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II Congresso do MRT

Depois de forte 8M, mulheres do MRT debatem em congresso próximos passos

quarta-feira 22 de março de 2017| Edição do dia

Em diversas notas que soltamos sobre o II Congresso Nacional do MRT contamos os debates e as grandes tarefas que temos, como esquerda revolucionária, na atual situação mundial. Vocês podem ver as notas aqui, aqui e aqui.

E como não poderia deixar de ser essas grandes tarefas estão também diretamente ligadas ao fenômeno de mulheres que se abriu nos últimos anos em todo o mundo com o aprofundamento da crise capitalista.

O fenômeno de mulheres em grande parte do mundo ocidental

Com forte participação de mulheres trabalhadoras de diversas categorias, como metrô, professoras, funcionárias da USP, da indústria, bancárias e também estudantes de vários estados, as delegadas e delegados do congresso partiram de caracterizar que as demonstrações de força das mulheres em grande parte do mundo, com exemplos como as greves da França e Islândia e os levantes da Argentina, Polônia e EUA, além do grande debate em torno da questão de gênero e sexualidade que se nota de diversas formas na sociedade, são expressões e parte de um fenômeno dos últimos anos.

A contradição que a profundidade da crise capitalista causa entre as conquistas de direitos das últimas décadas e a vida concreta das mulheres, com crescentes números de feminicídios, ataques aos direitos dos trabalhadores e também a violência do estado quando cerceiam o direito ao nosso corpo é o estopim para que em grande parte do mundo ocidental o fenômeno protagonizado pelas mulheres ganhe contornos impressionantes, como o "Nenhuma a menos", na Argentina, Marchas contra Trump, nos EUA, e o grande chamado histórico a uma Paralisação Internacional de Mulheres no último dia 8 de março, dia de luta das mulheres, que deu um elemento de qualidade essencial para o combate a exploração e opressão, o internacionalismo.

Depois de décadas do feminismo liberal predominar na luta das mulheres, com a ilusão de que as mulher estão perto de sua emancipação por conquistarem direitos mínimos e chegarem a postos hierárquicos na sociedade, aplastrando qualquer viés mais radical e de contestação do sistema de exploração e opressão de classe, hoje as mulheres saem às ruas não só por suas demandas próprias, mas sendo a ponta de lança do descontentamento que vivem os trabalhadores com os ataques dos governos em meio a crise capitalista.

Aqui no Brasil as mulheres também entraram em cena, com os grandes atos contra Eduardo Cunha, depois de casos bárbaros de violência contra as mulheres, como a do estupro coletivo da jovem do Rio de Janeiro e agora no 8M, quando em várias cidades do país milhares de mulheres marcharam contra a violência de gênero e os ataques do governo golpista de Michel Temer, e 15M, quando a classe trabalhadora mostrou que não esta para nada derrotada e com seus métodos históricos de luta deixaram claro que rejeitam as reformas do governo e o próprio governo, com um grande protagonismo das mulheres nas categorias paralisadas e que se manifestaram e também com a grande participação dos professores em todo país, uma categoria majoritariamente feminina.

No Brasil não se pode pautar a questão de gênero sem colocar em destaque a vida das mulheres negras, que são as mais afetadas pelos ataques dos governos, por ocupar os postos de trabalho mais precários, além de sofrerem com abortos clandestinos e a violência do braço armado do estado. O governo quer aprovar a ampliação irrestrita da terceirização e é justamente as mulheres negras que mais sofrem nessas condições, mas que resistem e também estão na linha de frente no combate as reformas do governo.

As mulheres trans, travestis, lésbicas e bissexuais, que escancaram a farsa da emancipação das mulheres por dentro do estado capitalista. No Brasil as mulheres trans e travestis sequer alcançaram o direito de terem suas identidades reconhecidas pelo estado, não entram nas leis vigentes para as mulheres, mostrando mais uma vez que igualidade na lei não é igualdade na vida das mulheres no capitalismo.

Pão e Rosas internacional e as mulheres trabalhadoras como exemplo

O Pão e Rosas brasileiro é impulsionado por mulheres militantes do MRT e também independentes de diversas categorias e estados. Internacionalmente organiza mulheres trabalhadoras e estudantes em 11 países.
No ano que o grupo de mulheres internacional Pão e Rosas completa 10 anos de chegada ao Brasil e nos 100 anos do maior exemplo de conquista da classe trabalhadora, a Revolução Russa, que teve grande protagonismo das mulheres e quando mais se avançou na conquista plena da vida da mulher, as mulheres trabalhadoras provam que, diferente do que falam as vertentes liberais, reformistas e radicais do movimento de mulheres, existe um grande espaço para um grupo de mulheres socialista e revolucionário, que organizados em classe lute pelo fim da exploração e opressão.

Em todos os países em que o Pão e Rosas esta demos uma grande batalha no 8M pela Paralisação Internacional de Mulheres, dizendo que com os nossos companheiros homens de classe e retomando nossos métodos de luta, com o protagonismo das mulheres, poderíamos das grandes passos para enfrentar os governos populistas de direita que se instalaram em vários países e hoje passam ataques a todos nós para nos fazer pagar pela crise que a própria burguesia criou.

No Brasil essa batalha foi bastante exemplar em todos os estados que atuamos, com destaque para São Paulo, onde enfrentando uma das maiores burocracias sindicais da América Latina, a Apeoesp dirigida pela CUT, e sua variação de mulheres, a Marcha Mundial de Mulheres, mas também a adaptação da esquerda, que pouco se enfrentou com a lógica aparatista do petismo ao 8 de março, conseguimos dar um grande exemplo. Levando com firmeza a exigência de unificação do ato de mulheres com os atos de professores municipais e estaduais que estariam acontecendo no mesmo dia e horário, para que sob a bandeira da paralisação internacional de mulheres marchassem pela cidade, dando uma grande demonstração de força e luta pela vida das mulheres, a educação e contra os ataques do governo. Foi essa luta decidida do Pão e Rosas, com trabalhadoras e estudantes em cada reunião de organização do 8M e nas instâncias sindicais e estudantis que possibilitou o grande ato conjunto de mulheres e a marcha de mais de 40 mil professores em São Paulo.

Em cada local de trabalho em que esta o Pão e Rosas, com atividades, rodas e debates, demos importantes exemplos, como a secretaria de mulheres do metrô e sua grande coluna na marcha no centro da cidade, estando junto com as professoras e estudantes da secretaria de mulheres do sindicato dos trabalhadores da USP, que pela manhã cortou avenida contra o desmonte da USP e a tarde marcharam no ato central, e principalmente o grande exemplo das professoras do Pão e Rosas, que junto com os demais professores paralisaram duas escolas na zona norte de São Paulo com o lema "paramos pela educação e pela vida das mulheres", culminando no grande bloco que contagiou a muitas no 8M.

Fortalecer as mulheres trabalhadoras munidas das ideias revolucionárias

É vital para a luta das mulheres um feminismo classista, revolucionário e socialista, por isso no congresso do MRT debatemos de impulsionar junto com nossas companheiras independentes o Manifesto Internacional do Pão e Rosas, fazendo chegar a milhares de mulheres, para convencer de que a emancipação das mulheres não se dará nessa sociedade pautada na exploração e opressão de milhares de mulheres e homens, mas sim na construção de uma nova, socialista e baseada na total liberdade das mulheres e seus corpos. Com atividades, rodas e debates em cada local de trabalho e estudo, debater nosso manifesto, assim como faremos em todos os países em que está o Pão e Rosas, pois consideramos que o Manifesto do Pão e Rosas é uma grande contribuição ao debate de gênero e a luta as mulheres.

Como parte de dar batalhas de classe junto com nossas companheiras discutimos de fazer uma forte campanha em relação a Reforma da Previdência, mostrando como atinge principalmente a vida das mulheres e mais ainda quando se trata das mulheres negras.

Também faremos duas publicações de livros com a questão de gênero ainda neste primeiro semestre. A segunda edição do Pão e Rosas, de Andrea D’Atri e o Marxismo e Feminismo, de Diana Assunção e Andrea D’Atri

Esses exemplos de luta das mulheres e das batalhas que o Pão e Rosas veio dando que citamos nesse texto mostram que as mulheres trabalhadoras e estudantes quando se apropriam de seu classismo e internacionalismo podem fazer a terra tremer.




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