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ENTENDA: Queridinho da direita golpista assume derrota nas eleições primárias da Argentina

segunda-feira 12 de agosto| Edição do dia

Ontem foi o dia das eleições primárias na Argentina, e o presidente Maurício Macri, que concorreu através da coligação Cambiemos, assumiu que ele e sua coligação foram castigados nas urnas. Macri é o queridinho da direta golpista latino-americana, tendo ótimas relações com Bolsonaro, Temer, Trump, Dória e uma longa lista de políticos reacionários e entreguistas.

Macri falou à noite: "reconheço que tivemos uma má eleição isso nos obriga a redobrar nossos esforços a partir de amanhã para que em outubro possamos obter apoio para continuar a mudança". Macri vergonhosamente nada disse sobre a escandalosa demora para liberar os dados oficiais do pleito.

Maurício Macri perdeu para o kirchnerista Alberto Fernández, e disse que "doeu" segundo a imprensa local. À 0h22 (de Brasília), com 88,17% das urnas apuradas e 75,86% de comparecimento dos eleitores, Fernández havia conquistado 47,34% dos votos, enquanto a coalizão de Macri aparecia com 32,25% do total. Candidato da oposição kirchnerista que, por sua vez, é conciliatória com os golpistas, Fernández deu uma declaração para apaziguar os capitalistas que estão bancando o programa de Macri: "Aqueles que estão inquietos, que se tranquilizem. A Argentina é um país em que o conceito de vingança e de racha chegou ao fim hoje".

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As eleições primárias, ou PASO, é um processo de consulta que ocorre um mês antes das eleições propriamente ditas - e o resultado das primárias decide quem serão os candidatos nas eleições que ocorrerão dia 27 de outubro. O sistema de primárias é aplicado desde 2011, e funcionam como filtro usado pelos políticos burgueses para tentar silenciar as organizações de trabalhadores e de esquerda, pois as chapas eleitorais que não atingiram um mínimo de votos estão proibidas de participar das eleições em outubro.

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O castigo que Macri recebeu nas urnas tem a ver com suas políticas anti-populares, de um governo que atacou os trabalhadores em defesa dos lucros dos capitalistas. Suas principais medidas neste sentido foram as reformas da previdência e trabalhista, e o acordo com o FMI que traduziu-se em mais subordinação da Argentina aos interesses capitalistas internacionais.

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Macri era o queridinho da direita golpista. Trabalhava como Trump e Bolsonaro à favor da ingerência imperialista de Trump na Venezuela, assim como trabalho lado à lado do golpismo de Temer e seus seus ataques contra os trabalhadores. Super-amigo de Bolsonaro, Macri também foi inspiração para a eleição de Dória lá atrás, quando este foi prefeito em São Paulo - é parte da geração de políticos que adotou o discurso de gerência do estado como uma empresa, dizendo serem empresários de fora da desgastada casta política.

Fernández, por sua vez, apresenta um programa de gestão do nefasto legado Macrista: renegociar novo prazo para a dívida adquirida junto ao FMI, demonstrando que deverá também manter os ataques e tarifaços da era Macri, e dentre estes a reforma da previdência.

É neste contexto, em uma Argentina na mira do capital imperialista e dos ataques dos governos que os representam - ataques que podem ter a cara selvagem dos golpistas, ou a cara conciliatória dos gestores da miséria do possível representados pelo kirchnerismo, que a Frente de Esquerda - Unidade, uma alternativa de dos trabalhadores com total independência de classe dos partidos capitalistas - calcula que teve cerca de 800 mil votos.

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