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REVOLTA

Em Vitória, parentes cobram justiça pelo assassinato de dois trabalhadores

terça-feira 27 de março| Edição do dia

Na madrugada deste domingo (25), mais uma barbárie contra a juventude negra. Dois jovens irmãos, Ruan Reis, de 19 anos, e Damião Marcos Reis, de 22, foram brutalmente executados no Morro da Piedade em Vitória, ES.

Segundo testemunhas, quatro homens entraram no quintal da casa dos dois irmãos e encontraram Ruan primeiro. Chamaram Ruan para um interrogatório, mas assim que Damião saiu da casa para tentar impedir que seu irmão mais novo fosse levado, foi assassinado. Foram encontradas 22 marcas de tiros no corpo de Ruan, 20 no corpo de Damião e mais de 60 cápsulas foram recolhidas do local. Os quatro homens imitavam o linguajar de policiais, mas não estavam fardados, vestiam preto e estavam encapuzados, ainda segundo as testemunhas.

Os moradores relatam que os irmãos eram muito queridos na comunidade, eram sambistas, atuavam em ações coletivas sociais, preocupados com a questão social e membros de uma das famílias mais tradicionais da Piedade. Ruan havia acabado de concluir o ensino médio, atuava em um projeto social e era apaixonado por capoeira. Damião era pedreiro, estudava para passar num concurso público, dava aulas de capoeira para crianças em um projeto social e era passista da escola de samba Unidos da Piedade. Foi assassinado no dia em que seu filho completava um ano de idade. A mãe das vítimas, dilacerada com a dor, precisou ser socorrida e levada para o Pronto-Atendimento da Praia do Suá.

Na tarde de hoje, os moradores manifestaram nas ruas do Centro de Vitória, sua dor e indignação pela injustiça aos irmãos e defenderam a inocência das vítimas.

As barbáries do genocídio da juventude negra estão escancaradas, na morte de Marielle e Anderson, na morte dos cinco jovens assassinados em condomínio de Maricá (RJ) - também nesse domingo - nas mortes pela Intervenção Militar no Rio de Janeiro, na morte dos dois irmãos Ruan e Damião, dois jovens, negros, pobres, sem antecedentes criminais que ecoam a dor da injustiça, tristeza e sangue pelo Morro da Piedade. Precisamos resistir cada vez mais e fazer a voz de todos eles serem ouvidas nas ruas. Precisamos responder a esses ataques nas ruas. Basta de extermínio da nossa juventude negra.




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