Opinião

CRISE PT

Decadência do PT: Qual sua relação com a independência de classe?

O super trunfo do petismo, o argumento máximo que usavam era aquele do "hoje em dia a filha da diarista faz faculdade junto com o filho da patroa, graças ao Lula", ou algo como "hoje em dia tem pobre no aeroporto isso graças ao PT", enfim, argumentos dizendo que o pobre conseguiu mais espaço na sociedade.

Castor

Estudante Ciências Sociais USP

quinta-feira 22 de dezembro de 2016| Edição do dia

Realmente é um progresso numa sociedade com a desigualdade social tão imensa como no Brasil que os explorados e oprimidos consigam certo espaço, onde a maioria dos jovens negros e pobres não consegue entrar, nas renomadas faculdades públicas. Não conseguem graças ao filtro elitista do vestibular, que só deixa passar quem estudou em escola privada cara ou fez cursinho de 2.000 reais, o Enem transformou isso um pouco com suas "políticas de inclusão".

Graças ao crescimento econômico do Brasil, a renda de grande parte da classe trabalhadora aumentou também, esses tempos dourados permitiram ao pobre comer no Outback, tomar uma bebida no Starbucks, financiar um carro e uma casa, e até viajar de avião com uma boa economia, a tal da "classe C", a capacidade de consumo dessas pessoas aumentou, aumentando também a convivência de distintas classes nos mesmos espaços de consumo transporte, isso incomoda os ricos.

Entretanto, esse “grande triunfo”, as mudanças que mais usavam como argumento em defesa do PT, que usavam até para justificar uma defesa com críticas (nunca vejo as críticas), como é a linha do Levante Popular. Enfim, hoje, tudo isso se desmorona com uma das piores crises econômicas que já atingiu o Brasil, a marolinha descrita por Lula, se transformou numa tsunami, e agora vemos ela quebrando em cima de nossas cabeças, isso tem um motivo claro, a falta de independência de classe, não representaram os interesses dos trabalhadores, mas sim dos latifundiários, dos grandes empresários, não é mérito nenhum do petismo essas políticas de inclusão, desse desenvolvimentismo, não há maneira alguma de melhorar (considero melhorar algo que seja permanente, um avanço real, e não uma ilusão que se desmancha com uma crise) as condições de vida dos explorados e oprimidos numa democracia dos ricos, dando as sobras quando sobra, e cortando a carne dos trabalhadores quando falta, como Dilma começou a fazer antes do golpe.

Hoje a filha da diarista teve que voltar para casa porque o governo está cortando o auxílio moradia, além da mãe trabalhar sem carteira assinada e estar precisando de ajuda financeira.

O aeroporto esvaziou, o público tradicional está super feliz de ver que aquela gentinha voltou a viajar de ônibus.

Todos esses mínimos avanços que reivindicaram estão se desmanchando no ar, sendo pulverizados por ajustes, ataques e repressão. A miséria do possível, mais uma vez na história, mostra o quanto é trágica, e faz milhões de vítimas. O que sobra? A desilusão, a melancolia, o ceticismo, que usam pra fazer política, um novo projeto farsante, um Lula 2018, ou Ciro Gomes quem sabe.

Deixam a CUT, a CTB e a UNE numa grande paralisia, propositalmente, porque o PT tem mais medo da luta de classes do que do Bolsonaro, Cunha, Katia Abreu, Maluf, e um longo etc. Isso justifica o ceticismo que tentam espalhar. Para eles a saída não se dá pela organização dos trabalhadores, jovens e oprimidos, preferem ignorar as lutas dos secundaristas, e a maior onda de greves e lutas operárias desde 80, dizem que estamos derrotados, nos querem adormecidos.

Não podemos ter como saída Lula, eleições gerais ou uma constituinte exclusiva, muito menos esperança na lava jato e no Mouro, como o MES de Luciana Genro faz. Infelizmente, grande parte da esquerda e suas direções fazem o mesmo que o petismo, deixa de lado a independência de classe em busca de atalhos, se junta a FHC querendo Eleições Gerais, ao MBL e a Lava Jato pelo golpismo, adaptações absurdas que, que iludem e dão de bandeja uma parcela muito grande da população ao que tem de mais reacionário, essas saídas não questionam em nada o capitalismo, os privilégios dos políticos, a corrupção e a precarização da vida, muito pelo contrário, fortalecem o campo inimigo.

Cada vez mais os ouvidos se abrem para ideias "radicais" que os próprios governantes burgueses nos prometem mas não cumprem. Ideias radicais como saúde educação pública de qualidade controlada pelos que trabalham e utilizam. O não pagamento de uma dívida que rouba mais de 50% do orçamento da união. Da onde veio essa dívida e para onde vai esse dinheiro?

Porque há tanto privilégios para juízes e políticos? Quem elegeu esses juízes? Porque não ganham igual uma professora? Para que serve aquele senado se não pra ser mais um ninho de ratos? Uma cópia da câmera só que pior. Porque há tantas terra na mão de poucos? Porque não distribuir essas terras e torná-las produtivas ou transformá-las em reservas ambientais?

Todas essas ideias e muitas outras devem ser debatidas, disputadas e defendidas, por isso lutar por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, construída e imposta pela luta, que tenha uma ala independente dos patrões, anticapitalista e socialista, que questione essa democracia degradada e degenerada, que questione todos esses privilégios e injustiças, tarefas que nem Lula, Eleições Gerais e nem a Lava Jato podem cumprir ou cumprem.




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