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Cristina Kirchner propõe chapa presidencial com centro direita na Argentina

Em uma transmissão de vídeo neste sábado, dia 18/05, pouco depois das 9 horas, Cristina Kirchner anunciou uma proposta à PASO (Eleições Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias): que Alberto Fernandez seja o candidato presidencial de seu governo e ela o acompanhe como vice-candidata.

segunda-feira 20 de maio| Edição do dia

A surpreendente nomeação de Alberto Fernández como candidato a Presidente por parte de Cristina Kirchner sacudio o cenário político, em primeiro lugar a fórmula gerou expectativas e aspirações como uma possível ferramenta para desalojar o macrismo da Casa Rosada (a Sede da Presidência da República Argentina em Buenos Aires), para eles será uma alternativa capaz de tirar o país da crise sob uma promessa de "pacto social", "Contrato Social" com empresários que aplicam ataques.

Muitos falam da volta do Kirchnerismo das origens em 2003. Naquela época existia um boom econômico, e hoje o momento economico atual não pode dar respostas sem romper com o FMI. Hoje à situação na Argentina é muito mais complexa tendo como dois problemas centrais: a subordinação ao FMI, e o crescente peso da dívida pública.

Alberto Fernández foi ex chefe de gabinete do governo de Néstor Kirchner, esteve com o Kirchnerismo até 2008, e depois deixou o governo criticando-o. É um homem ligado ao Grupo Clarin (um dos principais monopólios de mídia da burguesia argentina), e integrou as listas de Cavallo, um dos responsáveis pela crise de 2001, uma crise generalizada, um desemprego altíssimo, que resultou em protestos em dezembro de 2001, onde as pessoas ocuparam às ruas, sobretudo a classe média, quando Cavallo o Ministro da Economia fez o "Corralito", que consiste que as pessoas não pudessem sacar seu dinheiro de suas contas bancárias, um roubo.

No vídeo a Cristina Kirchener faz uma analise da situação econômica, social e política atual, tem uma visão da situação de crise, mas não fala nada sobre a dívida pública e sobre a necessidade de romper com o FMI, que hoje significa uma política de massacre a vida dos trabalhadores e a da juventude para enriquecer o bolso dos banqueiros e empresários.

Como um todo, a decisão pode ser considerada como parte de uma estratégia política destinada a mostrar moderação. O vídeo divulgado nesta manhã de sábado é rico em apelos por diálogo e consenso, a fim de chegar a um acordo que permita que o país seja governado.

A decisão também busca gerar a ideia de moderação em relação ao acordo com o FMI. Alberto Fernández está entre os que mais defenderam o pagamento da dívida externa feita nos anos Kirchner. Ele tenta limitar o medo dos grandes especuladores em relação à candidatura da CFK - Cristina Fernández de Kirchner.

A este conjunto é possível somar a aposta a um eventual governo armado que - contando com o peronismo federal e a burocracia sindical - tem maior poder para capitanear um país onde o ajuste ordenado pelo FMI tenha continuidade. Entre outras coisas, no vídeo CFK afirma "é claro então que a coalizão que governa deve ser muito mais ampla do que a que ganhou as eleições".

Com a sua proposta, o Kirchnerismo pretende conseguir um braço político mais forte que dê estabilidade ao regime capitalista na hora de continuar o ajuste a serviço dos grandes especuladores. O que não está em dúvida, seja com esta fórmula eleitoral ou com outra, é que o peronismo, em todas as suas alas, pretende continuar com os acordos com o FMI, mesmo que isso signifique renegociá-los.

Nestas condições, é necessário continuar apostando no fortalecimento de uma alternativa política como a expressa pela Frente de Esquerda dos Trabalhadores (FIT) com a Canditatura de Nicolas Del Caño para Presidente, e Romina Del Pla, Vice presidente. Uma alternativa de independência política da classe trabalhadora, oposta ao peronismo da governabilidade e à liderança sindical burocrática que dá trégua ao ajuste.

Uma alternativa que levanta a necessidade imperiosa de romper com o FMI e um programa que, atacando os lucros das grandes empresas, impede de continuar descarregando à crise na grande maioria da população, a classe trabalhadora e a juventude pobre.




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