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MINISTÉRIO DA SAÚDE

Depois de meses de pandemia, não existem seringas e agulhas para aplicação massiva de vacina

Somente este mês, dezembro, o governo abre edital para a licitação de "possível e futura aquisição". A produção de seringas e agulhas suficientes para uma vacinação massivas poderá levar 7 meses.

quarta-feira 16 de dezembro de 2020| Edição do dia

Foto: AFP

O Ministério da Saúde, que está sob direção do ministro militar Eduardo Pazuello, abriu somente nesta quarta-feira - depois de meses de pandemia e da corrida para a procura de uma vacina e de um efetivo tratamento para a covid - 16 licitação para "possível e futura aquisição" de 331 milhões de seringas e agulhas. Apesar de não estar detalhado no edital publicado no Diário Oficial da União (DOU), os insumos devem ser usados no Programa Nacional de Imunização (PNI) contra a covid-19. A abertura das propostas deve acontecer no dia 29 de dezembro. A licitação prevê a compra de quatro tipos de seringas e agulhas. As vacinas mais avançadas até o momento preveem a necessidade de aplicação de duas doses.

Desinteresse do governo no plano de combate à pandemia para fazer com que os trabalhadores e a juventude pague por essa crise

A Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo) estima que a indústria nacional precisaria de 7 meses para fabricar essa quantidade de seringas. "Em agosto, o governo organizou uma reunião com os três fabricantes, mas, daí para frente, nada mais aconteceu de concreto. E já estamos em dezembro; isso deveria estar decidido no máximo em setembro", disse ao Estadão Paulo Henrique Fraccaro, presidente da Abimo.

De acordo com Fraccaro, as três empresas brasileiras que fabricam seringas têm capacidade de produzir de 120 a 140 milhões de unidades por mês, mas a produção atual já está comprometida com a demanda normal do setor.

Pode interessar: "Pra que essa ansiedade, essa angústia?" questiona Ministro da Saúde ignorando mais de 180 mil mortes.

Por um programa em que estejam os trabalhadores à frente de um programa de combate à pandemia

O negacionismo de Bolsonaro, o descaso do governo recheado de militares e o alinhamento com o Poder Judiciário, Congresso, governadores e outros políticos e setores, só trouxeram ataques contra direitos, destruição do futuro da juventude e mortes por covid. Os interesses capitalistas não podem estar acima da vida da população que tudo faz girar na sociedade.

Desde o início, a pandemia não foi, em nenhum lugar do país, efetivamente combatida. Os testes massivos foram negados e um plano efetivo para que hoje os quase 183 mil não tivessem morrido nunca foi de fato implementado.

Agora, diante da corrida das vacinas que envolve inúmeros interesses políticos e lucros bilionários de mega indústrias farmacêuticas, o governo mostra que nunca se importou com o controle dessa pandemia.

Veja aqui: Vacina e medidas sanitárias para todos, contra Doria, Bolsonaro e a sede de lucro capitalista.

Por isso, a realidade dessa crise sanitária mostra a importância de se ter a classe trabalhadora à frente. O giro das indústrias para a produção de todos os insumos necessários para o combate da covid-19 nunca se mostrou tão importante. Como levantado pelo Esquerda Diário desde o início dessa pandemia, os trabalhadores devem estar a frente, pois são somente esses que podem garantir o direito à vida da população.

Possui conteúdo da Agência Estado




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