Política

CRISE POLÍTICA

Crise nas alturas, ataques por baixo

O PMDB, partido mais governista da história republicana brasileira, marcou para o dia 29 de março, reunião de seu Diretório Nacional para deliberar sobre a permanência ou não no governo da presidenta Dilma. Vale lembrar que o PMDB compôs, indicando ministros, em todos os governos desde a redemocratização.

quinta-feira 24 de março de 2016| Edição do dia

Como sempre, também, o partido parece dividido entre oposicionistas e governistas, idêntico como nos governos anteriores desde Collor. Esse partido possui suas alas no governo e na oposição. Para se ter ideia, o Presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), depois de se reunir com Lula e José Sarney, deu uma declaração contrária a saída do partido do governo, declarando que a saída pioraria a crise do país.

Como sempre acontece no PMDB, segundo dados divulgados pelo menos três dos sete ministros, declaram não estar de acordo em entregar seus cargos, o empossado, após decisão do Encontro Nacional, ministro da Aviação Civil, Mauro Lopes, declarou: "Se o PMDB deixar o governo, a decisão sobre continuar no cargo é minha”.

Por sua vez Helder Barbalho da Secretaria dos Portos, deve usar o leilão do dia 31 como argumento para permanecer no ministério ao menos até lá. Já a ministra motosserra da Agricultura, Kátia Abreu, amiga pessoal de Dilma, pode se desfiliar do PMDB e seguir no ministério.

Não é de se estranhar que esses três sejam “indicações” de bancadas do senado. Isso é especialmente importante pelo fato de ser no Senado que se resolve ou não o impeachment de Dilma.

O fato é que, segundo determinou o STF (Superior Tribunal Federal), o rito do processo passa pela aprovação na Câmara de Deputados e é enviado ao Senador. No Senado, o governo precisa de 41 votos contra a instalação do processo e, se perder e iniciar o julgamento de Dilma ela seria afastada por até 180 dias e, no julgamento, precisaria de 27 votos de senadores (o PT tem 16). Ou seja, mesmo iniciando o processo de impeachment Dilma teria como se livrar da cassação caso consiga mais 11 votos, sendo que já pode contar com um senador do PCdoB.

Se por cima segue a crise política com golpes e contra golpes da pequena política, por baixo aos ataques aos trabalhadores e ao povo pobre segue a mil. Aproveitando da crise econômica a burguesia brasileira vêem realizando um duro ajuste econômico, arrochando os salários e jogando milhões no desemprego.

De acordo com dados do IBGE divulgado na última segunda-feira dia 21 de março, o desemprego chegou a 7,2%, em relação ao mesmo período de 2015, chegando a números de 2 milhões de desempregados.

Por sua vez, o arrocho salarial se aprofunda tendo a renda media caído 7,5% em um ano, ou seja, uma brutal diminuição do poder de compra dos trabalhadores e aumento dos lucros da burguesia.

Se no terreno da iniciativa privada a situação de desemprego e arrocho salarial é bem pesada, no setor público a situação não é muito diferente, em vários estados e municípios servidores tiveram seus salários não pagos ou parcelados e em quase a totalidade dos estados caminham para o segundo ano sem reajuste de salário, o que no caso de São Paulo, significa uma perda de quase 20% do poder de compra em 2 anos.

Mesmo ainda não sendo o elemento mais dinâmico da realidade, as lutas de resistências tem ocorrido. A importante ocupação da fábrica de fogões MABE em Campinas por seus operários, exigindo manutenção dos postos de trabalho e a forte greve dos funcionários públicos do Rio de Janeiro pelo não parcelamento e reajuste dos salários, bem como em defesa dos serviços públicos devem ser apoiadas incondicionalmente pela esquerda, apesar de em ambas suas direções não estarem à altura da luta.

Apoiar cada luta e desde essas lutas firmar um campo independente que rechace o impeachment da direita mais tradicional e as arbitrariedades do judiciário, que está sedenta por mais entrega ainda aos interesses do capital, impulsionando desde os locais de trabalho, estudo, moradia um grande movimento nacional contra o impeachment, a impunidade e os ataques do governo ajustador.




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