Política

ELEIÇÕES CAMPINAS

Dário e Zimbaldi: os trabalhadores precisam enfrentar os dois projetos da direita de Campinas

O segundo turno, na cidade de Campinas, expressa o fortalecimento do conservadorismo com duas alternativas responsáveis por uma década de ataques aos trabalhadores da cidade. Em uma eleição marcada por candidaturas da política burguesa tradicional que misturavam “perfis técnicos e de gestores” com posicionamentos conservadores para se aproximar de todos os espectros da direita: do centro ao bolsonarismo, Dário Saadi (Republicanos) com 25,78% dos votos e Rafael Zimbaldi (PL) com 21,86%, disputam a prefeitura da cidade.

terça-feira 24 de novembro de 2020| Edição do dia

Nacionalmente os setores políticos que mais se fortaleceram nestas eleições municipais foram os partidos políticos do chamado “centrão”. O segundo turno, na cidade de Campinas expressa esse fortalecimento com duas alternativas do conservadorismo responsáveis por uma década de ataques aos trabalhadores da cidade. O primeiro turno das eleições já foi marcado por candidaturas da política burguesa tradicional que misturavam em seus discursos “perfis técnicos e de gestores” com posicionamentos conservadores para se aproximar de todos os espectros da direita: do centro ao bolsonarismo. Como vitoriosos saíram dois candidatos que participaram ativamente do governo de Jonas Donizette: Dário Saadi (Republicanos) com 25,78% dos votos e Rafael Zimbaldi (PL) com 21,86%.

Dário Saadi é o candidato que assume a continuidade do governo de Jonas Donizette (PSB). Foi secretário dos Esportes na última gestão e se filiou, para disputar a prefeitura, ao partido intimamente ligado ao pastor Edir Macedo e aos filhos de Bolsonaro, o Republicanos, recebendo apoio do reacionário PSL. O governo de Jonas Donizette foi ativo na aplicação nos munícipios e Estados da Reforma da Previdência de Guedes e Bolsonaro, presidindo a Frente de Prefeitos pela Reforma da Previdência e não hesitou em aprovar a reforma em Campinas em meio a pandemia, que chegou a ter índices de morte altíssimos na cidade. Dário Saadi é assumidamente continuidade de um governo rodeado de escândalos de corrupção, como o caso do Hospital Ouro Verde, e de nepotismo, de repressão policial marcada no assassinato do jovem negro Jordy e na proposta de militarização das escolas, que deu continuidade a um sistema de transporte caótico que literalmente retira dinheiro público para dar ao empresariado do transporte, da repressão contra as ocupações populares como o Mandela. Será continuidade também do governo dos tarifaços contra a população com aumentos anuais de água, passagem e IPTU.

Rafa Zimbaldi (PL), por sua vez, buscou se distanciar do governo do PSB apesar de ter sido um fiel escudeiro do mesmo. Defendeu o Jonas Donizette nas acusações de corrupção e nepotismo, liderou a reacionária câmara dos vereadores de Campinas, articulou a implementação das OSs, participou da campanha reacionária e obscurantista contra os debates de gênero e sexualidade na cidade.

Como deputado estadual, Zimbaldi foi ativo apoiador de Dória articulando e votando a favor da Reforma da Previdência e do Projeto de Lei 529/2020 que extingue estatais e fundações, diminui benefícios fiscais na cobrança de impostos, estabelece um plano de demissão voluntária que pode atingir cerca de 5 mil servidores estaduais. O projeto também antecipa a Reforma Administrativa de Guedes e Bolsonaro e contém ataques ao coração da pesquisa e da ciência, que vieram sendo profundamente atacadas no governo Bolsonaro retirando um montante importante de verba da FAPESP, além de aumentar impostos como IPVA e ICMS.

A relação de Zimbaldi com PSDB está, nesta eleição, consolidada por uma estreita aliança costurada por Carlos Sampaio, um tradicional político tucano da cidade, com sua mulher, Annabê, sendo vice candidata. Zimbaldi já apoia com veemência todos os ataques de Dória e PSDB na assembleia estadual, esta aliança com PSDB pretende nada mais nada menos do que aplicar versões municipais dos ataques tucanos.

As duas variantes golpistas e conservadoras que disputam a prefeitura em Campinas simbolizam um perfil político que busca não se apresentar diretamente com o bolsonarismo, mas que estão cotidianamente aliados a extrema-direita, seja nos ataques econômicos como privatizações, Reforma da Previdência, Reforma administrativa, seja, na alimentação do conservadorismo obscurantista se apoiando nos políticos religiosos de direita.

Os dois candidatos compartilharam os ataques de Jonas Donizette (PSB), as articulações e flertes com a extrema-direita e a todo momento querem incentivar e colher os votos do conservadorismo religioso e do próprio bolsonarismo. Rafael Zimbaldi saudou a vitória de Bolsonaro nas eleições federais como a consolidação de uma tendência que ele se entende parte: o conservadorismo. Sua coligação conta com partidos leais ao bolsonarismo como o PSC e o PP. Dário Saadi por sua vez conta com o apoio do próprio PSL e seu partido o Republicanos possui um conjunto de figuras que estavam empenhadas na fracassada tentativa de formar o partido de Bolsonaro Aliança pelo Brasil.

Desde o primeiro turno o espectro conservador da cidade se dividiu entre vários candidatos dando um tom bastante reacionário para a campanha. O próprio PSL se dividiu em um primeiro momento com Major Olimpio declarando apoio a Zimbaldi antes da aliança deste com o PSDB. Agora, os diferentes setores da direita e extrema direita se reagrupam em apoio a um dos candidatos em busca de benesses no futuro governo. É o caso de Artur Orsi, ex-candidato que era apoiado pelo reacionário bolsonarista Tenente Santini e que já declarou apoio a Dário Saadi.

O segundo turno das eleições campineiras está marcado por duas alas de partidos golpistas, privatizantes e conservadores que apesar do perfil “técnico” vendido na campanha acolhem o mais podre reacionarismo e a própria extrema-direita. Dário Saadi e Rafael Zimbaldi são dois frutos de anos de governo do PSB, que se uniu agora em apoio a candidatura de Boulos na prefeitura de São Paulo na chamada Frente Ampla.

Veja: Não é possível combater a direita e o regime do golpe com uma frente ampla com burgueses e golpistas

Campinas é a prova de que esse partido golpista, permeado de elementos reacionários e amigáveis ao bolsonarismo é um inimigo dos trabalhadores, de longe, não é um aliado.

A postura da esquerda que aceita esse tipo de aliado é o oposto do que deve ser feito no combate contra a direita e seus ataques. O PSOL, em Campinas, já havia abdicado de uma candidatura própria para estar junto com o PT, um partido que possui um histórico de gestão com ataques e repressão aos trabalhadores, representado pela candidatura Tourinho-Edilene. Esse mesmo partido se coligou com o PSL em 140 municípios, inclusive em Sumaré cidade da região metropolitana de Campinas.

Nós do MRT consideramos um erro essa aliança, abrimos esse debate com o PSOL e a partir da coligação retiramos nossa candidatura para vereança da cidade, pois compreendemos que o necessário não são alianças eleitorais, inclusive com partidos burgueses e golpistas, buscando ser parte de administrar o regime golpista no Brasil, mas sim uma Frente Única Operária com objetivos de ação claro na luta de classes que possa unificar os trabalhadores contra os ataques que vêm das mais variadas faces da política burguesa.

Assim, consideramos necessário repudiar com o voto nulo os dois bandos que disputam a prefeitura de Campinas e lutar por uma esquerda com independência de classe na cidade de Campinas, que unifique mulheres, negros e lgbts juntos aos trabalhadores para superar a paralisia das direções burocráticas sindicais e que esteja disposta a barrar os ataques na luta de classes.




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