Mundo Operário

CORONAVÍRUS: USP

Descaso com trabalhadores do grupo de risco gera protesto no Hospital Universitário da USP

O Hospital Universitário da USP não será referência para o atendimento de Covid-19 e, em decorrência disso, procedimentos de segurança foram alterados. Trabalhadores relatam dificuldade de acesso a EPIs, aumento de casos de contaminação e falta de testes. O Sindicato dos Trabalhadores da USP convocou um ato para a próxima quinta-feira, 23, para denunciar as condições dos trabalhadores do hospital.

segunda-feira 20 de abril| Edição do dia

O Hospital Universitário da USP não será referência para o atendimento de Covid-19 e, em decorrência disso, procedimentos de segurança foram alterados. Trabalhadores relatam dificuldade de acesso a EPIs, aumento de casos de contaminação e falta de testes. O Sindicato dos Trabalhadores da USP convocou um ato para a próxima quinta-feira, 23, para denunciar as condições dos trabalhadores do hospital.

Gerson Salvador, médico infectologista do HU e diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo, conta que a reitoria da USP criou a ideia fantasiosa de que o HU é um hospital livre de covid-19. Nesses termos não tem preparado de maneira adequada o hospital para enfrentar a pandemia e principalmente não tem cuidado de seus trabalhadores, muitos dos quais com doenças graves e condições que seriam impeditivas de deixá-los expostos. Estão à mercê da pandemia por irresponsabilidade dos administradores.

Os trabalhadores relatam que alguns pacientes ficaram dias internados antes de receberem a confirmação positiva do teste e serem transferidos para o Hospital das Clínicas. A representante dos trabalhadores no Conselho Universitário da USP, que também é funcionária do HU, Bárbara Della Torre, relata casos de pacientes assintomáticos para Covid-19 que procuram o hospital por outras razões médicas não entram no protocolo de segurança e circulam pelo hospital tendo contato com vários trabalhadores. E, depois de algum tempo internados, começam a manifestar sintomas. Bárbara questiona a demora da superintendência em liberar os trabalhadores que se enquadram no grupo de risco e iniciar o processo de contratação.

Segundo informa o Sindicato dos Trabalhadores da USP, vários trabalhadores de diferentes setores do HU foram contaminados, não apenas quem realiza atendimento ao paciente. Alguns desses trabalhadores fazem parte do grupo de risco e estão internados em estado grave no HC. Não é possível saber o número preciso porque não há transparência da superintendência em informar os casos e também não há testes para os trabalhadores. Por enquanto, o hospital disponibiliza apenas 4 kits para testes, privilegiando pacientes internados que apresentam falta de ar.

Nas últimas semanas, dois trabalhadores da USP morreram por Covid-19, um deles com 71 anos enquadrava-se no grupo de risco e mesmo assim não foi liberado. A liberação dos profissionais do hospital com idade igual ou superior a 60 anos ou que possuem alguma doença crônica também está entre as reivindicações dos trabalhadores. Os trabalhadores informaram que está sendo instalado um contêiner refrigerado que dará suporte ao departamento de anatomia patológica.

O ato convocado pelo Sintusp acontecerá em frente ao Hospital Universitário, às 12h30 do dia 23 de abril.




Tópicos relacionados

Coronavírus   /    Hospital Univeristário da USP   /    SINTUSP   /    Saúde   /    USP   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar