Opinião

ELEIÇÃO ANDES-SN

Defender uma perspectiva classista: um debate nas eleições da diretoria do ANDES-SN

terça-feira 8 de maio| Edição do dia

Durante os dias 09 e 10 de maio acontecerão as eleições para a Diretoria do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN para o biênio 2018-2020. Pela primeira vez em mais de uma década participaram duas chapas que expressam com clareza uma divisão política na superestrutura da categoria entre aqueles que defendem um sindicato classista, autônomo dos governos, do Estado e dos patrões construído desde a base, a chapa 1 “ANDES Autônomo e de Luta”; e aqueles que entendem que é preciso que o sindicato fique subordinado à dinâmica política do Partido dos Trabalhadores (PT) e sua impotência na luta contra o golpe institucional, a chapa 2 “Renova ANDES-SN”.

A chapa 1 tem como candidatos a presidente, Antônio Gonçalves Filho (APRUMA); a secretária-geral, Eblin Farage (ADUFF); e a tesoureira, Raquel Dias Araújo (SINDUECE), enquanto que chapa 2 tem como candidatos a presidente, Celi Taffarel (UFBA); a secretária-geral, Maria de Lourdes Nunes (ADUFPI); e a tesoureiro, Everaldo Andrade (ADUSP).

A chapa 1 é expressão da continuidade da atual gestão do sindicato construída por uma maioria independente de esquerda e partidos como o PSOL e o PCB, mas que em geral, diferentemente da atual adaptação destes dois partidos ao programa do neodesenvolvimentismo lulista (como criticamos aqui), pela lógica de assembleias de base periódicas por setor acabam subordinando sua intervenção às decisões dos filiados no sindicato. É expressão de uma corrente heterogênea de professores, mas que foram os que participaram das poderosas greves do sindicato desde 2012, assim como as campanhas unificadas com o conjunto dos servidores públicos federais sem se subordinar politicamente aos governos de Lula, Dilma nem a CUT.

A chapa 2 é expressão no interior do sindicato de uma política que não conseguiu avançar com a criação de um sindicato paralelo, o PROIFES, criado pelo governo Lula desde o estado para atacar o sindicalismo classista. Foram aqueles que assinaram acordos durante greves combativas de meses sem respeitar as assembleias de base e os grandes responsáveis por defender politicamente as distorções que existem na atualidade na carreira dos docentes.

A chapa 1 é continuidade da atual gestão do sindicato, mas sem o PSTU, que se atrelou à política da direita golpista desde 2016. Nesta conjuntura é importante, porque em grande medida o crescimento da chapa 2 tem relação também com a ausência de delimitação com a direita por parte destes sectores em relação ao golpe, além da nova situação política em que se encontra o PT e o PCdoB depois do golpe institucional, com críticas discursivas a Temer mas sem organizar um verdadeiro plano de lutas. A aliança com o PSTU se transformou um peso político, por isto a posição da chapa tem diferenças políticas claras e até expressas publicamente com o campo majoritário da CSP-Conlutas em relação com o golpe e a prisão de Lula, o que é uma novidade política. Mantém uma posição crítica ao golpe institucional, entendido como ataque aos direitos democráticos sem desvincular isso com os ataques de conjunto que está recebendo a classe trabalhadora. Do ponto de vista político defendem um sindicato autônomo, do ponto de vista que se defende a filiação voluntária e devolve o imposto sindical, mecanismo que utiliza o Estado para atrelar os sindicatos a este, coisa rejeitada pelos sindicatos cutistas.

Isso não nos faz, desde o MRT, secundarizar a crítica à absorção do PSOL e PCB à órbita política do petismo no plano nacional, com o qual não concordamos, uma vez que renuncia à mais elementar independência de classe frente ao neodesenvolvimentismo burguês (no caso do PSOL, assinando inclusive um Manifesto com partidos burgueses como PSB e PDT, além dos conciliadores PT e PCdoB, Manifesto com o qual o PSOL deveria romper imediatamente).

O fracasso do PROIFES, um sindicato burocrático dependente do Estado, criado pelo Ministério de Educação, fez com que algumas das forças políticas que apoiaram sua criação, como a corrente O trabalho, uma pequena corrente interna do PT de origem lambertista, em referência ao dirigente francês Pierre Lambert o qual terminou apoiando a Miterrand na França, mas é a força política que encabeça a chapa 2, que tem também integrantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido da Causa Operária (PCO) e a Consulta Popular (CP).

A Chapa 1 no seu programa e declarações políticas considera que estamos frente um fim de ciclo de um conjunto de governos e que é necessária a reorganização da classe trabalhadora sobre a base da autonomia sindical e de uma ampla unidade para a ação.

Entendem que o que está em jogo nas eleições do ANDES-SN é a avaliação de qual sindicato será capaz de enfrentar as contrarreformas neoliberais e seus impactos sobre o trabalho do docente: um sindicalismo orientado pela estratégia democrático-popular dos governos de conciliação de classes ou um sindicalismo que se pauta pela independência e autonomia frente aos governos e às administrações universitárias realizando “ANDES Autônomo e de Luta”, uma aposta política por esta última.

A chapa 2 centralmente faz uma avaliação que, desde a greve das universidades federais de 2012 o PROIFES entrou em crise e por isso decidiram construir o Fórum Renova Andes-SN no interior do sindicato, é uma chapa que tem uma caraterização da conjuntura política petista e quer subordinar a agenda de lutas ao calendário parlamentar no caso da reforma da previdência, defendendo uma política de conciliação de classes e uma crítica justa ao golpe mas sem realizar um balanço critico das políticas petistas que permitiram este avanço da direita.

Neste contexto, mesmo tendo grandes divergências políticas com o PSOL e o PCB, entendemos ser importante apoiar a Chapa 1 em ANDES Autônomo e de Luta nestas eleições de ANDES-SN, na perspectiva de manter um sindicato classista, autônomo dos governos, dos patrões e do Estado, para organizados desde a base em assembleias, articulemos a luta econômica com a luta política exigindo a partir destas que a CUT e a CTB organizem uma greve geral para lutar efetivamente contra as políticas do governo golpista institucional de Temer e derrogue as leis antitrabalhistas.

Consideramos fundamental uma posição política de independência de classe e anti-imperialista no âmbito sindical, que sintetizamos aqui.




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