Educação

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Eleições da APEOESP: primeiras reflexões

No último dia 25 de maio, ocorreram as eleições do sindicato de professores de SP, a APEOESP. A apuração, no último fim de semana, reconduziu ao cargo Maria Izabel Noronha, dirigente da ArtSind/PT que há 18 anos ocupa a presidência do sindicato. Apontamos algumas opiniões iniciais sobre o processo.

Chico Nery

Professor da rede pública de Campinas

quinta-feira 1º de junho| Edição do dia

Fraudes e um calendário absurdo

Com o país pegando fogo diante do golpe institucional e da Reformas de Temer, a marca das eleições não foram os debates e projetos. Ao contrário, a direção majoritária da CUT/CTB adiantou o processo o mais rápido possível, e fez questão de manter a eleição para a véspera do ato em Brasília: queriam uma eleição morna, abdicando-se de um ato central para a luta contra as Reformas.

A baixa participação dos professores não foi obra do mero acaso, mas uma operação consciente de Bebel e seus aliados, para evitar ao máximo que o descontentamento da categoria se transformasse em votação expressiva nas escolas. Com uma queda significativa do quórum em relação à eleição anterior, o processo mostra que longe de fortalecer sindicato enquanto instrumento de luta diante de 3 anos de congelamento de salário, duros ataques federais e um golpe institucional, o desgate da direção de nosso sindicato e a fragmentação da categoria levou à diminuição da participação da categoria nesse pleito.

Urnas dormindo em casa, urnas rotativas que passavam em 5 ou 6 escolas, impedindo a participação de milhares de professores, 100% dos mesários de uma única chapa em algumas cidades, e todo um arsenal de calunias nas redes sociais, foram parte da campanha de Bebel (Chapa 1 - PT e PCdoB) e de seu fiel escudeiro, Antonio Carlos (Chapa 2 - PCO). Casos escandalosos como o de Bebedouro, em que 972 professores votaram de 1003 possíveis(95%, em uma eleição em que o quórum ficou em 30%) em maioria quase absoluta na Chapa 1, sem permitir a conferência do livro de assinaturas, são provas das fraudes. Não devendo nada para a Força Sindical, a CUT se mantém à frente da Apeoesp utilizando-se das piores armas da burocracia sindical como a ameaça física, como aconteceu em Guarulhos, que militantes da CUT e do PT destruíram a frente do sindicato e roubaram 6 urnas para buscar diminuir a votação na urna estadual. Em Campinas, Zona Norte e outros lugares não foi diferente, com a presença de dezenas de gangsters, “bate-paus” contratados para intimidar os professores e fraudar, mostra o vale-tudo da CUT para se manter no poder.

Fortalecimento da Oposição Unificada

A Oposição saí fortalecida desse processo, apesar das inúmeras fraudes. Novos ativistas assumem posições entre os conselheiros estaduais, e foi possível derrotar a burocracia e retomar subsedes como em Mauá, Poá, Bauru, Indaiatuba, Atibaia e Taubaté. A vitória expressiva da Oposição na grande São Paulo, assim como sua votação expressiva nas principais cidades do interior, mostram um importante fortalecimento. A engessada estrutura sindical que permite que Bebel completará mais de 20 anos de mandato seguramente afastaram importantes ativistas das últimas greves, mas nem por isso impediu que esse processo de reorganização acontecesse.

Na direção estadual do sindicato, a Chapa 1 ficará com 71 vagas, sendo 21 na executiva. Já a Oposição Unificada terá 49 vagas, sendo 14 na executiva.

É hora de aprofundar as reflexões sobre o processo, buscando avançar a reorganização da oposição. Trabalho de base nas escolas, democracia interna, rotatividade, unidade do conjunto da categoria e um discurso de combate às Reformas de Temer, Alckmin e do dos golpistas, são alguns dos temas necessários, em nossa opinião, a se aprofundar para renovar e fortalecer a Oposição na Apeoesp. Nós do Professores Pela Base, que fomos parte desse processo em Campinas, na Zona Norte, Santo André, Sudoeste, Tatuapé, Jundiaí, Marília e outros locais, buscaremos contribuir com nossas forças para que a Oposição chegue em cada escola do estado de SP.




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