Em frangalhos, PSDB decide neutralidade no segundo turno

Tucanos decidem se manter neutros diante do reacionário Bolsonaro e deixam claro seu esfacelamento com discussão entre Alckmin e seu ex-pupilo Doria.

quarta-feira 10 de outubro| Edição do dia

O PSDB realizou nesta terça-feira, 9, uma reunião de sua direção nacional em Brasília e deliberou, em reunião marcada pelo nervosismo, que não irá se posicionar acerca do segundo turno para presidente, mostrando que todo o discurso de Alckmin a favor da democracia no primeiro turno não passava de oportunismo eleitoral.

Apesar da suposta neutralidade, muitos tucanos já afirmaram publicamente que irão apoiar o arqui-reacionário Jair Bolsonaro no segundo turno, com João Doria a frente desse movimento, que anunciou apoio a Bolsonaro ainda no domingo.

O desejo de boa parte dos líderes do PSDB em apoiar Bolsonaro já fez com que a campanha presidencial do Alckmin fosse muito mais débil do que se esperava, com diversos lideres tucanos regionais se recusando a participar de eventos eleitorais com Alckmin e Doria também foi um dos principais nomes a não dar apoio direto ao candidato de seu partido.

Essas fissuras, somadas à espetacular derrota nas eleições de domingo, se consolidaram sofridamente explícito na reunião tucana de hoje, com Alckmin atacando seu apadrinhado.

Segundo áudios obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, Doria disse que o PSDB devia fazer uma auto avaliação acerca da fragorosa derrota sofrida nas eleições quando Alckmin o interrompe para dizer que "traidor eu não sou". Em seguida, uma voz abafada, que pode ser de Alckmin também, continua: "nem falso". No inicio da reunião Alckmin já havia manifestado seu desconforto ao recusar uma salva de palmas solicitada por Doria.

Sem pudor de deixar explicito seu afastamento de seu ex-padrinho, Doria ainda ironizou Alckmin afirmando que "depois de uma derrota inesperada, isso abala emocionalmente, gera sofrimento pessoal".

Por trás do conflito entre Doria e Alckmin está a disputa pelo futuro do PSDB e se esse ainda vai se manter fiel ao projeto de democracia neoliberal de FHC e da "velha guarda" tucana ou se irá ceder ao irracionalismo hidrofóbico de Bolsonaro e de boa parte dos novos quadros partidários do PSDB, formados no apoio ao golpe institucional de 2016.




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