Educação

CRISE NA UERJ

Dia D: ato unificado na UERJ em momento crucial da greve

Na UERJ, ato unificado das 3 categorias mostrou sua força ontem, 31 de maio, no chamado Dia D. O ato contou com a presença de centenas de estudantes, técnicos e professores que juntos enfrentam a maior crise que a UERJ já vivenciou. Os manifestantes cortaram a Avenida Radial Oeste novamente. A UERJ faz esta semana 3 meses de greve.

Demar Oliveira

Serviço Social - UERJ

quarta-feira 1º de junho de 2016| Edição do dia

Foto: Matheus Perissé
Junho de 2016 começa com os reflexos das grandes lutas na França e das greves e ocupações pelo Brasil à fora. Na UERJ, uma importante união das três categorias da comunidade acadêmica, apesar da baixa adesão dos professores, mostrou sua força ontem, 31 de maio, no chamado Dia D. Esse ato unificado, contou com a presença de centenas de estudantes, técnicos e professores que juntos enfrentam a maior crise que a UERJ já vivenciou. Os manifestantes começaram a se reunir na entrada da UERJ as 16h e seguiram num corte de Avenida Radial Oeste. Após um clima de tensão com alguns motoristas e também a polícia, o ato se encerrou em frente ao Hospital Universitário Pedro Ernesto.

A intenção dessa e das constantes manifestações na universidade, na ALERJ e nas ruas, como no caso de ontem, é chamar a atenção da sociedade para o sucateamento da universidade, da educação, da saúde e dos serviços públicos. Além de mostrar que em pleno 2016, 128 anos após a abolição da escravatura, os trabalhadores terceirizados da UERJ, prestam serviços análogos à escravidão, isso porque estão há 7 meses sem receber seus salários e continuam trabalhando.

Campanhas de arrecadação de alimentos para esse setor esquecido pelo Estado e pela Reitoria, é uma constante rotina entre os estudantes. A maior preocupação, no entanto, é que esses trabalhadores serão demitidos sem que haja pagamento do que é lhe devido de direito, ou seja, seus salários atrasados e sua rescisão, assim como ocorreu com os demitidos em massa no Hospital Universitário Pedro Ernesto e com a segurança. Essa preocupação se intensifica a partir de hoje (01/06), pois a empresa Construir, que presta serviços de limpeza na UERJ, convocou os trabalhadores que ainda restam para assinar o aviso prévio, sem nenhuma garantia do pagamento dos 7 meses de salários em atraso.

Esse cenário se soma à situação calamitosa do Estado do Rio de Janeiro que está ancorado sob uma dívida que ultrapassa 200% o seu orçamento, e que se encontra em segundo lugar no ranking dos estados mais endividados do país, atrás apenas do Estado do Rio Grande do Sul. Ambos, porém, negociam sua moratória. É nesse cenário de derrota do qual o PMDB é responsável, com Pezão e Dorneles, mas também agora com o golpista Temer nacionalmente, que as lutas na Uerj vêm buscado mostrar à sociedade a situação deplorável e insalubre que a universidade se encontra.

Às vésperas de completar 3 meses de greve, a atual gestão Reitoria, apesar da demagogia de querer se mostrar aberta ao diálogo e às negociações com as três categorias, vem na verdade colocando seu discurso num tom de alinhamento com a crise institucional e seletiva do qual o estado está afundado. Não se compromete com as principais pautas levadas pelos estudantes, como a moradia estudantil, a creche universitária, o a aumento e regularização no pagamento das bolsas de pesquisas e estágio, auxílio-permanência aos alunos cotistas, ônibus inter-campi, a reabertura do bandejão no campus Maracanã e construção nos demais outros campis. Uma das principais pautas, além dessas já citadas, é o pagamento imediato dos 7 meses de salários atrasados dos funcionários terceirizados e auditoria fiscal dessas empresas.

Entretanto, para todas essas reivindicações, em especial o caso dos trabalhadores terceirizados, o discurso da reitoria é de que são pautas impossíveis nessa greve frente à atual conjuntura, com exceção da reabertura do bandejão que, segundo Ruy Garcia, vai reabrir e poderá sofrer reajuste nos valores, caso a empresa que ficou em 3º lugar na última e atual licitação assuma o restaurante.

Portanto, é urgente intensificar e radicalizar as lutas nesse momento crucial da greve. Ainda dá tempo de unificar as mobilizações e organizar a greve geral da educação no Rio de Janeiro, com cortes de ruas e paralisações unificadas toda semana. Hoje, 01/06, também acontece a terceira reunião de negociação com o líder da bancada do PMDB na ALERJ, Edson Albertassi. Na primeira reunião, o referido deputado ofereceu 20 milhões de reais para ser dividido entre as três categorias e cobrir a dívida, com a condição de que saíssem da greve. Obviamente, as três categorias negaram esse pseudo acordo. Porém, na segunda reunião, não se falou em nenhuma quantia por parte do governo, o deputado propôs o fim da greve para talvez atender as pautas propostas. Novamente, as três categorias negaram. Não tem arrego até que a universidade volte a funcionar com qualidade para estudantes, funcionários, terceirizados e professores.




Tópicos relacionados

Educação   /    Rio de Janeiro

Comentários

Comentar