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Denúncia | Desrespeito às normas de segurança no trabalho viraram hábito na COMLURB

domingo 1º de agosto | Edição do dia

Enquanto escrevia essa matéria, outros acidentes como esse aconteciam na Comlurb, confirmando a denúncia dos trabalhadores.

Lesões e mortes devido a Acidentes de Trabalho já viraram um hábito na Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio. A realidade dos riscos que vivem os trabalhadores é piorada pela atuação da empresa que faz de tudo para não abrir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), quando o acidente ocorre.

O trabalhador acaba pressionado sempre pela direção da Comlurb, que se recusa a fazer perícia quando ocorrem os acidentes, para com isso não pagar os direitos dos trabalhadores. Na maioria das vezes, estes acidentes ocorrem porque os encarregados e gerentes realocam sem treinamento e não instruem os trabalhadores sobre as normas de segurança no trabalho. Esse é o caso da gari Irenilce, que faleceu na cidade das artes ao tentar usar um elevador com defeito.

Da mesma forma, os garis que fazem parte da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) sofrem perseguição, ameaças de demissão, e a empresa muitas vezes nem divulga as eleições para este organismo de fiscalização.

Assim, por exemplo, os milhares de garis jogados para trabalhar na pandemia, muitas vezes faltando EPIs fundamentais ao combate a covid19, como mascaras N95 e álcool em gel, sem condições de higienização e cumprimento de protocolo em diversas gerências. O que muitos trabalhadores não sabem, é que a covid-19 também pode motivar a emissão de CAT, mas a COMLURB esconde isso dos trabalhadores no intuito de explorá-los em larga escala, não dando o equipamento adequado para a prevenção do contágio. Combinado a isso, a prefeitura de Eduardo Paes também não definiu os Garis como setor prioritário para a vacinação como fez com outros setores. Os garis tiveram que esperar chegar próximo à sua data por idade para receber as vacinas.

Quando um trabalhador vem a falecer, a empresa coloca no aplicativo corporativo o nome e o setor, porém não dá explicações do motivo do falecimento. Hoje, os dados sobre as lesões e mortes por acidentes de trabalho na COMLURB são guardados a sete chaves assim como o número de contagiados e mortos por covid-19, justamente porque as notas de pesar no aplicativo corporativo não dizem o motivo do falecimento. A falta de CAT e perícias é justamente para mascarar que o alto escalão da empresa cheio de privilégios e altos salários, como gerentes e encarregados que colocam a vida do gari em risco.

Às vezes as mortes sequer são divulgadas no aplicativo, nem são noticiadas. Como por exemplo, o caso do gari Marcelo Almeida, morto por um tiro no caminho do trabalho.

Além disso, a empresa força os trabalhadores a contrair lesões, muitas vezes aplicando faltas, mesmo quando o gari apresenta atestado médico. Um gari que preferiu não se identificar relatou que, após fazer uma cirurgia de coluna, recebeu 5 dias de falta mesmo tendo um atestado para 10 dias de afastamento do trabalho.

Além disso, há gerências aonde não se há notícia de eleições da CIPA há anos. Gerências como a da Maré, dentre outras, aonde não se sabe quando foi a última eleição para essa comissão importante para que os trabalhadores possam se prevenir dos acidentes de trabalho, assim como em muitas outras, houveram processos eleitorais há muito tempo, e a empresa abafa e esconde dos trabalhadores a existência dessa Comissão.

É lamentável que uma empresa do porte da Comlurb descumpre tantas normas assim, colocando diariamente em risco a vida de milhares de trabalhadores, sem ao menos uma prevenção eficaz, uma fiscalização séria. Os órgãos competentes acabam fazendo vista grossa e não os vemos atuar. Por isso, é importante a organização dos trabalhadores da COMLURB, é importante que em cada gerência, os trabalhadores se organizem para denunciar quando tenta forçar seus trabalhadores a se expor ao risco.




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