Teoria

DEBATES DA ESQUERDA

Debate no IFCH-Unicamp discute as saídas da esquerda para a crise política

Iuri Tonelo

São Paulo

quarta-feira 28 de junho| Edição do dia

No final da tarde desta terça-feira, 27, ocorreu um importante debate no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp a respeito das distintas saídas políticas que a esquerda propõe para a atual conjuntura de crise no regime e de reformas contra os trabalhadores.

Neste texto, publicamos um valioso comentário do editor do Esquerda Diário, Iuri Tonelo, a respeito de algumas das posições que apareceram no debate. Confira.

"Ontem teve um importante debate no IFCH-UNICAMP sobre as alternativas para o país, em que estavam presentes o MRT (Magrão), MAIS (Silvia Ferraro), CST (Diego) e PCB (Yuri). Todos partiram de ser contra Temer e as reformas, mas também partir da necessidade da esquerda criar uma alternativa ao PT.

O que dividiu o debate foi a resposta política a esse problema. Entre as distintas questões interessantes, queria chamar a atenção para um ponto, que foi talvez o mais polêmico: para defender a mesma política que o PT está defendendo, as Diretas Já, o MAIS diz que ao contrário do PT essa política não é um fim em si para eles, mas um "meio". Meio para que, perguntaríamos? "Para mobilizar as massas", responderia o MAIS.

Essa lógica, nas elaborações objetivistas de Nahuel Moreno nos anos 1970-80 era expressão de um contexto de elementos de crise revolucionária, onde já se cometia o erro de separar a “mobilização” do “objetivo” e criava-se a ilusão de que “mobilizar as massas” incondicionalmente levaria a revolução – como um carro numa ladeira, é só soltar os freios que ele vai andar num dado sentido, seria inevitável. Um erro objetivista. Mas reproduzir esse erro num contexto bastante diferente tem consequências mais graves.

Ao seguir e aprofundar essas lógica, o PSTU foi parar nas "massas, que se mobilizavam nas ruas"....em defesa do impeachment (!!). Essa é a lição elementar crítica ao morenismo que o MAIS insiste em não aprender: não se pode separar o "mobilizar as massas" do “sentido”, o “objetivo”, que elas se colocam nessa mobilização. Ou seja, continuam entendendo que se a consigna mobiliza as massas então é positivo (é preciso esclarecer que não tem mobilização de “massas” pelas Diretas, não vemos, se utilizarmos o termo “massa” como uma expressão quantitativa e qualitativa da classe trabalhadora e setores populares, não vemos de modo algum “massas mobilizadas”).

Ou seja, agora o MAIS repete o mesmo erro, que terá consequências desastrosas para essa organização: em nome de "mobilizar as massas", defendem a mesma bandeira que o petismo e até figuras da burguesia, como FHC, sem perceber o enorme pacto que está sendo construído em torno das “Diretas Já” e contra a greve geral. Claro, na “propaganda”, explicam que é diferente como defendem as Diretas Já, mas a política concreta, a consigna de agitação, é a mesma - precisamente nesse contexto de tentativa de enterrarem a greve geral.

As burocracias já começaram a fazer jus ao pacto e colocar o pé no freio da greve geral, marcando um ato pelas diretas, e não com ênfase nas reformas, sem construir assembleias de base etc, colocando o pé no freio da greve de conjunto.

É preciso fazer exigência, "tomar a greve geral nas nossas mãos", e denunciar a traição que setores das centrais cometem, especialmente os que fazem isso com fins eleitorais, ou seja, pra conquistar Diretas Já às custas de enterrar a greve geral.

Não perceber esse pacto de estabilização do degradado regime político que vivemos e contentar-se em estar com a política que supostamente "mobiliza as massas" (não trabalhadoras, claro) será um erro fatal no plano histórico atual."




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