professores pode ser uma alavanca para nacionalizar a luta contra o PL 4330, contra os MPs 664 e 665, e contra os cortes no orçamento.




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