MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Defensor do Escola sem Partido, Ministro da Educação diz: "devemos comemorar o golpe de 64"

Em escandaloso texto publicado em seu blog, Ricardo Vélez Rodríguez, Ministro da Educação escolhido por Bolsonaro, diz que o dia em que foi instaurado o golpe militar, 31 de março de 1964, é uma data que deve ser comemorada.

sexta-feira 23 de novembro| Edição do dia

Em mais uma mostra do governo que está por vir em 2019 com o ultradireitista Jair Bolsonaro, em especial seu significado para educação, seu mais novo ministro faz escandalosas declarações saudosistas do golpe militar ocorrido em 1964, responsável pela tortura e morte de milhares de jovens e trabalhadores, para ele, esse momento nefasto da história deve ser comemorado.

Para Vélez, as mortes por torturas, as prisões ilegais, a perseguição política a trabalhadores e estudantes que lutassem por seus direitos, a censura aos professores, intelectuais, artistas, o desaparecimento de militantes, faz parte de algumas “falhas” e “excessos” de um período bem sucedido e grandioso para o país.

Vélez também atacou a Comissão da Verdade criada em 2011. Comissão essa que já partia do pressuposto da impunidade dos militares que aplicaram o golpe militar e os empresários que o patrocinaram (parte da estratégia de conciliação do PT com as Forças Armadas), mas incomoda Vélez por trazer a tona o fato de que o período ditatorial foi marcado por tais perseguições e mortes. O comandante Ustra, “grande” herói de Bolsonaro do período, era famoso na época da ditadura por ser exterminador de travestis e assassino de comunistas.

Esse tipo de declaração deixa claro porque tanta luta pela "escola com partido único" defendida por esses senhores, e tanto ódio ao ensino de história nas escolas, Rodríguez e Bolsonaro querem a omissão da realidade para defender o indefensável: a barbárie imposta pelo golpe militar de 1964. Que tinha sobretudo como objetivo massacrar a classe trabalhadora, os camponeses e seus representantes, freando o ascenso em curso que se aliava inclusive a bases de soldados, em luta por direitos sociais que ameaça a ordem dominante de exploração e poderia ter aberto o caminho para um governo próprio que rompesse todos os elos que buscam cada vez mais subordinar o nosso país ao imperialismo norte-americano.

O futuro Ministro que defende através do Movimento Escola sem Partido a supressão da liberdade de pensamento crítico e da liberdade de cátedra dos professores, que prega a perseguição nas escolas, a proibição da liberdade de debate de gênero e sexualidade entre os jovens, indicado por Olavo de Carvalho pelo seu combate reacionário e falsificados das ideias de esquerda, é um vassalo de Bolsoaro para, ainda que de outra maneira, alcançar um objetivo parecido de avançar brutalmente para esmagar os trabalhadores e o povo pobre em busca por uma resposta a sua situação cada vez mais miserável, e para isso enxerga nos professores o inimigo número 0.

Bolsonaro precisa atacar os professores, por isso deu largada a "caça as bruxas" nas escolas com tal Movimento de censura que é muito mais uma força por baixo do que simplesmente um Projeto de Lei. Por estar cotidianamente em contato com os dramas de centenas de crianças da classe trabalhadora, de suas famílias, sentindo o peso do desemprego, da superexploração, das reformas trabalhistas, da miséria, do racismo, da homofobia, acabam se tornando porta-vozes dessas demandas e representantes da necessidade de lutar para sair desses problemas.

Daí a potencialidade dessa categoria e o medo que causa a Bolsonaro e companhia, daí a vocação de que sejam a primeira fileira da luta de todos os trabalhadores contra os ataques que estão por vir. Essa força não é abstrata, mesmo com todo o freio imposto pelos sindicatos e centrais sindicais como a CUT e CTB (dirigidas por PT e PCdoB), e a estratégia parlamentar da própria esquerda que secundariza a luta dos trabalhadores, os professores mostraram nos últimos anos a sua força em todos os momentos decisivos, foram a vanguarda das paralisações nacionais do ano passado em março e abril, nas mobilizações contra o golpe e mais recentemente no movimento #EleNão.

Nós do MRT, Esquerda Diário e Movimento Nossa Classe Educação colocamos todas as nossas energias e esforços na luta por organizar um plano concreto com ações práticas unificando professores e demais categorias, para enfrentar esse projeto de lei de mordaça. É preciso que os trabalhadores, com os professores na primeira fileira, se organizem, se unam e se levantem em todo o país, pressionando os sindicatos por um plano de lutas unificado que coloque em cena a força da classe operária, para enfrentar ataques como esse, contra os direitos democráticos, contra os setores oprimidos, que vem de braços dados com reformas como a da previdência, que somente o gigante operário pode derrotar.




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