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21 dias contra o racismo em Marília

Em Marília militantes negras e negros organizam Jornada de Combate ao Racismo

Na cidade de Marília militantes negras e negros organizam debates em escolas para discutir racismo, genocídio e encarceramento da população negra e como os ataques articulados pelo governo golpista de Temer atingem sobretudo a população negra.

quarta-feira 22 de março de 2017| Edição do dia

Como parte da jornada de 21 dias de combate ao racismo, uma iniciativa impulsionada por algumas entidades, setores da esquerda e do movimento negro, e pelo MRT, no dia 14 de março a equipe organizadora do Slam Subterrâneo participou do Recreio Cultural na escola Oracina Correa de Moraes Rondine, intervindo com poesias juntamente com estudantes da própria escola e convidando os estudantes para participar do Slam que acontecerá na praça da biblioteca municipal às 16:00h no dia 26 de março. Logo após passaram nas salas de aula fazendo uma discussão sobre o racismo e repressão a população negra. Também discutiram sobre a reforma da previdência e o quanto esse conjunto de ataques dos patrões e seus governos aos trabalhadores atinge sobretudo a população negra que já representa o setor mais precarizado da classe trabalhadora, com os menores salários, piores condições de trabalho e contratos flexíveis sendo a maior parte entre os trabalhadores terceirizados.

Ao longo da atividade estudantes da escola e integrantes da equipe de organização do Slam tiraram fotos denunciando a situação das merendeiras das escolas estaduais de Marília, que são trabalhadoras terceirizadas e estavam com seus salários atrasados e sem previsão de pagamento, tendo que ir trabalhar sem receber, sendo um exemplo prático do papel que o racismo e o machismo cumpre para aumentar os lucros dos burgueses no capitalismo, já que a categoria é formada por uma maioria de mulheres e negras.

No dia 20 de março o debate foi durante as aulas de combate às opressões do CAUM (Cursinho Alternativo da Unesp de Marília) e girou em torno da necessidade que o Estado capitalista tem de reprimir a população negra, partindo da repressão aos manifestantes que lutavam contra o apartheid em 1960 na África do Sul, passando pelo genocídio e encarceramento dos negros nos Estados Unidos e no Brasil, e pela criminalização e marginalização do hip-hop e outras expressões da cultura e estética negra, para a manutenção do próprio capitalismo que se constrói em cima do sangue dos negros no mundo todo e tem no racismo uma das bases estruturais da sua manutenção. Foi ressaltado também exemplos históricos em que a população negra se organizou para lutar contra o racismo e esse sistema de exploração, mostrando que ao contrário do que nos contam os livros e a escola, a história dos negros no mundo inteiro está cheia de exemplos do qual devemos aprender e nos inspirar para lutar contra o racismo, a terceirização e todas essas reformas que vem para tornar mais difícil as condições de vida dos setores explorados e oprimidos.

Além do debate teve espaço para poesias e para divulgação do Slam. Ao longo da semana ainda ocorrerá outros debates em escolas pública, discussão, oficinas e batalha de poesias no Slam Subterrâneo e as atividades da jornada de combate ao racismo se encerra com a participação no evento Quartas Intenções dia 29 de março no Espaço Cultural.




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