Educação

GREVE PROFESSORES SP

Danilo Magrão e Marcio Barbio direto da ocupação de professores na ALESP

quinta-feira 16 de abril de 2015| Edição do dia

Desde a tarde de 15 de abril os professores em greve da rede estadual de São Paulo estão na Assembleia Legislativa. Eles ocuparam a ALESP após uma audiência pública, em que os professores expuseram novamente suas demandas. Depois disso, permaneceram ocupando o prédio. Marcio Barbio, diretor de oposição da Apeoesp, e Danilo Magrão, professor de Campinas, ambos militantes do Professores pela Base – Movimento Nossa Classe, estavam na ocupação, de onde nos concederam essa entrevista na manhã de hoje.

ED: Por que os professores ocuparam a ALESP na tarde de ontem?

Danilo Magrão: Estamos em greve há 33 dias. Desde então o governo de Geraldo Alckmin se negou a negociar com os professores. A grande mídia reproduz as afirmações do governo, de que já teríamos recebido reajustes significativos nos últimos anos e por isso não teríamos motivos para parar.

Porém, o que não se diz é que para alcançar o piso salarial, o professor da rede estadual de São Paulo deve encarar jornadas extremamente desgastantes, o que faz com que muitos não o atinjam. A OCDE publicou uma pesquisa recente na qual mostra que, de 34 países estudados, os professores brasileiros recebem o pior salário, ficando à frente apenas da Indonésia, e trabalham 6 horas a mais. Além disso, há o problema da superlotação de salas e a demissão de dezenas de milhares de professores precários. A ocupação da ALESP foi uma medida para chamar a atenção de todos para essa realidade, e para que o governo abra negociações imediatas.

ED:Qual a opinião de vocês sobre a afirmação do governo de que não se pode aumentar o orçamento para a Educação e o salário dos professores?

Marcio Barbio: Isso é um grande contrassenso. O governo do estado de São Paulo diz que não pode aumentar os salários dos professores, mas aumentou os do próprio governador e seus assessores. Além disso, em 2014 estima-se que o rombo deixado pela corrupção no governo tucano de São Paulo custou aos cofres públicos cerca de 232 milhões de reais. Alckmin alardeou que acaba de pagar 1 bilhão de reais de bônus, destinado a alguns professores. Por isso defendemos que todos os políticos, e funcionários de alto escalão do governo, ganhem o mesmo que um professor com dez anos de carreira e que os cargos dos políticos sejam revogáveis. Isso seguramente dificultaria muito os níveis de corrupção e desvios de recursos públicos que assolam o país. E também é importante que o bônus seja incorporado ao salário, aumentando efetivamente a renda de todos os professores.

ED:Quais são os próximos passos do movimento?

Marcio Barbio: Há uma nova negociação marcada com o governo para o dia 23 de abril. Nós avaliamos que ela deveria ser adiantada para essa semana. Nossas pautas são urgentes. Mas reafirmamos que se debata o conjunto das nossas reivindicações, que envolvem a questão salarial, mas também condições básicas para uma Educação de qualidade, pública e gratuita para todos. Também defendemos que o novo ativismo que surgiu nessa greve, expresso nos comandos de greve que surgiram em várias regiões, deve ter voz nas assembleias. E devem compor a comissão de negociação, ao lado do sindicato. A própria negociação deve ser transmitida ao vivo, para todos os professores, do lado de fora da Secretaria de Estadual de Educação, onde provavelmente ocorrerá. Precisamos avançar para estabelecer uma nova prática política, na qual esse ativismo defina realmente os rumos da luta.




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