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Desemprego e redução do FIES pioram a situação dos estudantes de faculdades privadas

quarta-feira 5 de julho| Edição do dia

Pelo 2º ano consecutivo aumenta a dificuldade dos estudantes de faculdades privadas em pagar as mensalidades de seus cursos. Em 2014, 7,8% tiveram atrasos com mais de 90 dias, em 2017 esse índice pode alcançar até 11,1%. Em atrasos de mais de 30 dias, as porcentagens são ainda maiores chegando a 16,6%.

Segundo dados do Semesp, órgão que representa instituições privadas, o volume de atrasos na área da Educação Superior Particular é muito maior que os dados de inadimplência total das pessoas físicas, que fica em torno de 6%.

Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, afirma que apenas 20% dos alunos conseguem pagar as mensalidades em dia, muitos seguem adiando e tentando levar o curso. Nas instituições de ensino privado de pequeno porte a dificuldade para pagar as mensalidades é ainda pior.

A redução na oferta de contratos do Fies (Financiamento Estudantil) desde 2015 é parte da causa dessa realidade, assim como o aumento do desemprego, que tem afetado fortemente a faixa etária mais jovem da população. No entanto, a verdade é que financiamentos como o Fies e a oferta de cursos privados nunca foram uma solução para melhorar o acesso da população jovem ao Ensino Superior. Na prática, esses estudantes levam uma vida de enorme sacrifício, tentando conciliar uma rotina de trabalho pesada com a necessidade dos estudos e o pagamento das dívidas.

Muitos desses estudantes carregam por anos depois da conclusão de seus cursos o fardo do comprometimento das condições de vida que essas dívidas causam. Além disso, essas instituições privadas funcionam como empresas, buscando e priorizando seus lucros, sem um compromisso real com a qualidade de ensino.

Esses estudantes barrados pelos vestibulares excludentes das Universidades Públicas, tentam a todo momento romper com as barreiras econômicas e sociais para alcançar o seu desenvolvimento profissional, enfrentando desde muito cedo os discursos perversos das grandes empresas e da mídia sobre a meritocracia, tentando fazer acreditar que todos têm oportunidades iguais.

A verdade é que parcela significativa desses estudantes que recorrem as faculdades particulares são pobres, filhos da classe trabalhadora e negros, que pagam os maiores preços pela falta de vagas nas Universidades Públicas, e pelo baixo investimento do Estado na educação das escolas públicas de nível fundamental e médio.




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