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Crivella da título de "utilidade pública" à igreja universal para receber verbas públicas

Rodrigo Tufão

Metroviário, cipista da linha 1 Azul São Paulo

quarta-feira 29 de novembro| Edição do dia

O prefeito Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal, mostra mais uma vez seus reais interesses à frente da prefeitura do Rio. No diário oficial de 27/11/2017, ele inclui a igreja universal, na lei de entidades "sem fins lucrativos", que são consideradas de "utilidade pública" pelo município.

Em um primeiro olhar, podemos achar que isso não passa de um título, onde se reconhece o papel social que algumas igrejas têm em comunidades carentes da cidade. Porém, a real intenção desse movimento do prefeito está longe ser um mero título de reconhecimento. Incluída nessa lei, a igreja universal, da qual Crivella é um dos líderes, passa a poder receber verbas públicas para seus projetos.

Quando vamos olhar a lei 402/2017 que foi sancionada, observamos que uma entidade de psiquiatria também está incluída, além da igreja universal. Não demora muito para desconfiamos das reais intenções que se escondem por trás desse decreto.

Parece que projetos nada sociais ou de caráter público poderão ser financiados com dinheiro do contribuinte. A ligação da igreja universal com a psiquiatria nos remete à famigerada cura gay. Isso mesmo. Querem usar verbas públicas para financiar as peripécias ideológicas dos pastores de plantão.

Usam a lei para perseguir quem eles consideram pecadores. Querem dinheiro público para constranger e humilhar todos que têm uma orientação sexual ou identidade de gênero diferente do que a igreja diz ser o correto. A "utilidade pública" se transforma na maneira de usar o dinheiro da prefeitura para o projeto ideológico e discriminador da IURD, que persegue cidadãos que não seguem o padrão moral de sua igreja.

Como podemos ver, a situação de insolvência financeira pela qual passa o RJ não parece ser problema para o prefeito. As escolas, creches e postos de saúde não são a prioridade, mas sim os projetos ideológicos dos pastores.

É inadmissível que, em meio à escassez de recursos, onde a população sente na pele o desemprego e a falta de serviços públicos de qualidade, quem administra a cidade desvie dinheiro do município para os delírios ideológicos das igrejas. "Cura gay" não é "utilidade pública". "Cura gay" é preconceito e discriminação. Não podemos aceitar calados os desmandos de um prefeito que não governa para os trabalhadores, mas sim para sua igreja.




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