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Eleições violentas no México: mais de 130 candidatos assassinados

quinta-feira 28 de junho| Edição do dia

Tradução: Chico Nery

Nos próximos dias, será realizada no México uma jornada eleitoral que se destaca pela expectativa nacional e internacional em torno dela, já que são mais de 100 os relatos de candidatos assassinados desde o final do ano passado. De setembro até o ultimo 25 de junho, são contabilizados 130 mortos, incluindo 48 pré-candidatos que não chegaram a ver confirmadas sua candidatura no Instituto Nacional Eleitoral(INE). Outros levantamentos registram, no mesmo período, um total de 140 políticos assassinados.

Este ano, será a maior renovação de cargos em uma única eleição mexicana. Além da eleição presidencial, se renovam 8 governos estaduais, 628 vagas no Congresso Federal, 16 prefeituras e 1596 cargos locais.
Segundo a consultora Etellekt, são 351 funcionários que foram vítimas de crimes, assim como 543 agressões em todo o país contra políticos. Dos 48 pré-candidatos assassinados, 37 deles aspiravam a um posto municipal, 10 a cargos estaduais e somente um ao cargo de deputado federal.

As agressões se concentram nas zonas militarizadas

A distribuição de agressões se deu pelo país:
- Região central: nos estados de Puebla, Estado do Méximo de Guanajuato
- Região sul: Oaxaca, Guerrero e Quintana Roo na península de Yucatán
- Região ocidental: Jalisco, Colima e Michoacán
- Região norte: Sinaloa, Chihuahua, San Luis Potosí e Coahuila

Nesses estados, a maioria sofreu a consequência da chamada guerra contra o narcotráfico e a militarização. Jalisco é o centro de operações do Cartel de Jalisco Nova Geração. Michoacán também foi vítima deste fenômeno, sendo também base do cartel da Família Michoacana e que em 2014 viu o surgimento de autodefesa dos cultivadores que se opunham a cobrança das taxas por parte do grupo.

Guerrero encabeça a lista dos estados aonde foi registrado o maior número de assassinatos políticos, seguido por Michoacán, Oaxaca e Puebla.

O estado de Guerro também viu a penetração do crime organizado. Em 2014 também ficou comprovada a participação de dois carteis da região no desaparecimento de 43 estudantes de Ayotzinapa, além da participação direta do exército mexicano.

No caso da região norte, se os estados citados acima informam até o último dia 25 “somente” um assassinato em cada um, Sinaloa era a base do cartel do Pacífico, cujo líder, o famoso “Chapo” Guzman, foi preso durante o governo Peña Nieto. Chihuahua, no começo da década encabeçava os números de desaparecidos e assassinados na guerra contra o narcotráfico ainda na administração de Felipa Calderón.

Quintana Roo teve noticiado “apenas” atividades de bandos do narcotráfico; sua importância turística até agora, a salvou de se converter em uma nova Acapulco(em que enfrentamentos com as forças de segurança ocorriam em plena luz do dia). No caso do Estado do México, encabeça os números de feminicídios no país.

A maioria dos assassinatos de pré-candidatos ocorreram contra membros do Partido Revolucionário Institucional(PRI) e seus companheiros de coalizão, o Partido Verde(PVEM) e o Partido Nova Aliança(PANAL), com 14 crimes. Os outros 21 são contra a coalizão de direita “Pelo México a Frente”, integrada pela ultradireita do Partido da Ação Nacional(PAN), a centro-esquerda do Partido da Revolução Democrática(PRD) e do Movimento Cidadão(MC). A coalizão “Juntos Faremos História”, composta pelo Movimento da Regeneração Nacional(MORENA), o Partido do Trabalho(PT) e o Partido Encontro Social(PES) somam 8, além de 3 candidatos independentes assassinados.

Nas ultimas eleições presidências, também foi relatado agressões do crime organizado nos locais de votação, assim como intimidação de voto em favor de alguns partidos.

O governo e as autoridades eleitorais optaram por encarar essa situação através do uso das forças armadas. A nível nacional, os governos locais, organismo eleitorais e de inteligência, como o Centro de Investigação e Segurança Nacional(CISEN), atuarão em conjunto.

A violência exacerbada nesse processo é um sintoma a mais do estado de decomposição social e da democracia dos de cima, em que a crise dos partidos tradicionais(PRI, PAN, PRD), uma crise de longa duração, também se expressa nesses crimes, em que a agressão se presume que venha por parte do crime organizado, o mesmo com quem se estabeleceu alianças durante muitos anos e que nesse processo é mais um ator.




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