Sociedade

FOME

Dória atrasa auxílio para famílias: "Já deixei de almoçar para alimentar meus filhos"

A denúncia de Elaine Torres Santos, moradora da favela de Heliópolis na zona sul de São Paulo, feita em entrevista para o El País expressa a realidade de milhões de famílias pelo Brasil.

quinta-feira 9 de abril| Edição do dia

Imagem: MARCIVAN BARRETO

A crise do coronavírus vem escancarando a cada dia mais as desigualdades reservadas à maioria da população pelo sistema capitalista. A denúncia de Elaine Torres Santos, moradora da favela de Heliópolis na zona sul de São Paulo, feita em entrevista para o El País, expressa a realidade de milhões de famílias pelo Brasil. No país que contabiliza 11,9 milhões de desempregados, como sustentar o alimento básico das crianças que já não possuem a merenda escolar diária? “Eles tomavam café, almoçavam, tomavam lanche e janta fora. As bebês gêmeas [de 3 meses] iam para creche. Quando eles chegavam eu só dava algo antes de dormir para dar uma reforçada” relatou Elaine.

É completamente criminoso o papel que o governo de Dória está cumprindo diante dessa situação, com declarações demagógicas a favor da quarentena enquanto fecha os olhos para as famílias que passam fome. A família de Elaine hoje vive com o auxílio insuficiente de R$ 357 do bolsa família, com cesta básica dada pela CUFA (Central Única das Favelas) e com ajuda dos vizinhos para poder pagar o aluguel. Já o governo de Doria por enquanto ofereceu apenas palavras ao vento, como o Programa Merenda em Casa, anunciado no dia 25 de março e até agora não efetivada. O programa previa um auxílio de 55 reais por estudante para a alimentação, voltado às famílias que recebem auxílio do Bolsa Família ou se encontram em situação de extrema pobreza. Já estamos no dia 8 e nada desse auxílio.

A família de Elaine aguarda ainda o auxílio de R$ 600 prometido por Bolsonaro. Essa quantia, insuficiente para sustentar as famílias brasileiras, precisa ser paga imediatamente para que possa ser colocada comida na mesa dos brasileiros. Enquanto isso, a realidade é dura e revoltante, Elaine afirma ter deixado de comer para poder alimentar seus filhos. Por que o valor do auxílio ainda não foi pago? A demora de mais de semanas para concretizar essa medida contrasta absurdamente com a rapidez que o governo federal repassa bilhões aos bancos privados. Esses exemplos demonstram na prática que a prioridade tanto de Bolsonaro quanto de Dória não é salvar a vida da população, eles apenas se preocupam em salvar sua imagem frente aos empresários.

A situação relatada por essa mãe de família escancara também a crise aberta pelo coronavírus nas escolas públicas do país com as aulas EAD. Elaine e seus filhos moram em uma casa de apenas um cômodo, cenário comum para milhões de famílias brasileiras. Sendo que muitas dessas famílias não possuem nem mesmo saneamento básico, quem dirá acesso à internet ou aos aparelhos necessários para se ter uma aula online. Não é apenas o conteúdo pedagógico que fica defasado para esses estudantes, o problema é anterior: a maioria do estudantes não terão nem mesmo acesso a esses conteúdos. A realidade de desigualdade brutal da sociedade brasileira não permite que as escolas públicas obriguem as crianças e jovens a terem aula EAD nesse momento excepcional de crise sanitária mundial.

Através de relatos escandalosos e revoltantes como esse é que não podemos nos deixar enganar pelo discurso de Dória, de Bolsonaro e de nenhuma das alas desse regime burguês e autoritário. Diante do constante aumento nos números de infectados e de mortos pela COVID-19 no Brasil, é assassina a política do “jejum por um dia” de Bolsonaro assim como a política levada a frente por Dória e todos governadores da medieval quarentena, que mantém uma parte da população em casa e outra em trabalhos precários sem acesso aos equipamentos básicos de proteção à saúde, ambos sem direito a teste para saber se estão ou não infectados pela doença. A população brasileira está vivendo na corda bamba entre o desemprego e o adoecimento. Para reverter essa situação, é preciso que os trabalhadores tomem a frente na batalha contra o coronavírus, por serem os únicos capazes de dar uma resposta à altura pela vida de toda população. Por isso, é preciso que os trabalhadores se organizem desde as bases para girar toda produção das indústrias para produzir máscaras, álcool gel, equipamentos respiratórios e todo tipo de material necessário para a proteção das pessoas. A EC do teto de gastos precisa ser revertida imediatamente para retornar os recursos à saúde, visando a ampliação de leitos de UTI e contratação de profissionais da saúde, bem como o retorno do dinheiro cortado da educação, para que seja possível a produção de testes nas universidades e laboratórios, para que então sejam distribuídos de forma gratuita a toda população.




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