LUTA CONTRA O RACISMO

“É hora de ampliar a resposta nas ruas ao assassinato de João Alberto”, diz Letícia Parks

Esquerda Diário conversou com Letícia Parks sobre esse tema que tocou o país e vem levando a mobilizações

domingo 22 de novembro| Edição do dia

Em várias cidades do país estão ocorrendo protestos frente ao assassinato que escandalizou o país em mais um caso que mostra o racismo estrutural que temos que combater no Brasil. Esquerda Diário conversou o tema com Letícia Parks sobre o tema, perguntando sobre como acha que deve seguir essa luta por justiça para João Alberto.

Letícia Parks respondeu: "Foi muito importante que nossas primeiras respostas nas ruas foram imediatas. É simbólico que essa ações serviram para que o pai de João Alberto declarasse que se sentiu de alma lavada. A dor que sente cada família que tem um dos seus assassinados pelo racismo é algo que tem que ser respondida com nossa luta nas ruas mesmo. Transformar nosso luto em luta é a única forma de parar essa matança diária da polícia racista."

E completou: "É hora de ampliar a resposta nas ruas ao assassinato de João Alberto. Enquanto não mostrarmos com manifestações massivas e radicalizadas que não vamos mais aceitar isso, os racistas não vão parar. Ainda que não me surpreende, é claro, me dá nojo ver o vice presidente Mourão dizendo que não há racismo no país. Bolsonaro alegando daltonismo como se não fossem visíveis as marcas do racismo no pais. Me dá ódio também esses golpistas, como Maia e Alcolumbre, fazendo tuites demagógicos como se fossem contra o racismo, logo eles que articularam todas as reformas que massacram o povo pobre, negro e trabalhador, e tudo isso ocupando 1h no jornal nacional, que também demagogicamente fala da nossa luta mas apoia todos os ataques e repressão contra nós. Não dá pra confiar em nenhum golpista, tudo isso tem que ser mais um impulso para tomarmos as ruas e dar um basta. Enquanto eles não sentirem a força da nossa mobilização vão seguir com essa perpetuação do racismo. Vamos colocar todas as nossas forças para impor justiça por João Alberto e todos os nossos."

E disse ainda: "Precisamos de uma ampla unidade de todo o movimento negro, das entidades sindicais e estudantis e de todos os que se colocam no campo da esquerda e do progressismo para apoiar as manifestações. As centrais sindicais como a CUT e CTB, e também estudantis como a UNE, dirigidas pelo PT e PCdoB precisam romper a trégua com o governo Bolsonaro e começar a chamar e impulsionar essas mobilizações. Todos os parlamentares da esquerda, candidatos e figuras públicas de projeção como Guilherme Boulos, Manuela Dávila precisam usar o peso que tem nessa campanha, a televisão, para convocar essas mobilizações e defender frente aos ataques, convocando um grande plano de luta nacional contra os racistas e esses golpistas que querem fazer calar a nossa luta e apagar a nossa história. Vamos às ruas como nos Estados Unidos e em diversos países para dar um basta, unificando todos que lutam contra o racismo, negros, brancos, mulheres, LGBT´s e o conjunto da classe trabalhadora."




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