Gênero e sexualidade

METRÔ

Em ano com recorde de denúncia de assédios, Metrô de SP nega subcomissão de proteção às mulheres

Após conquista na CIPA da linha 1-Azul, proposta de abertura imediata de subcomissão da CIPA para tratar de saúde e proteção às mulheres é negada nas reuniões das linhas 2-Verde e 3-Vermelha do Metrô.

Daphnae Helena

Cipista da Linha 3 - Vermelha do Metrô de SP e trabalhadora da estação Sé

sábado 5 de dezembro de 2015| Edição do dia

Esta semana ocorreram as primeiras reuniões das novas CIPAs eleitas nas linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha do Metrô de SP. A grande inovação das gestões que iniciaram foi a proposta feita pela bancada de trabalhadores eleitos da formação de uma nova subcomissão de "saúde e proteção às mulheres".

Na última terça-feira, durante a primeira reunião da Linha 1- Azul, essa proposta foi apresentada pelos eleitos do Metroviários pela Base e abraçada por toda a bancada de trabalhadores que defenderam conjuntamente a ideia para a bancada da empresa. Os trabalhadores conquistaram essa subcomissão depois de intensa discussão e do Metrô apresentar resistência tentando secundarizar a questão e dizendo que os temas referentes às mulheres poderiam ser abordados em outras subcomissões.

Esta é uma grande conquista dos trabalhadores, particularmente, das mulheres metroviárias, jovens cidadãs, terceirizadas e usuárias que agora contarão com um canal de diálogo aberto para denunciar os casos de assédio que sofrem e ajudar nos casos de acidentes.

No entanto, apesar do precedente aberto por essa reunião, que foi a primeira das reuniões das três CIPAs, a bancada da empresa negou o pedido de abertura imediata da subcomissão de "saúde e proteção à mulher" nas linhas 2-Verde e 3-Vermelha, sob a alegação de que seria necessário mais tempo para refletir os objetivos da mesma.

Na reunião da Linha 3 - Vermelha, depois de muitos argumentos "técnicos", que na verdade refletiam a posição política da empresa (como o número de trabalhadores que participariam de cada subcomissão, a quantidade de trabalho que demandado em outras subcomissões, e até mesmo o absurdo de que depois de se criar essa com o tema de mulheres, teria que se criar uma para cada "minoria" na empresa), ficou decidido que essa questão será abordada novamente na próxima reunião ordinária da CIPA. Esse encaminhamento foi o aprovado também na Linha 2-Verde.

O tema da violência contra a mulher é capa dos jornais, revistas e fonte de diversas denúncias pelas redes sociais na internet. A questão dos abusos e assédios às usuárias nos trens superlotados do Metrô de São Paulo também vêm atingindo a mídia e sendo fonte de muitos protestos do movimento de mulheres desde o começo do ano.

De acordo com os próprios dados fornecidos pela empresa, o número de denúncias de assédio cresceu 62% desde o ano passado. No entanto, o número absoluto ainda é muito baixo: foram 87 mensagens de texto enviadas por celular. É sabido que a grande maioria das passageiras que passam por essa violência não chegam nem a comunicar o funcionário ou a empresa via SMS, fato que reforça a importância do tema no Metrô.

O próprio Metrô de São Paulo possui somente 20% de mulheres metroviárias, aproximadamente, e nas áreas operacionais da empresa, como estação, tráfego e segurança, esse número reduz ainda mais. Por outro lado, a presença de mulheres é majoritária quando estamos falando daquelas que realizam a limpeza das estações e áreas internas, que são funcionárias terceirizadas da limpeza, cujo trabalho é pesado e precário. Exatamente por isso, são necessárias medidas como essas para que venha a tona os casos de assédio que essas trabalhadoras sofrem, sejam eles assédio moral ou assédio sexual.

Essa conquista na CIPA da Linha 1-Azul tem que ser apoiada e reivindicada pelo Sindicato dos Metroviários para que possamos, num trabalho conjunto entre CIPA e Sindicato, conquistar também essa subcomissão nas CIPAs das outras linhas. O tema do assédio às mulheres é bastante delicado e é de fundamental importância que a Secretaria de Mulheres do Sindicato dos Metroviários se coloque a frente, junto com a CIPA, para organizar campanhas na categoria e incentivar esse debate.




Tópicos relacionados

Mulher   /    Metrô   /    Gênero e sexualidade   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar