Economia

REBAIXAMENTO SALARIAL

Em meio a crise, patrões roubam nossos salários!

Enquanto a crise politica segue “devorando reputações”, a crise econômica devora os empregos e a patronal devora os salários. O grave cenário que buscamos mostrar nesse texto é fruto direto da ganancia capitalista, que tem descarregado sobre nossas costas a crise que criaram, sempre favorecidos pela “administração pública”, seguem desestruturando a vida de milhões de famílias operárias todos os dias. O rebaixamento salarial é sentido em cada passo, em cada ida ao mercado, cada refeição a menos, e tem responsáveis diretos, que se chamam patrões e governos.

Evandro Nogueira

São José dos Campos

segunda-feira 6 de junho de 2016| Edição do dia

Grave queda no rendimento dos trabalhadores

A mesma PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), que comentamos aqui há uma semana, nos mostra como entre janeiro e abril de 2015 o rendimento médio dos trabalhadores no país que era de R$ 2.030, em 2016 já caiu para R$ 1.962, o que significa queda de 3,3%. Considerando que no período de janeiro de 2015 a abril de 2016 o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) apontou um aumento de 9,34% no Índice de Custo de Vida (ICV), temos uma queda do poder de compra dos trabalhadores por volta de 12,6%!

Outro elemento importante para vermos como a patronal tem aumentado a exploração, a despeito de qualquer crise, é considerar a desvalorização do real em relação ao dólar. Na prática isso significa que as empresas exportadoras, que recebem em dólar pela venda das suas mercadorias, possam pagar salários proporcionalmente mais baratos, já que os salários são calculados em reais. Em números temos que o rendimento médio de abril de 2015, R$ 2.030, na cotação em dólar da época correspondia a US$ 673, enquanto que o rendimento médio desse ano, R$ 1.962, em dólares corresponde a US$ 570, o que significa uma queda de 15,3%!

É preciso considerar ainda que esse cálculo de rendimento médio não expressa exatamente a realidade da maioria dos trabalhadores, principalmente do enorme e crescente contingente de precários, pois entra na conta da “média” os super salários de funcionários de elite das empresas, assim como de altos burocratas do Estado, como os ministros do STF, que acabam de receber aumento de 16,5%, passando a receber salários de quase R$ 40 mil! Esse cenário de rebaixamento salarial é fruto direito da política que vinha aplicando o governo petista com medidas como o corte do seguro desemprego, por exemplo, o que força aos trabalhadores demitidos buscarem realocações mais rápidas, inclusive aceitando receber menos.

O gráfico abaixo mostra como a queda da remuneração real média dos trabalhadores é muito maior do que a queda na produtividade industrial, além do que mesmo nos períodos em que houve recuperação de produtividade a trajetória da queda de rendimentos (na sua maior parte durante o governo Dilma) se manteve constante.

Exportação de produtos industriais segue projeção de crescimento

As grandes montadoras de automóveis, por exemplo, que temos denunciado aqui que seguem ameaçando milhares de trabalhadores com demissões em massa, de janeiro a maio desse ano tiveram alta de 21,8% nas exportações de veículos em relação ao mesmo período do ano passado e em abril o crescimento foi de 23,9%. Em fevereiro a alta chegou a 51%, “No início do ano estimamos um crescimento de 8% no setor, que é um número totalmente conservador. Esperamos algo bem melhor que isso, na realidade", disse o presidente da ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Moan. Ainda segundo ele, para o México as exportações aumentaram 94%, para o Chile 147% e para o Peru avançaram 72%. Além disso o Irã tem negociado com as montadoras instaladas no Brasil um “mega pacote” de cerca de R$ 5 bilhões, sendo cerca de 100 mil carros, 65 mil caminhões e 17 mil ônibus.

A Região Metropolitana do Vale do Paraíba, interior de SP, por exemplo, exportou R$ 8,9 bilhões no primeiro quadrimestre de 2016, crescimento de 27% em relação ao mesmo período de 2015. Apenas São José dos Campos concentra 53,1% do total vendido pelas empresas da região ao exterior, ficando na quarta colocação entre os municípios brasileiros que mais exportaram entre janeiro e abril. Lideram a lista São Paulo, Paranaguá (PR) e Rio de Janeiro. O saldo da balança comercial de São José é o melhor resultado desde 2010.

Além de denunciar o golpismo nas palavras, o 10J deveria ser um exemplo de fortes ações operárias levantando um programa operário contra a crise!

O cenário composto pelo recorde de desemprego no país, que já é admitido pela maioria dos analistas que chegará aos 12% em pouco tempo, a desvalorização do real e o crescimento das exportações, alta da inflação e a queda significativa da renda do conjunto dos trabalhadores, é uma situação preparada pelo governo Dilma e agora conduzida por Temer. Os administradores do Estado nada mais são que administradores auxiliares dos negócios dos grandes capitalistas, como já disseram Marx e Engels no clássico Manifesto do Partido Comunista, isso é um pouco do que tentamos demonstrar nesse texto.

Para inverter esse cenário os trabalhadores brasileiros precisam se inspirar em seus irmãos de classe franceses que tem feitos fortes greves contra a reforma trabalhista, assim como se apoiarem na juventude, que tem protagonizado importantes lutas em defesa da educação. As lutas operárias em curso, como a ocupação da Karmann-Ghia, autopeças em São Bernardo do Campo (SP), precisam ser cercadas de solidariedade, mas é preciso ir além e defender um programa operário contra a crise: lutando para acabar com a terceirização, que retira direitos e permite rebaixar ainda mais os salários; proibir as demissões, pois com o aumento do desemprego a patronal faz mais chantagem e impõe reajustes salariais cada vez mais baixos; impor que os salários sejam reajustados a cada mês de acordo com a inflação; redução de jornadas sem redução de salários e sem subsídios à patronal; que o salário mínimo seja de acordo com o calculado pelo DIEESE, que em maio ficou em R$ 3.777,93; toda empresa que alegar crise tenha que mostrar sua contabilidade e quando for comprovada a falência que seja expropriada e estatizada sem indenização, produzindo sob controle dos trabalhadores!

As manifestações convocadas para o próximo dia 10 pela CUT e CTB deveriam ser um exemplo de lutas operárias com esse programa, pois de nada adiantaria combater o golpista Temer e seguir com a mesma política que essas centrais tinham durante os governos do PT, cumprindo papel de agentes dos ataques aos direitos dos trabalhadores. Como temos denunciado no Esquerda Diário, até agora a CUT e a CTB não demonstraram disposição real de combater o golpe nas ruas, com os métodos de luta da classe operária. Nós do Movimento Revolucionário de Trabalhadores vamos compor esse ato junto aos jovens da Faísca e trabalhadores do Movimento Nossa Classe, que nesse momento participam das fortes greves nas universidades de SP, para levantar esse programa, para que a crise seja de fato paga pelos capitalistas!




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