Juventude

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É preciso repensar o Movimento Estudantil numa perspectiva anticapitalista

O movimento estudantil deve reafirmar a importância de estar organizado contra a burguesia em meio ao caos e retrocessos que estão se instalando em âmbito nacional

Demar Oliveira

Serviço Social - UERJ

segunda-feira 12 de dezembro de 2016| Edição do dia

2016 ficará marcado na história do Brasil como o ano em que o governo de Temer golpista (mesmo com profunda reprovação da população) destilou intensos ataques à classe trabalhadora. A eminente contrarreforma da Previdência Social, enviada ao Congresso Nacional no último dia 06 de dezembro, o pacote de austeridades do Pezão no Estado do Rio de Janeiro, bem como a quase dada aprovação da PEC 55, reafirma a importância de estarmos organizados contra a burguesia e a direita reacionária e conservadora, encabeçada principalmente pelo PMDB e MBL.

Em momentos de profunda crise como a que nos atinge hoje em nível nacional, que nos é imposto um grande preço, uma das preocupações de quem faz parte do movimento estudantil é como mobilizar a massa da classe trabalhadora em meio à paralisia das centrais sindicais, que não convocam greve geral. Essa preocupação pode se intensificar quando a graduação está chegando ao fim.

Se você é universitário marxista, mas não integra o movimento estudantil e nunca sentiu a necessidade de se organizar em entidades anticapitalistas, a atual conjuntura nacional é o principal motivo para você rever seus conceitos, caso contrário, o fim da graduação pode ser apenas mais um ciclo do capitalismo em sua vida. Parafraseando Elis Regina, “continuaremos os mesmos e vivendo como nossos pais” se em meio a tantos ataques não estivermos organizados contra a classe burguesa que sempre esteve organizada contra nós.

Ou seja, terminaremos a graduação e voltaremos aos nossos lares com um diploma de utilidade capitalista; entraremos para o mercado de trabalho e venderemos nossa mão de obra precariamente qualificada (ou faremos parte do exército de reserva). As perguntas que ficam são as seguintes: Será que reativaremos o pacote de alienação em nós mesmos? Voltaremos a assistir a novela das nove ou será que sairemos às ruas pra derrotar a burguesia?

Certa vez, passando em sala de aula na UERJ pra falar sobre as eleições do DCE e o pacote de austeridade do Pezão, ouvimos da professora Ana Maria de Vasconcelos (uma das maiores referências do Serviço Social no Brasil) a seguinte mensagem que foi direcionada a turma: “quem não passa pelo movimento estudantil durante a graduação não viveu a universidade”.

Sabemos, entretanto, que poucos professores pensam dessa forma e, que muitos contribuem para a fragmentação, principalmente quando não compreendem a realidade do estudante trabalhador que chega atrasado nas aulas depois de um dia cansativo de trabalho; que precisa sair cedo porque mora em outra cidade e depende dos escassos horários de transporte público; que adoece física e mentalmente em meio a tantas cobranças da academia e as dificuldades de se manter na universidade nesse péssimo sistema de permanência estudantil. Frente a isso, precisamos resistir, pois se não nos mantivermos organizados pela esquerda e de forma anticapitalista durante e após a graduação, ela pode se tornar um fim em si mesmo e continuar a serviço do grande capital.

Precisamos denunciar a farsa do pagamento da dívida pública e os privilégios dos políticos e banqueiros; barrar o pacote de austeridades do Pezão e a PEC 55 que congelará gastos públicos com saúde e educação por 20 anos; precisamos barrar também a contrarreforma da Previdência Social que dentre tantos retrocessos, aumentará o tempo de contribuição para 49 anos pra se ter direito à aposentadoria integral; precisamos lutar para que todo político ganhe o mesmo salário de uma professora e construir junto à classe trabalhadora uma Constituinte livre e soberana, mas acima de tudo, frear e derrotar a burguesia.

Para que possamos avançar nessa perspectiva, o espírito militante deve ir além das redes sociais e salas de aula, deve, portanto, também estar presente nas ruas, na mobilização das nossas bases e na reafirmação de organização enquanto entidade estudantil. Além disso, de nada valerá a graduação se não mantivermos o discurso anticapitalista para além dos muros da universidade. Devemos mobilizar as massas em outros espaços após a nossa formação e, partilhar o conhecimento para quem não tem acesso à bolha privilegiada que é a universidade.




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