"FIM DA CORRUPÇÃO"

Dinheiro na cueca: Chico Rodrigues amplia sua licença para filho assumir mandato no Senado

Em meio ao escândalo de corrupção vice-líder do governo Bolsonaro no Senado, Chico Rodrigues (DEM-RR), pede ampliação do seu pedido de licença, de 90 para 120 dias, viabilizando assim que seu mandato tenha suplência. Curiosamente o mandato será ocupado pelo filho do congressista, o Senador Pedro Rodrigues (DEM-RR).

Grazieli Rodrigues

Professora da rede municipal de São Paulo

terça-feira 20 de outubro| Edição do dia

Chico Rodrigues, Senador do DEM eleito por Roraíma e vice-líder do governo Bolsonaro, que na semana passada foi encontrado com R$33.000 escondidos na cueca e segundo a PF, inclusive com algumas das notas sujas de fezes, vem pautando o debate sobre corrupção no atual governo nos últimos dias.

Como desdobramento do caso que será julgado pelo Conselho de Ética do Senado e por sugestão de seus colegas de bancada, o congressista que havia pedido formalmente ontem (19) 90 dias de afastamento, reviu seu pedido hoje, ampliando o prazo para 121 dias, viabilizando com esse novo afastamento que o primeiro suplente seja convocado para assumir o mandato. Que no caso de Chico Rodrigues, é o seu filho Pedro Rodrigues (DEM-RR).

A articulação desse afastamento veio sendo desenhada por aliados do Senador, ao mesmo tempo que o pífio argumento de sua defesa de que o dinheiro não era de corrupção mas para o pagamento de seus funcionários - como afirmou o Senador investigado por corrupção. Tendo Chico Rodrigues contado com o incentivo do Senador e presidente da casa Davi Alcolumbre (DEM-AP), seu colega de bancada, além do próprio presidente do Conselho de Ética, Jayme Campos (DEM-MT), que buscaram evitar que o julgamento desse escândalo de corrupção tivesse de ser julgado pelo plenário do Senado.

Essa decisão antecipa também o afastamento solicitado pelo Ministro Luís Roberto Barroso, que seria julgada amanhã (21) pelo Supremo Tribunal Federal.

Bolsonaro e seu vice-presidente, Mourão, vieram buscando separar suas figuras e o governo desse escandaloso caso de corrupção, no entanto, a função de vice-líder, que agora será ocupada pelo filho do Senador, cumpre um papel direto de intermediar os interesses do governo com os congressistas. Saiba mais aqui.

E todo esse lamentável episódio que tem como pano de fundo uma pandemia cujas mortes beiram o dado de 155.000 pessoas e que aprofunda a crise econômica capitalista, cujo ônus vem sendo descarregado nas costas da classe trabalhadora. Além de se dar após Bolsonaro oficializar seu divórcio com a Lava Jato e dizer que acabou com a operação (ao qual se aliou por muito, sendo essa um pilar do golpe institucional e de sua eleição).

A afirmação de Bolsonaro de que "não existe mais corrupção no governo" é facilmente refutável pela trajetória de Chico Rodrigues que teve como aliado na articulação no Senado e como parlamentar nas últimas décadas, tendo ambos inclusive trocado elogios e classificado sua relação de longa data como uma "união estável".

O grande parceiro de Congresso do presidente, é suspeito de participar de uma organização criminosa que teria desviado cerca de 20 milhões de reais destinados à saúde de Roraima, inclusive através da compra de testes rápidos para COVID, sendo a região Norte uma das mais afetadas pela pandemia.

Leia mais: Com o "fim da corrupção", vice-líder do governo no Senado é encontrado com dinheiro na cueca




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