Política

EDUARDO BOLSONARO DEFENDE "NOVO AI-5"

Eduardo Bolsonaro quer censurar, fechar Congresso e institucionalizar tortura com novo AI-5

O filho “03” do presidente, ex-candidato a embaixador, fez alusão ao AI-5 como solução caso a “esquerda radicalize”, mais uma vez o deputado mostra seu receio em relação aos processos de luta de classes que estão ocorrendo na América Latina.

quinta-feira 31 de outubro| Edição do dia

Veja mais sobre a luta no Chile, Equador e outros países da América Latina aqui

Em entrevista dada a jornalista Leda Nagle o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) deu mais uma demonstração que está com receio de que as manifestações que se alastram na América Latina cheguem aqui. As manifestações que agora tem foco no Chile já fizeram o presidente Sebastian Piñera demitir seus ministros e anunciar a revisão da Lei de Emergência que garante que a polícia possa reprimir e torturar. No Equador as manifestações fizeram o governo recuar no plano de aumento dos preços dos combustíveis e em outras medidas do Fundo Monetário Internacional (FMI) .

Na terça-feira, o filho “03” do presidente Jair Bolsonaro já havia anunciado na tribuna da Câmara que caso ocorressem manifestações semelhantes no Brasil os manifestantes teriam “que se ver com a polícia”. Tentando intimidar qualquer oposição ao governo, Eduardo Bolsonaro fez alusão à mesma repressão que já deixou 20 mortos e prendeu mais de 7 mil pessoas no Chile nas últimas duas semanas.

Seu medo se deve à referência que o Chile era até agora para os ajustes na previdência e no orçamento ao mesmo tempo que reprimia da maneira mais violente possível qualquer resistência. Não a toa o “guru econômico” do governo, Paulo Guedes, é fundador de um banco que sozinho detém mais de um bilhão de dólares da previdência capitalizada dos trabalhadores chilenos.

O medo do clã Bolsonaro, dos neoliberais mais saudosos das ditaduras latino-americanas e dos capitalistas é de que nós, os trabalhadores, setores oprimidos e pobres, nos voltemos contra suas medidas para descarregar a crise em nossas costas. Por isso Eduardo Bolsonaro faz referência a ao período mais obscuro da ditadura civil-militar do Brasil. As consequências do AI-5 defendido pelo deputado foram o fechamento do Congresso Nacional, torturas e mais de 300 mortes já reconhecidas pelos organismos de Direitos Humanos (sem contar as não confirmadas). A instauração da censura política à arte, música, filmes e a repressão ao movimento de trabalhadores e estudantil, com fechamento de entidades de representação e profundos ataques nos salários.

A referência feita por Eduardo Bolsonaro já provocou reações negativas por ministros do Supremo Tribunal Federal, por siglas partidárias como PSDB e PSOL e Rodrigo Maia, presidente da Câmara já fala em punição. Para nós do Esquerda Diário não se trata tão somente de rechaçar referências a ditadura militar, mas sim de defender os processos que estão ocorrendo por toda a América Latina e lutar para que todos os crimes das ditaduras militares, assim como os crimes políticos como o de Marielle Franco sejam apurados e seus executores e mandantes punidos.




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