VACINA E A DISPUTA ELEITORAL

De olho em 2022, Bolsonaro é obrigado a recuar e entra na disputa pela vacina

Doria toma a dianteira em apresentar um plano de vacinação, ganhando pontos na corrida eleitoral de 2022. Bolsonaro, pressionado, se vê obrigado a recuar e apresentar algum plano de vacinação para o Brasil.

quinta-feira 7 de janeiro| Edição do dia

[Foto: Evaristo SA / AFP]

O ministro da saúde de Bolsonaro, Eduardo Pazuello, fez dois pronunciamentos entre ontem e hoje para anunciar medida provisória de um plano nacional de vacinação. O centro de seu discurso era relocalizar o governo negacionista frente ao anúncio de Joao Doria, governador de SP, da eficácia da Coronavac, o pedido à Anvisa para uso emergencial e um plano de vacinação para o estado com início em 25 de janeiro. Doria se apresenta como um dos principais concorrentes de Bolsonaro à presidência em 2022. Essa corrida eleitoral pressiona Bolsonaro, e também o anseio de 73% da população pela vacina.

Dessa forma, o governo Bolsonaro passa de não ter plano algum para ter um plano incerto. Pazuello rebateu as notícias dos dias anteriores de falta de seringas dizendo que existe 62 milhões disponíveis para a vacinação nacional, mas ainda não comprovou essa informação. Também declarou que o governo federal esteve junto ao desenvolvimento da Coronavac, investindo no Instituto Butantan e participando da fase 3 das pesquisas. Ignorando as declarações de Bolsonaro, tenta reescrever os fatos.

Em que pese a enorme euforia frente a um possível horizonte de vacinação, diga-se de passagem, totalmente legítima. A realidade é que Doria e Bolsonaro se utilizam disso como um fato midiático em favor de suas campanhas, porque o Brasil já está atrasado em iniciar a imunização. E quanto mais atraso, mais mortes veremos porque nenhum dos dois adotou as medidas necessárias para ampliar o sistema público de saúde e garantir o atendimento de todos os mais de 7 milhões que já estão infectados. Depois de 1 ano do início da pandemia, poderíamos estar melhor preparados se a opção não tivesse sido o investimento em estruturas temporárias como os hospitais de campanha, mas sim a reabertura dos que estão fechados.

Continua necessário e urgente a contratação de trabalhadores para ampliação do SUS e para os serviços essenciais, o financiamento público das pesquisas, a reconversão da indústria para produção dos insumos necessários, a testagem massiva para organizar a quarentena, a renda emergencial no valor da média salarial das famílias trabalhadoras, R$ 2 mil, e a proibição das demissões. Isso só é possível pela via de uma mobilização independente dos trabalhadores contra todas as alas desse regime do golpe.




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