Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

Dados ISP: Mortes pela polícia genocida sobem 88% em um mês no Rio de Janeiro

De acordo com números divulgados nesta segunda-feira (22) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), as mortes por intervenção da polícia aumentaram 88,6% entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano no Rio de Janeiro. As mortes subiram de 79 para 149 em um mês, sendo o segundo maior número desde o início da pandemia em março de 2020.

segunda-feira 22 de fevereiro| Edição do dia

Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Esses dados mostram que nem mesmo a pandemia, com o menor isolamento social possível realizado, pôde reduzir a letalidade policial no Rio. Este estado é o primeiro da lista no que se refere à morte por policiais, ele responde por quase 40% das mortes de crianças e adolescentes decorrentes de intervenção policial no país e esse percentual mais que dobrou nos últimos dois anos, de 16,5% para 37,62%. Contudo, os registros são insuficientes e em grande medida distantes da realidade, pois metade deles não têm a idade da vítima informada.

Somente neste ano de 2021, a polícia já tem mostrado e colocado em prática o seu projeto racista e genocida, com a morte do trabalhador Marcelo, que estava passando de moto por baixo de um viaduto da Linha Amarela quando foi morto com um tiro no peito, disparado por policiais, que afirmaram ter tido uma “troca de tiros”. Outro caso foi o assassinato do gari Marcelo Almeida, que foi atingido por um tiro nas costas na madrugada a caminho do trabalho, disparado também pela polícia, que carregou seu corpo para o hospital alegando que ele estava “passando mal”.

Não contente com assassinar trabalhadores e pais de família, a polícia também coloca seu projeto à prova com crianças, como foi o caso da menina Ana Clara, de 5 anos, assassinada em frente a sua casa enquanto brincava com seu irmão em Niterói. Sua mãe gritava por socorro enquanto um dos policiais falava “fiz besteira”. Ana Clara foi apenas mais uma vítima do genocídio gratuito do Estado.

Ao mesmo tempo em que essas atrocidades estão acontecendo, vemos o Major condenado pela morte de Amarildo sendo reintegrado na Policia Militar. Junto à esse caos, Eduardo Paes pretende armar a Guarda Municipal do Rio de Janeiro, aumentando ainda mais a repressão e violência estatal contra a população negra e pobre.

Não se trata somente de um problema conjuntural, embora tenha se agravado no governo Bolsonaro, que promete flexibilização do porte de armas e impunidade a policiais, da extrema direita com bases policiais fascistas, mas também da estrutura da polícia enquanto uma organização armada à serviço do Estado capitalista que também é racista e assassino, por sua vez. Os policiais são inimigos da classe trabalhadora, já diria Trotsky, pois de operários passam a ser agentes diretos do Estado, da repressão deste e pela segurança da propriedade privada. Portanto, só a auto-organização dos trabalhadores é que poderá de fato trazer uma segurança efetiva e suficiente para os mais pobres e negros, definitivamente por fora dos moldes do aparato assassino que é hoje a polícia burguesa.

Leia mais: Basta de crianças negras assassinadas pela polícia racista e pelo Estado capitalista!




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