Internacional

ATO INTERNACIONALISTA DA FIT NA ARGENTINA

Del Caño: "Chegou a hora de dar a volta na história e livrar-se do FMI"

O pré-candidato presidencial do PTS (Partido irmão do MRT) na FIT (Frente de esquerda e dos trabalhadores) encerrou o ato massivo que a FIT organizou na Plaza de Mayo pelo dia internacional dos trabalhadores

segunda-feira 6 de maio| Edição do dia

No marco da paralisação nacional e da mobilização que ocorreu nesta terça-feira (30/4), a Frente de Esquerda realizou um ato na Plaza de Mayo, a partir das 17 horas. Este ato constituiu a única tribuna a partir da qual foi levantada a necessidade de derrotar o ajuste do FMI, Macri e dos governadores, no marco do Dia Internacional dos Trabalhadores.

O pré-candidato a presidente da FIT, integrante do PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas, grupo irmão do MRT na Argentina), Nicolás del Caño, foi encarregado de fechar o dia que contou com a participação de outros líderes políticos da FIT e do sindicalismo militante.

Em seguida, reproduzimos seu discurso:

"Boa noite, companheiras e companheiros. Queremos saudar as importantes delegações de trabalhadores que estiveram presentes neste evento e toda a militância da FIT.

Primeiro eu quero, assim como Néstor Pitrola fez no início deste ato, dizer que a Frente de Esquerda rechaça a tentativa de golpe na Venezuela patrocinado pelo imperialismo norte-americano, apoiado por Macri e toda a direita continental. E chamamos todo o povo venezuelano, sem dar qualquer apoio político para Maduro, a não depositar confiança na negociação das Forças Armadas com os golpistas e levar adiante o repúdio e rechaço a este golpe com os métodos da classe trabalhadora e populares, como foi feito em 2002, quando a tentativa de golpe apoiada pelo imperialismo ianque foi derrotada.

Também a partir deste ato prestamos homenagem àqueles ao redor do mundo estão lutando contra os seus exploradores, como os "Coletes Amarelos" na França, como os milhares que foram às ruas na Argélia e Sudão e todos os povos do mundo que eles se levantam contra a fome, a miséria e a exploração dos governos capitalistas.

Viva o 1º de Maio, o dia internacional dos trabalhadores!

Apesar do boicote da CGT e de muitas direções sindicais, no dia de hoje vimos como lutaram trabalhadoras e trabalhadores, incluindo de sindicatos que não convocaram.

No dia de hoje, companheiras e companheiros, vimos uma paralisação muito importante, de grandes setores da classe trabalhadora, que expressaram a vontade de lutar contra o governo e os patrões. E apesar do boicote da CGT e de muitas direções sindicais, no dia de hoje vimos como lutaram trabalhadoras e trabalhadores, incluindo de sindicatos que não convocaram, como aconteceu com a rebelião dos motoristas da UTA contra a condução de Fernandez.

Mas ao contrário dos dirigentes sindicais, muitos deles alinhados com o kirchnerismo, que falaram nesta praça anteriormente, e os burocratas da CGT que também alguns destes conseguiram outro recorde do Guinness chamando uma greve em um feriado, nós aqui somos independente de todos os bandos patronais. Levantamos um programa para que esta crise seja paga pelos grandes capitalistas e não pelos trabalhadores.

Companheiras e companheiros, estamos vivendo a "crônica de uma catástrofe anunciada". Quem poderia esperar outro resultado da submissão ao FMI?

Enquanto o povo trabalhador sofre consequências terríveis, há alguns poucos que ganham milhões em lucros, como os privatistas, os bancos, as companhias petrolíferas, como o próprio presidente e seus ministros, que têm fortunas em paraísos fiscais.

Nós todos sabemos que a inflação não para de aumentar, todos nós vemos como são pulverizados os salários, aposentadorias, que muitas famílias têm que se endividar para pagar por eletricidade ou gás. Noutro dia, uma mulher aposentada se jogou nos trilhos do metrô para tirar a própria vida, porque não tem mais como comprar remédios. Isso me lembrou do aposentado que se pôs em chamas na Grécia no auge da crise. Ou o jovem que se imolou na Tunísia, iniciando a "Primavera Árabe" em 2011.

Porque enquanto o povo trabalhador sofre terríveis conseqüências, há alguns que ganham milhões em lucros, como os privatistas, os bancos, as companhias petrolíferas, como o próprio presidente e seus ministros, que têm fortunas em paraísos fiscais.

Ouvimos Macri dizer permanentemente que o pior já passou. Mas sabemos que o pior ainda está por vir. De 2020 a 2023, o FMI e os novos abutres devem receber 40 bilhões de dólares por ano. Todas as exportações agrícolas chegam a 28 bilhões de dólares por ano. Ou seja, que mesmo com todas as exportações do campo não se chegaria a pagar a dívida.

Todo o peronismo, incluindo o kirchnerismo, nos diz que há uma saída para a crise favorável, sem romper com o FMI. Mas sabemos que isso é mentira. Isso significa continuar no mesmo caminho, é mais ajuste, é aplicar a combinação das contra-reformas que o grande capital quer aplicar, que já estão implementando em muitos países. A reforma trabalhista, para continuar precarizando o trabalho e para que trabalhemos sem direitos, sem proteção como acontece no Rappi, em Glovo, no Uber e em tantas outras empresas. A reforma da previdência, para aumentar a idade de aposentadoria e reduzir os valores dessas. A reforma tributária, para diminuir mais impostos sobre os ricos e elevar aqueles que todos nós pagamos, como o IVA.

Mas nós não somos como eles, falamos com a verdade, como sempre fizemos. Continuar com o FMI é continuar pelo mesmo caminho que estamos vivendo hoje. É o corte para planos sociais, saúde e educação. Está deixando nossos jovens sem futuro, com os piores empregos e as maiores taxas de desemprego.

Se queremos ter um futuro, temos que parar de agradar os poderosos e fazer dos trabalhadores a prioridade de nossa economia.

Hoje a economia é organizada em função do pagamento da dívida aos especuladores. Parece que havia uma lei para Macri, para todos os oponentes peronistas, que diz que primeiro tem que pagar a dívida e então precisa se contentar com o pouco que resta. É por isso que é uma mentira que eles estejam sofrendo pelo que está acontecendo no país, com o que acontece com os trabalhadores.

Se queremos assegurar que os salários e pensões que cubram custo da cesta básica, se queremos ter recursos para a saúde e educação, se queremos ter um futuro, temos que parar de agradar os poderosos e fazer dos trabalhadores a prioridade de nossa economia.

Acreditamos que chegou a hora de mudar a história e temos certeza de que o início deste novo capítulo será se livrando do FMI.

- Há uma maneira de impedir a fuga do capital: nacionalizar o setor bancário e o comércio exterior.

- Há uma maneira de acabar com a pilhagem dos privatistas, que nos rebentou com os tarifaços: nacionalizar todo o sistema energético sob a gestão dos trabalhadores.

- Existe uma maneira de acabar com o desemprego e que nenhum companheiro ou companheira tenha que depender de planos estatais: distribuir as horas de trabalho entre desempregados e empregados e pôr em marcha um plano de obras públicas geridas por trabalhadores.

Como se diz na Frente de Esquerda: o poder tem que mudar de mãos e sair dos exploradores que nos levaram a essa decadência e ir para as mãos da classe trabalhadora, a única capaz de tirar o país do atraso e da dependência.

Em seu recente livro, a ex-presidente diz que eles deveriam se reconciliar ainda mais com os donos do país. Sabemos que muitas companheiras e companheiras têm expectativas de que com Cristina ou alguma variante do peronismo as coisas possam melhorar. Mas vamos refletir sobre o seguinte: é com os governadores da PJ que votaram todas as leis para Macri que vamos virar a maré? É com traidores e burocratas sindicais? É ao mesmo lado da liderança da Igreja que nega o direito ao aborto legal e gratuito? Será com A grande patronal nacional que, juntamente com o imperialismo, orquestraram a ditadura genocida? Claro que não, companheiros e companheiras. Virar a maré é apostar na organização e no programa que realmente defende os interesses da classe trabalhadora.

Este saque que estamos sofrendo está gerando as condições para ações históricas independentes dos trabalhadores. De adiantado, vimos em dezembro de 2017, quando nos mobilizamos maciçamente contra a reforma da previdência. E embora nós não tenhamos conseguido impedir que a lei, que foi apoiada por quase todos os partidos, incluindo governadores como Alicia Kirchner, fosse aprovada, nós colocamos um freio parcial a Macri e de lá começou a aumentar a oposição popular às suas políticas. Para mudar o curso, precisamos de milhões de trabalhadores para as ruas. Precisamos de um plano real de luta que comece com uma greve geral ativa de 36 horas e que culmine na greve geral política, para derrotar o FMI, Macri e os governadores.

Para evitar essa perspectiva, ontem eu escutei a Massa, dizendo que eles já estão preparando saídas pelas costas do povo, fazendo pactos entre os partidos tradicionais. Isso é o que propõe Massa, com as cúpulas empresariais, da Igreja e da burocracia sindical. Contra estes pactos e contra o regime FMI, levantamos a luta por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, onde se possa discutir e resolver todos os principais problemas que afetam as maiorias trabalhadoras. A Frente de Esquerda é a única que propõe uma saída democrática de emergência! Abaixo os pactos pelas costas do povo!

Este 29 de maio marcará o 50º aniversário da Cordobazo, essa grande greve ativa, onde milhares de trabalhadores e estudantes derrotaram as forças repressivas nas ruas e feriram mortalmente a ditadura de Onganía, que disse que ficaria no poder por vinte anos.

Viva o Cordobazo e todos os levantamentos operários e populares que marcaram a história de nossa classe!

Nós não podemos esperar nem mais um minuto, temos que sair e organizar dezenas de milhares com os nossos métodos, sob o nosso programa, a fim de disputar a consciência de milhões e milhões de trabalhadores.

Sabemos que há muita incerteza. E além da forma de como se desenvolvam os meses antes das eleições, sabemos que mais cedo ou mais tarde haverá revoltas dos trabalhadores e do povo pobre, como vimos em 2001 quando tiramos De la Rua. Mas a diferença é que, desde a esquerda operária e socialista, temos muito mais ferramentas, muito mais militância, muito mais reconhecimento na realidade política nacional.

Não podemos esperar nem mais um minuto, temos que sair e organizar dezenas de milhares com os nossos métodos, sob o nosso programa, a fim de disputar a consciência de milhões e milhões de trabalhadores.

Não há meias medidas. São eles ou nós. Com a força desses milhares de lutadores e lutadores que estão aqui hoje, vamos sair para a luta, impulsionando uma resposta ativa do movimento de massa para esta crise e fortalecer a Frente de Esquerda.

Sabemos também que esta luta é a nível internacional. É por isso que continuamos a levantar a bandeira e dando a luta em muitos países, como fazemos na Fração Trotskista, para construir a ferramenta internacional de trabalhadores e trabalhadoras, para a construção da IV Internacional fundada por Leon Trotsky.

Viva o 1º de maio! Viva a Frente Esquerda!"




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