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DCE UFMG tem que convocar assembleia para estudantes se posicionarem sobre prisão de Lula

A prisão de Lula é um fato político histórico e de proporções internacionais, que impede que a população possa votar em quem quiser, e os estudantes têm o direito de se posicionar coletivamente frente a este fato.

sábado 14 de abril| Edição do dia

Um fato político histórico e de proporções internacionais aconteceu no último fim de semana no Brasil, com a prisão de Lula. Para nós isto é parte da continuidade do golpe institucional que deve ser combatido, porque vem aprofundando o autoritarismo e os ataques a direitos trabalhistas e sociais, agora vetando da disputa o candidato com maior intenção de votos para a presidência. Os estudantes têm o direito de se posicionar coletivamente frente a este fato, e é dever de nossas entidades representativas – DCE, D.A.s e C.A.s – convocarem assembleias onde os estudantes possam discutir, se posicionar e decidir o que fazer.

A prisão de Lula ocorrida no último sábado (7) é um ataque ao direito democrático da população escolher em quem votar, mais uma medida arbitrária do judiciário, sob pressão dos militares que se posicionaram nas redes sociais pela prisão de Lula, chegando a ameaçar um novo Golpe Militar como o de 1964, e em meio à imensa campanha da grande mídia e dos parlamentares da direita. Esta medida é continuidade do golpe que pretende impor o plano político da direita e dos empresários, de aumento dos ataques às condições de vida, aprovação das reformas, consolidação da Reforma Trabalhista e da PEC do teto de gastos que ataca a educação, Reforma da Previdência, aumento da desigualdade e perda de direitos democráticos, mesmo sem terem apoio e votos para legitimar esse plano.

Esse fato político tem despertado a indignação de milhões de brasileiros e, dentre eles, vários estudantes da UFMG. O DCE - Gestão Muda e os D.A.s e C.A.s da UFMG devem convocar assembleias, para que os estudantes possam organizar sua indignação e transformá-la em luta real. Ainda ecoa o som dos tiros em Marielle, e sobre esse caso a Gestão Muda apenas se pronunciou, enquanto muitos estudantes esperam por um espaço democrático de discussão e deliberação, que ainda não foi convocado desde o início desta gestão: uma assembleia geral, que deve ser convocada já!

A condenação e a prisão de Lula têm o claro objetivo de inviabilizar sua candidatura, mostrando que a direita e o judiciário no Brasil, os mesmos que orquestraram e deram o golpe de 2016, agora promovem uma continuidade desse golpe, que serve para que a retirada dos direitos dos trabalhadores seja mais veloz do que o PT é capaz de fazer. Se eles fazem isso com o líder de um dos partidos da ordem, é evidente que se abre espaço para uma arbitrariedade do judiciário sem precedentes contra a juventude negra, as mulheres, o movimento estudantil, os trabalhadores em greve e a esquerda, que já sofrem tanta violência e perseguição por parte do Estado no nosso país.

Um posicionamento contra a prisão de Lula é consequente com a defesa intransigente de todos os direitos democráticos dos trabalhadores e do povo. De forma alguma podemos abrir mão dessa defesa – já que não se trata de defender Lula – pois isso significa fazer coro com os avanços reacionários no país. É necessário unidade na ação, mas de forma que não se confundam os reais motivos de nossa luta, já que o próprio PT está mais interessado em se fortalecer eleitoralmente do que barrar o avanço do golpe com a luta. Este é mais um motivo para que nós estudantes tomemos em nossas mãos a luta, nos posicionando em uma assembleia democrática e organizando ações para fazer nossa voz ser ouvida, buscando também unir nossa luta com os trabalhadores, como é o caso dos educadores do estado de Minas Gerais, em greve pelos seus direitos e salários e também em luta contra o avanço do golpe.

A UNE (União Nacional dos Estudantes) e a UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) devem se somar a esta exigência de assembleias nas universidades e escolas, e diretamente organizar assembleias com as entidades onde fazem parte da gestão. Chamamos a esquerda que também se posicionou contra o golpe – PSOL, PCB e PCR – a nos acompanhar nessa batalha para criar espaços de discussão e deliberação onde os estudantes sejam sujeitos desta luta.

Foto: assembleia estudantil de ocupação do CAD1, em 2016




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