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Elsa, estudante de Paris 1: "Na frança emergiu uma nova geração de juventude combativa"

Elsa, estudante de Paris 1 e ex porta-voz da coordenação estudantil na luta contra a reforma trabalhista analisa as características da vanguarda jovem francesa e os desafios.

terça-feira 19 de julho de 2016| Edição do dia

"A luta de classes na França" se intitulou o bate-papo de encerramento da jornada da sexta-feira na Escola internacionalista da rede de diários de La Izquierda Diário na Europa. Com as intervenções de Elsa, estudante de Paris 1, Vincent Duse, delegado de CGT na Peugeot Mulhouse e Juan Chingo pela direção de CCR se debateu sobre a situação francesa e as perspectivas para a juventude e os trabalhadores. Reproduzimos a continuação da intervenção de Elsa.

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Toda a delegação francesa está muito contente de estar nesta universidade de verão para compartilhar a experiência de luta de classes tão intensa que vivemos nos últimos quatro meses na França. Sobre tudo, na medida que era um grande desafio para uma organização jovem que havia se formado em tempos de paz.

Creio que é importante insistir que a partir de 9 de março surgiu um movimento desde o princípio muito político que se baseava no slogan que dizia ’valemos mais que isto’, mais que a precariedade e a lei de reforma laboral.

A juventude se rebelou rapidamente como um dos atores principais, um setor que saiu para lutar com muita determinação. Foi uma surpresa importante para todos porque o estado do movimento estudantil não era muito bom antes, desde 2010 não passava nada, atravessamos fases políticas difíceis como o estado de emergência, sem conseguir mobilizar amplamente e nós mesmos fomos surpreendidos por esta mudança importante.

As primeiras assembleias gerais que se aconteceram nas universidades, em Paris 1 e Parsi 8, reuniram mais de 500 pessoas, algo que nunca se havia visto até então.

Desde a CCR julgamos um papel importante na preparação da mobilização, utilizando o chamado que surgiu nas redes sociais e desde o NPA, chamando a uma política de frente única para converter o 9 de março em uma data de verdadeira mobilização nacional, uma convocatória a que se somaram as organizações da juventude, que exigiram que se somassem as organizações sindicais. Esta foi a primeira faísca do movimento.

Tentamos desenvolver a auto-organização, com a proposta de criar organizações regionais e estatais de coordenação. Para coordenar e preparar um plano de batalha em comum para todas as universidades, para criar uma direção alternativa para o movimento, para dar uma direção ao movimento quando as direções reformistas decidirem freia-lo.

Também pensamos em como desenrolar uma política de exigência as direções sindicais, por exemplo propusemos votar que os estudantes fossem ao congresso da CGT para encontrar Philippe Martinez da CGT para perguntar-lhe por que não chamava uma greve geral indefinida.

As coordenações nacionais de estudantes e a auto-organização eram políticas fundamentais para construir a "unidade" entre trabalhadores e estudantes.

A política das direções sindicais foi tratar de impedir que a juventude e os trabalhadores se encontrassem mobilizados ao mesmo tempo para golpear juntos. Durante toda a primeira fase do movimento, quando a juventude estava na vanguarda, estávamos sozinhos, porque a CGT só chamava uma data de mobilização por mês, não chamava uma greve geral indefinida e lava as mãos sobre a questão da repressão policial, quando milhares de estudantes eram reprimidos nas ruas.

A questão da auto-organização foi algo pelo que militamos muito e representou uma experiência política avançada, ainda que com limites, que se encarava no feito de que o movimento nunca se massificou, sempre se limitou a uma vanguarda ampla.

A segunda fase da mobilização se abriu a partir de meados de abril, quando a classe operária entrou em cena. Houve greve em vários locais estratégicos, 7 refinarias, os trabalhadores ferroviários, os portuários de Le Havre, os trabalhadores da coleta de lixo, etc.

No momento em que se colocaram em luta os trabalhadores das universidades já estavam entrando em recesso, o movimento da juventude retrocedendo. Ainda que a raiva e a determinação se reativou.

O que tentamos fazer a partir das coordenações era desenrolar um programa de apoio ativo as greves. Um exemplo: para os trabalhadores ferroviários de algumas estações parisienses, lançamos uma campanha de apoio tanto financeira com fundos de greve, como um apoio político e moral, estando presente nos piquetes. Contra a propaganda midiática que dizia que eram greves esvaziadas, mostrávamos que estavam apoiados pela juventude e os ferroviários agradeciam todo o apoio. Com campanhas entre os usuários e ações de solidariedade.

O movimento deu lugar a uma vanguarda muito militante determinada, com comitês de mobilização muito numerosos, com muitas ideias, energia e elementos idelógicos radicais. É toda uma geração que rompe com o partido socialista e mais ainda, que ao redor da questão da repressão fez uma experiência política muito forte nas ruas. Algo igual que fez a experiência pelo 49,3 decretando que Hollande permitiu impor a reforma laboral por cima do parlamento.

Esta nova geração identificou claramente o giro bonapartista e liberticida do governo de Hollande e a natureza repressiva deste estado. Em poucas semanas trocaram os slogans nas manfestações té terminarem dizendo "todo o mundo detesta a polícia".

Havia uma aspiração forte para a construção da "unidade", uma vontade sincera de romper com o corporativismo.

Tem sido uma experiência que nos permite prepararmos para os novos ataques que nos esperam no futuro, porque esta reforma trabalhista é só o começo do que pretende aplicar a burguesia. E é um desafio reforçar os bastiões revolucionários neste contexto.

Estamos em uma época na Europa em que vemos o crescimento de ideias reacionárias e a emergência de uma nova vanguarda abra um novo ciclo de enfrentamentos. Porém, pensamos que não deve terminar sendo capitalizadas por organizações reformistas, como Podemos ou Syriza. Estas experiências devem servir para prepararmos as próximas batalhas sendo mais numerosos, mais determinados e mais conscientes. E esta universidade de verão cumpre um papel fundamental para este objetivo , intercambiar, criticar, compreender, etc. para preparas as tarefas na Europa como Fração Trotskista.




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