Gênero e sexualidade

FARSA DO PRÉ CÂNCER EM PELOTAS

Eduardo Leite tem sangue de mulheres nas mãos por sua gestão da saúde em Pelotas

Eduardo Leite do PSDB vem se apresentando como a "cara nova" na disputa ao governo do estado. Em sua gestão como prefeito de Pelotas, com uma política de privatização da saúde pública, negligenciou e sucateou os serviços, e agora vem à tona um grande escândalo da suspeita de fraudes em exames pré-câncer de uma Unidade Básica de Saúde da cidade. Se suspeita que de 500 exames, apenas 5 eram analisados de fato, e os restante davam como resultado negativo para a doença. Essa monstruosa negligência a saúde da cidade levou mulheres a morte.

terça-feira 4 de setembro| Edição do dia

O candidato Eduardo Leite se apresenta como a “cara nova” para o governo do Rio Grande do Sul, mas defende a velha forma de administração de Sartori, com o sucateamento dos serviços públicos e ataques aos trabalhadores, como atrasos e parcelamentos de salários. Além de trazer em seu programa uma política nada nova de privatizações, que seu partido PSDB de Alckmin, Aécio Neves e Marchezan defendem. Mas o jovem candidato tucano, tem um passado político mais tenebroso ainda, que durante sua gestão como prefeito de Pelotas foi responsável pelo escândalo das suspeitas de fraudes que ocorreram em exames de pré-câncer de colo de útero que eram realizados na rede pública de saúde do município, que foi denunciado pelo jornal local Diário da Manhã, em julho de 2018, acarretando em uma investigação do Ministério Público que levou a abertura de uma CPI na Câmara dos vereadores de Pelotas para investigar o caso que levou mulheres que realizaram o exame à morte.

Todo o escândalo começou logo após surgir a denúncia do caso de Ieda Ávila de 51 anos, que abriu um processo contra a Prefeitura de Pelotas, pelos falsos resultados que teve em seus exames que não à alertaram do câncer. Ieda havia realizado o exame pré-câncer de colo de útero, conhecido como Papanicolau, mais de uma vez na Unidade Básica de Saúde (UBS) Bom Jesus, de Pelotas, onde os resultados sempre davam negativos. Em abril de 2015, Ieda fez pela primeira fez a coleta e o resultado deu negativo. No fim de 2016, ela repetiu o exame, mas o resultado não foi localizado no posto de saúde. Ela foi informada pelas enfermeiras que o resultado havia sido perdido. Em janeiro de 2017, ela voltou ao posto da Bom Jesus para refazer o preventivo. A médica no momento do exame clínico, percebeu lesões graves no colo do útero de Ieda e pediu a ela que fosse consultar em um especialista.

Em maio de 2017, um médico especialista em casos de câncer de colo do útero, solicitou uma biópsia à Ieda. Ela foi buscar no posto de saúde o resultado do preventivo feito em janeiro daquele ano. O resultado havia sido o mesmo de 2015: “negativo para malignidade”. Mas a biópsia apontou para “pequenos fragmentos de carcinoma epidermóide, invasor e bem diferenciado”. Logo após o resultado, Ieda começou a fazer tratamento de radioterapia e quimioterapia. Ieda, não foi diagnosticada através dos seus preventivos dos tumores malignos, e teve que se submeter a tratamento pesado, no qual tem despesas enormes com medicamentos e sua família mal consegue pagar.

Em 17 de julho de 2018, a Câmara de Vereadores de Pelotas instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso de suspeitas de fraudes. As denúncias também partiram de médicos e enfermeiros da UBS onde eram acolhidos os exames, que afirmaram que um memorando questionando os resultados dos exames foi enviado a Secretaria Municipal de Saúde em julho de 2017, mostrando que a Prefeitura de Eduardo Leite já estava ciente do caso.

O memorando, continha a assinatura de três médicas e três enfermeiras. E constava que de 2014 a 2017, não foram registrados resultados positivos nos exames realizados por pacientes naquela unidade. Os exames eram coletados na UBS Bom Jesus e encaminhados ao Laboratório SE -Serviços Especializados de Ginecologia, que mantinha contrato havia mais de 20 anos com a prefeitura. As suspeitas que levantaram é que os exames estavam sendo analisado por amostragem, e que a maioria não chegava a ser analisada. Suspeita que de 500 exames enviados, apenas 5 eram analisados de fatos, e o restante era enviado com o resultado “normal”.

Foto do memorando tirado do G1

O memorando foi enviado a Secretaria Municipal de Saúde de Pelotas seis dias depois de ter sido assinada, mas a gestão de Eduardo Leite não tomou muitas medidas diante do caso, inclusive os preventivos continuaram sendo analisados pelo Laboratório, mesmo diante das suspeitas de que os exames estavam sendo fraudados por amostragem.

Os exames que eram realizados no posto e analisados no Laboratório, poderiam ter prevenido centenas de mulheres do câncer, e no fim acabaram levando a piorar o quadro delas e levar algumas a morte. Como o caso de Emanuele Machado da Silva de 33 anos que faleceu no dia 10 de agosto de 2018. Emanuele realizou o exame em julho de 2015, devido a uma hemorragia que tinha, e o resultado deu negativo para a doença. Dois meses depois, ao procurar novamente a UBS Bom Jesus, a desconfiança do médico ao ver o quadro de sangramento e a perda repentina de 15 quilos, levou a novos exames e a confirmação do tumor maligno. O problema é que, quando ela descobriu, o câncer já estava em estágio avançado e com poucas chances de cura, no fim veio a falecer neste último mês, graça ao descaso e a negligência da Prefeitura de Pelotas diante do caso e com qualidade da saúde pública da cidade.

O candidato tucano, que aparece como um novo “estilo de governar”, na verdade vem com a verdadeira barbárie de governar, com o descaso e a negligência de serviços essenciais como a saúde pública, onde quem sofreu foram as mulheres que depende desses serviço, para prevenir de doenças graves e poderem tratar o quanto antes, e por causa dessa precarização acabaram pagando com a vida.

Eduardo Leite mostrou em sua gestão como prefeito de Pelotas, como iria ser como governador do estado; sucateando serviços públicos como saúde e educação, para seguir com a política do próprio Sartori de sucatear para privatizar, empresas públicas, como CEEE, Sulgás, CRM e entre outros, alegando ser a saída da crise para o estado. O que na verdade será para continuar pagando a dívida pública com a União, que serve apenas para aumentar o lucro dos grandes capitalistas. E quem irá pagar pela crise será a população gaúcha, com serviços precários, salários de fomes, e como o caso das mulheres de Pelotas, com a morte.




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